.
Saiu a primeira entrevista que dei sobre O Vampiro da Mata Atlântica!
Meu amigo Eric Novello foi rápido no gatilho e publicou um micro batepapo em seu site Fantastik.
O Fantastik é uma ótima fonte de informações sobre a literatura fantástica já publicada no Brasil. Vale a pena dar uma navegada.
um bom dia a todos
Martha
.
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Combinação improvável: um homem santo e um vampiro
.
Ontem, na Cultura da Paulista, tive a grande felicidade de conversar alguns minutos preciosos com o Swami Sarvabhutananda (este aqui é o blog dele), num encontro fortuito e fascinante.

Um swami é, segundo os dicionários online, um professor religioso, no hinduísmo (da mesma forma como um lama é um professor no budismo tibetano). O swami transmitiu seus conhecimentos em Campinas e Sorocaba, e deve partir hoje. Que pena que São Paulo não estava em sua agenda, esta cidade dura que anda tão necessitada de sabedoria!
Logo depois que aquele homem santo, envolto num manto laranja-berrante, foi embora e se perdeu na multidão da livraria, tive outro encontro de natureza muito diferente, e nada espiritual.
Pelas mãos do Rodrigo Coube, da editora Idea, e que agora posso chamar de meu editor, vi diante de mim, em carne e osso, ou em papel e tinta, um sujeito muito (mas muito mesmo) menos iluminado: ele, o vampiro da Mata Atlântica. Impresso. Hurra! É só uma galley proof (uma prova), mas ele finalmente existe!
Ufa, haja estrutura pra aguentar essa montanha russa!
.
Ontem, na Cultura da Paulista, tive a grande felicidade de conversar alguns minutos preciosos com o Swami Sarvabhutananda (este aqui é o blog dele), num encontro fortuito e fascinante.

Um swami é, segundo os dicionários online, um professor religioso, no hinduísmo (da mesma forma como um lama é um professor no budismo tibetano). O swami transmitiu seus conhecimentos em Campinas e Sorocaba, e deve partir hoje. Que pena que São Paulo não estava em sua agenda, esta cidade dura que anda tão necessitada de sabedoria!
Logo depois que aquele homem santo, envolto num manto laranja-berrante, foi embora e se perdeu na multidão da livraria, tive outro encontro de natureza muito diferente, e nada espiritual.
Pelas mãos do Rodrigo Coube, da editora Idea, e que agora posso chamar de meu editor, vi diante de mim, em carne e osso, ou em papel e tinta, um sujeito muito (mas muito mesmo) menos iluminado: ele, o vampiro da Mata Atlântica. Impresso. Hurra! É só uma galley proof (uma prova), mas ele finalmente existe!
Ufa, haja estrutura pra aguentar essa montanha russa!
.
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Crepúsculo e Relações de Sangue
.
Essa foi inesperada. Meu romance vampírico, Relações de Sangue, apareceu resenhado (e de forma bem positiva) numa revista dedicada aos fãs de Crepúsculo, a série bestseller da estadunidense Stephenie Meyer, que virou filme e febre mundial. Cliquem na imagem abaixo para ler o texto.
A revista, publicada pela editora Escala, está nas bancas.
Na verdade, a matéria é parte de uma resenha publicada em 2003 por Gian Danton (você pode ler o texto completo aqui), cujo e-book Amores Góticos é tema de uma outra resenha na revista. Também é dado um (justo) destaque a André Vianco e suas obras, bem como ao fanzine Adorável Noite, de Adriano Siqueira. Há menção, ainda, à antologia Draculea, o Livro Secreto, projeto que está sendo organizado por Ademir Pascale (e não pelo Adriano, como saiu na matéria).
Não vou entrar na discussão “Crepúsculo é bom ou não é”. Ainda não li o livro, por falta de tempo. Mas a mania nacional, que acompanha a febre internacional, está dando um destaque inédito a minha obra, e à de muitos colegas meus. Precisou vir um bestseller gringo, com marketing pronto e filme em cima, para a imprensa abrir um espacinho para autores que podem não ser badalados nas altas esferas eruditas, mas que fazem a molecada ler. Se tem autor que está contente com um país onde o público leitor cabe dentro de dois botes a remo e ainda sobra espaço, tudo bem. Mas acho muito mais fascinante o desafio de trazer leitores jovens pra dentro desses barcos e encher toda uma frota de transatlânticos gigantes com novos devoradores de livros.
No meio de tudo isso, um fato irônico. Relações de Sangue está fazendo sucesso. Ótimo, maravilhoso. Sete anos depois de publicado, continuo recebendo montes de e-mails de leitores, felizes e pedindo mais. Só que o livro não só está fora das livrarias como não está no catálogo de nenhuma editora há dois anos, e só pode ser comprado em sebos (como aqui). A continuação, Amores Perigosos, está pronta e inédita há cinco anos, cinco anos de tentativas incessantes e infrutíferas para publicá-la. Sinto que estou perdendo a chance de ser lida e dar emoção à vida de milhares de jovens. E sinto também que o mercado editorial está marcando uma $uperbobeira...
Mas na verdade não, não posso reclamar de nada. O Vampiro Antes de Drácula (Editora Aleph), que organizei com Humberto Moura Neto, recebeu uma ampla divulgação na mídia, com direito até a recomendação num extenso artigo da Veja sobre adivinhem o quê? Crepúsculo, claro. Meu segundo romance, O Vampiro da Mata Atlântica (Idea Editora) foi aceito e produzido em tempo recorde, e deve ir para a gráfica hoje. E está lindo, graças ao trabalho duro da equipe de produção (Billy, Carminha, Silvio, Rodrigo, Glauco e toda uma lista extensa de agradecimentos que vocês vão ver no livro). Além disso, logo sai um conto meu em mais uma antologia vampírica, e já teve até uma ou outra editora me rondando.
É isso aí. Moral da história: leiam. Qualquer coisa, mas leiam.
Martha
P.S. E não pirateiem nem plagiem porque é muito feio desrespeitar os outros.
Essa foi inesperada. Meu romance vampírico, Relações de Sangue, apareceu resenhado (e de forma bem positiva) numa revista dedicada aos fãs de Crepúsculo, a série bestseller da estadunidense Stephenie Meyer, que virou filme e febre mundial. Cliquem na imagem abaixo para ler o texto.
A revista, publicada pela editora Escala, está nas bancas.Na verdade, a matéria é parte de uma resenha publicada em 2003 por Gian Danton (você pode ler o texto completo aqui), cujo e-book Amores Góticos é tema de uma outra resenha na revista. Também é dado um (justo) destaque a André Vianco e suas obras, bem como ao fanzine Adorável Noite, de Adriano Siqueira. Há menção, ainda, à antologia Draculea, o Livro Secreto, projeto que está sendo organizado por Ademir Pascale (e não pelo Adriano, como saiu na matéria).
Não vou entrar na discussão “Crepúsculo é bom ou não é”. Ainda não li o livro, por falta de tempo. Mas a mania nacional, que acompanha a febre internacional, está dando um destaque inédito a minha obra, e à de muitos colegas meus. Precisou vir um bestseller gringo, com marketing pronto e filme em cima, para a imprensa abrir um espacinho para autores que podem não ser badalados nas altas esferas eruditas, mas que fazem a molecada ler. Se tem autor que está contente com um país onde o público leitor cabe dentro de dois botes a remo e ainda sobra espaço, tudo bem. Mas acho muito mais fascinante o desafio de trazer leitores jovens pra dentro desses barcos e encher toda uma frota de transatlânticos gigantes com novos devoradores de livros.
No meio de tudo isso, um fato irônico. Relações de Sangue está fazendo sucesso. Ótimo, maravilhoso. Sete anos depois de publicado, continuo recebendo montes de e-mails de leitores, felizes e pedindo mais. Só que o livro não só está fora das livrarias como não está no catálogo de nenhuma editora há dois anos, e só pode ser comprado em sebos (como aqui). A continuação, Amores Perigosos, está pronta e inédita há cinco anos, cinco anos de tentativas incessantes e infrutíferas para publicá-la. Sinto que estou perdendo a chance de ser lida e dar emoção à vida de milhares de jovens. E sinto também que o mercado editorial está marcando uma $uperbobeira...
Mas na verdade não, não posso reclamar de nada. O Vampiro Antes de Drácula (Editora Aleph), que organizei com Humberto Moura Neto, recebeu uma ampla divulgação na mídia, com direito até a recomendação num extenso artigo da Veja sobre adivinhem o quê? Crepúsculo, claro. Meu segundo romance, O Vampiro da Mata Atlântica (Idea Editora) foi aceito e produzido em tempo recorde, e deve ir para a gráfica hoje. E está lindo, graças ao trabalho duro da equipe de produção (Billy, Carminha, Silvio, Rodrigo, Glauco e toda uma lista extensa de agradecimentos que vocês vão ver no livro). Além disso, logo sai um conto meu em mais uma antologia vampírica, e já teve até uma ou outra editora me rondando.
É isso aí. Moral da história: leiam. Qualquer coisa, mas leiam.
Martha
P.S. E não pirateiem nem plagiem porque é muito feio desrespeitar os outros.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
O Vampiro da MA: confirmado lançamento em maio
.
O lançamento de O Vampiro da Mata Atlântica foi anunciado oficialmente por Rodrigo Coube, editor da Idea Editora, e está previsto para maio deste ano
Segue abaixo a notícia, como foi publicada por Roberto Causo em sua coluna sobre Literatura Fantástica.
Rodrigo Coube, editor da Idea Editora, nos escreveu sobre seus próximos lançamentos: "Dentro desta idéia de reforçar nosso catálogo, estamos finalizando mais um lançamento, e também uma edição nova: O Vampiro da Mata Atlântica, da Martha Argel. Trata-se de uma aventura de cientistas em pesquisas de campo no Alto da Ribeira, que em meio aos trabalhos isolados na mata, se dão conta que algo estranho está lhes observando. A Martha vem a ser um reforço importante para nós e ficamos muito contente em publicá-la. Previsão para estar nas livrarias em maio. A outra novidade é o lançamento da edição da Idea de O Arqueiro e a Feiticeira, Volume 1: A Caverna de Cristais, da Helena Gomes. Ainda estamos vendendo a edição original da Devir, não tínhamos uma edição da Idea, lembrando que os volumes 2, Aliança dos Povos (2007), e 3, Despertar do Dragão (2008), foram editados originalmente por nós. A edição sai revisada e dentro de nosso projeto gráfico para a Saga da Caverna de Cristais. Previsão para estar nas livrarias em junho."
Para (muito) mais informações sobre o que anda acontecendo na FC&H&F nacional, visite a coluna do Causo, clicando aqui.
O lançamento de O Vampiro da Mata Atlântica foi anunciado oficialmente por Rodrigo Coube, editor da Idea Editora, e está previsto para maio deste ano
Segue abaixo a notícia, como foi publicada por Roberto Causo em sua coluna sobre Literatura Fantástica.
Rodrigo Coube, editor da Idea Editora, nos escreveu sobre seus próximos lançamentos: "Dentro desta idéia de reforçar nosso catálogo, estamos finalizando mais um lançamento, e também uma edição nova: O Vampiro da Mata Atlântica, da Martha Argel. Trata-se de uma aventura de cientistas em pesquisas de campo no Alto da Ribeira, que em meio aos trabalhos isolados na mata, se dão conta que algo estranho está lhes observando. A Martha vem a ser um reforço importante para nós e ficamos muito contente em publicá-la. Previsão para estar nas livrarias em maio. A outra novidade é o lançamento da edição da Idea de O Arqueiro e a Feiticeira, Volume 1: A Caverna de Cristais, da Helena Gomes. Ainda estamos vendendo a edição original da Devir, não tínhamos uma edição da Idea, lembrando que os volumes 2, Aliança dos Povos (2007), e 3, Despertar do Dragão (2008), foram editados originalmente por nós. A edição sai revisada e dentro de nosso projeto gráfico para a Saga da Caverna de Cristais. Previsão para estar nas livrarias em junho."
Para (muito) mais informações sobre o que anda acontecendo na FC&H&F nacional, visite a coluna do Causo, clicando aqui.
sábado, 11 de abril de 2009
Lançamento em breve: O Vampiro da Mata Atlântica
==============================
Vem aí
O VAMPIRO DA MATA ATLÂNTICA
O novo romance de Martha Argel
==============================
A trama
Dois jovens cientistas, Xavier Damasceno e Júlio Levereaux, são contratados para avaliar a biodiversidade de uma área a ser preservada, situada na região do Alto Ribeira, sul do estado de São Paulo.
Depois de uma viagem difícil, chegam ao local e ficam fascinados com a beleza da floresta e o excelente estado de conservação do ambiente.
As descobertas se sucedem, mas uma delas não é nada do que esperavam. Daí em diante, eles vão ter que se esforçar muito para conseguirem ficar vivos!
Aventura...
O Vampiro da Mata Atlântica é um livro de aventura na selva, do tipo Indiana Jones ou, melhor ainda, do tipo daquele velho seriado de tevê, Daktari, que toda garotada da minha época curtia (se bem não teve jeito de incluir Clarence, o leão vesgo, em minha história, por um probleminha biogeográfico...).
... Vampiros...
Esse livro é também a uma releitura de Drácula, adaptada para nosso país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, ê-ô.
Não vou falar mais nada porque senão é spoiler!
... e Ciência!
Já li um monte de livros sobre cientistas na selva, onde ficava evidente que o(a) autor(a) nunca tinha ido pro mato de verdade.
Uma honrosíssima (e bota íssima, íssima, íssima e mais íssima nisso!) exceção é o maravilhoso conto Fuga de Katmandu, de Kim Stanley Robinson, que li no século passado, numa ótima tradução de Fábio Fernandes.
Não sei se foi aí que nasceu a vontade de escrever meu próprio livro de selva.
O fascínio em si veio de muito antes, quem sabe com aquele seriado que só o pessoal mais velho vai lembrar, O Mundo Animal, apresentado pelo inacreditável Bill Burrud, que enfrentava tudo e sabia tudo. A abertura maravilhosa, com um desfile de elefantes ao pôr do sol, com aquela trilha sonora linda, marcou uma geração de biólogos.
Mas moral da história, além de aventura e vampiro coloquei no livro algo mais difícil de encontrar por aí: os bastidores de uma expedição científica como ela é de verdade nesse nosso Brasil varonil, pátria amada, salve, salve.
Espero que todos curtam e...
divirtam-se com os carrapatos e mosquitos!
Personagens
Xavier Damasceno é um jovem ornitólogo que batalhou muito para romper a barreira do racismo informal brasileiro, e agora está terminando sua dissertação de mestrado sobre a mais magnífica das aves brasileiras: a espetacular harpia, ou gavião-real.
E é por causa de sua paixão científica que acaba se metendo na mais assustadora experiência que já enfrentou.
Júlio Levereaux é um mastozoólogo, ou seja, especialista em mamíferos. Além de ser um excelente pesquisador, com uma energia e um conhecimento impressionantes, é um safado oportunista e folgado. Mas uma coisa deve ficar clara: embora tenha sido dele a desastrosa idéia da excursão às matas do Alto Ribeira, ele não teve culpa alguma pelos acontecimentos horríveis que se desenrolaram.
O vampiro. Dizem que ele mora lá pros lados da Saripoca. Andou matando gente. Hoje a vila está abandonada, fugiu todo mundo por causa dessa assombração horrorosa. Vocês querem passar a noite lá? Isso é coisa de maluco!
A Mata Atlântica é o sonho de consumo de qualquer zoólogo de campo. Uma das mais exuberantes florestas do mundo, uma das maiores biodiversidades, mas também um dos lugares com maior número de espécies ameaçadas de extinção. Será que o horrendo vampiro que habita a Saripoca é o maior vilão da Mata Atlântica?
Lançamento previsto para 2009
Idea Editora
Capa: Billy Argel
=========================
*** Quiz para os Zoólogos***
De onde saiu o nome Levereaux?
Pesquisem um pouco, vale a pena.
Está além de qualquer ficção!
=========================
.
Marcadores:
lançamento,
Mata Atlântica,
romance,
vampiros
sexta-feira, 3 de abril de 2009
O Vampiro da Mata Atlântica
Era noite – ele sabia que era noite – mas por que ele podia ver a floresta com tanta clareza, como se o sol estivesse brilhando alto no céu? Por que o ar estava tão cheio de ruídos e de cheiros? Ele ouvia pequenos animais, ratos silvestres talvez, andando pelo chão da floresta, ouvia até suas respirações e os corações minúsculos batendo rápidos em seus corpos. A brisa quase inexistente trouxe um cheiro de bicho do mato, e ele soube com surpreendente certeza que uma jaguatirica trotava por um carreiro a uns bons duzentos passos de distância.
E ele se sentia mais forte, mais cheio de energia do que nunca.
Não, ele não estava morto.
Ou estava? De repente lhe ocorreu que já tinha ouvido histórias demais sobre assombrações e mortos-vivos para que não houvesse uma gota de verdade por trás delas.
Passando os dedos sobre o sangue seco – seu sangue – que cobria a barriga intacta, ele teve a certeza de que morrera naquela emboscada, e que voltara como algo do outro mundo. Algo capaz de encher de terror a alma das pessoas.
Ficou algum tempo matutando sobre aquilo, até que um espasmo súbito, violento, contraiu-lhe o estômago. Curvando-se, ele apertou as mãos contra a barriga, num esforço vão de atenuar a dor.
Fome. Uma fome implacável.
Um instinto recém-despertado disse-lhe exatamente o que precisava para saciá-la. E onde fazer isso.
Ele pegou a trilha de volta para o bairro do Alto dos Lacerdas. A espingarda Boito ficou esquecida no fundo da cova. Não era a carne de paca, tenra e saborosa, que ia satisfazer seu apetite a partir de agora.
Logo vocês vão conhecer o vampiro da Mata Atlântica!
O Vampiro da Mata Atlântica, de Martha Argel
Lançamento previsto para 2009
Idea Editora
Capa: Billy Argel
beijos a todos
Martha
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Plágio Online II – o Final
Depois de alguma insistência junto à moderação, o tópico do orkut criado pela mocinha com sua "fanfic" acabou sendo deletado, e com ele foi-se embora o plágio.
Numa comunidade de escritores onde relatei todo o episódio, gerou-se uma certa discussão. Várias pessoas tomaram por certo que eu estava disposta a entrar na justiça contra a garota e fazer valer meus direitos. Teve gente apoiando com entusiasmo e gente fazendo um coro magnânimo de deixa-disso, de modo que tive a nítida impressão de que alguns ali nem estavam lendo o que eu dizia e repetia: não, não vou processar ninguém.
Mas entre as pessoas que de fato acompanharam o caso com atenção, houve reações e ponderações realmente notáveis pelo bom-senso, algumas das quais me tocaram bastante.
De qualquer forma, o episódio está ultrapassado, embora não encerrado, já que, como tudo o que acontece no vida, gerou conseqüências (um budista diria: como todas as ilusões impermanentes do samsara, essa também gerou karma).
Já nos estertores da discussão, alguém disse algo como "tudo bem, mas se fosse comigo não teria deixado barato e teria insistido numa ação legal". A questão é que eu não acho que tenha deixado barato, não, mesmo sem envolver dinheiro na coisa toda.
Suspeito que a menina acabou pagando um preço alto. Algumas de "suas" leitoras ficaram decepcionadas e manifestaram isso em público. A "obra" que ela construiu ao longo de meses (ela estava postando desde novembro!) foi apagada. De repente ela se viu sem as "fãs" e sem os elogios que, não tenho dúvida, eram uma das coisas boas de sua vida de adolescente que, segundo seu próprio orkut, ficou de recuperação em cinco matérias, está submetida a castigos constantes dos pais e acha necessário mentir sobre a idade. Ela criou para si um personagem de animê que era uma escritora aclamada, e de repente a platéia percebeu que ele era só um personagem interpretado por uma atriz medíocre.
Perder a aprovação dos pares é uma catástrofe em nossa sociedade de aparências. Imagino que tenha sido para essa menina.
Pra que criar uma pendenga judicial e arrastar por meses o gosto desagradável de algo que já foi, e criar dor de cabeça e angústia pros outros (e pra mim)? A garota já deve estar numa espécie de inferno (coitadinha!). Quanto a mim, aprendi muito, e como já disse fiquei tocada com as reações de muitas pessoas com as quais eu nunca tivera qualquer contato.
Acho que, ao contrário de deixar barato, houve grandes perdas e grandes ganhos nessa história toda, sem precisar botar o dinheiro no meio.
E chega, né? Bola pra frente que a vida é curta.
Martha
Numa comunidade de escritores onde relatei todo o episódio, gerou-se uma certa discussão. Várias pessoas tomaram por certo que eu estava disposta a entrar na justiça contra a garota e fazer valer meus direitos. Teve gente apoiando com entusiasmo e gente fazendo um coro magnânimo de deixa-disso, de modo que tive a nítida impressão de que alguns ali nem estavam lendo o que eu dizia e repetia: não, não vou processar ninguém.
Mas entre as pessoas que de fato acompanharam o caso com atenção, houve reações e ponderações realmente notáveis pelo bom-senso, algumas das quais me tocaram bastante.
De qualquer forma, o episódio está ultrapassado, embora não encerrado, já que, como tudo o que acontece no vida, gerou conseqüências (um budista diria: como todas as ilusões impermanentes do samsara, essa também gerou karma).
Já nos estertores da discussão, alguém disse algo como "tudo bem, mas se fosse comigo não teria deixado barato e teria insistido numa ação legal". A questão é que eu não acho que tenha deixado barato, não, mesmo sem envolver dinheiro na coisa toda.
Suspeito que a menina acabou pagando um preço alto. Algumas de "suas" leitoras ficaram decepcionadas e manifestaram isso em público. A "obra" que ela construiu ao longo de meses (ela estava postando desde novembro!) foi apagada. De repente ela se viu sem as "fãs" e sem os elogios que, não tenho dúvida, eram uma das coisas boas de sua vida de adolescente que, segundo seu próprio orkut, ficou de recuperação em cinco matérias, está submetida a castigos constantes dos pais e acha necessário mentir sobre a idade. Ela criou para si um personagem de animê que era uma escritora aclamada, e de repente a platéia percebeu que ele era só um personagem interpretado por uma atriz medíocre.
Perder a aprovação dos pares é uma catástrofe em nossa sociedade de aparências. Imagino que tenha sido para essa menina.
Pra que criar uma pendenga judicial e arrastar por meses o gosto desagradável de algo que já foi, e criar dor de cabeça e angústia pros outros (e pra mim)? A garota já deve estar numa espécie de inferno (coitadinha!). Quanto a mim, aprendi muito, e como já disse fiquei tocada com as reações de muitas pessoas com as quais eu nunca tivera qualquer contato.
Acho que, ao contrário de deixar barato, houve grandes perdas e grandes ganhos nessa história toda, sem precisar botar o dinheiro no meio.
E chega, né? Bola pra frente que a vida é curta.
Martha
terça-feira, 31 de março de 2009
Plágio online

Não sei se algum de vocês já passou por situação parecida, mas vejam que coisa non-sense está acontecendo com um livro meu: uma garotinha está redigitando e postando, em uma comunidade de animê do orkut, o texto na íntegra de meu romance "Relações de Sangue", somente substituindo os nomes dos personagens, e dizendo que foi ela quem escreveu.
Sei que eu poderia tomar alguma medida legal, mas certamente é uma criança que não está ganhando um tostão com isso, e que apenas tem tempo demais e criatividade de menos.
Vai me afetar de alguma forma? Não creio. O perfil das meninas que estão lendo não me parece ser o de alguém que entra numa livraria e pede um livro de uma autora perfeitamente desconhecida.
Mas o que me assombra é a motivação do ato em si. Como eu disse no post que fui forçada a colocar no tópico, que graça vê uma pessoa em gastar tanto tempo para receber aplausos que na verdade não são para ela?
Caso queiram ver essa desfaçatez com seus próprios olhos, o nome da comunidade é "Sasuke e Sakura 4ever" e o tópico pode ser acessado clicando aqui.
E eu que achava que carregarem o arquivo de um livro na internet à revelia do autor, a título de "democratização da leitura", era o máximo da caradurice!
Ah, caso a moderadora da comunidade apague meus posts, segue o que coloquei lá:
PLÁGIO DE MEU LIVRO RELAÇÕES DE SANGUE
Caros leitores, agradeço muito todos os elogios e a empolgação com que este texto está sendo recebido por vocês, e aproveito para informar que, infelizmente, ele NÃO foi escrito pela pessoa que o está postando.
O texto que até este momento foi colocado aqui é, na íntegra, meu romance "Relações de Sangue", publicado em 2000 pela editora Novo Século. O que a pessoa responsável pelo tópico está fazendo é meramente transcrever meu texto, substituindo o nome verdadeiro dos personagens, que são:
- narradora - Clara
- vampira - Lucila
- vampiro sedutor - Daniel
- namorado - Estevão
- vampirão - William
- amiga da narradora - Carol
Não sei que satisfação terá uma pessoa ao gastar horas digitando um texto alheio em vez de criar sua própria ficção, e com a única finalidade de receber elogios que não lhe pertencem. Isso é viver uma mentira, não? Será que a vida dessa pessoa é tão pouco preciosa que vale menos que uma ilusão?
Quando se pretende ser escritor, o mínimo que se faz é respeitar o trabalho de outras pessoas. Senão, como esperar respeito para si mesmo?
Se essa pessoa chama de seu um texto que não é, será que fez ou fará o mesmo com todos os outros textos que já divulgou ou divulgará?
Aplausos efêmeros são um preço irrisório a pagar pela sua honra. Será que os personagens homenageados nesta comunidade teriam esse tipo de atitude?
Esclareço que só vim a público após ter pedido, em particular, alguma atitude por parte da pessoa que está postando este texto e da moderação da comunidade, sem ser atendida.
Bem, se quiserem saber como continua a história, a forma mais rápida é ler meu livro. Se quiserem, podem até pegar um lápis, riscar o nome dos personagens e substituir pelos que mais lhes aprouverem.
Mas talvez a responsável pelo tópico continue achando alguma graça nessa bricadeirinha e continue gastando o tempo ao qual não dá valor, copiando o que outra pessoa escreveu.
Ah, sim.
Pretendo comentar este incidente em outros sites.
Ao comunicar isto, estou tendo muito mais consideração para com a responsável por este tópico do que ela teve para comigo ao disponibilizar, sem minha autorização, minha obra.
Talvez não seja do conhecimento de todos, mas o que foi feito aqui chama-se plágio, e pode ser objeto de ação legal.
Abraços e continuem divertindo-se, mas sem prejudicar outras pessoas.
Martha Argel
Bom, é isso aí, desculpem o desabafo, mas acho que certos puxões de orelha em público podem ter efeitos bastante didáticos.
Vivam a vida enquanto não é tarde demais!
Martha
PS. Não, definitivamente, eu não vou processar a plagiadora. Tenho certeza de que ela vai tirar uma lição maravilhosa disso tudo
quarta-feira, 11 de março de 2009
A borboleta que bateu as asas no Himalaia
Ontem fez cinquenta anos que o governo chinês reinvindicou, a força, seu direito de posse sobre a remota e paupérrima região do Tibete.
Fiz meu ato de protesto. Durante duas horas mergulhei nas palavras vindas, por vias tortuosas, do alto e tempestuoso planalto tibetano. Junto comigo, umas sessenta pessoas das quais uma ínfima minoria, se alguém, já terá colocado os pés naquele território. Que eu saiba, havia na sala um único tibetano (ou talvez nem isso, quem sabe butanês). Até mesmo a pessoa que nos transmitia as palavras era, como eu, deste lado do Atlântico.
Se a China não tivesse invadido o Tibete, há meio século, um protesto não teria sido necessário ontem. Mas nem eu nem milhões de pessoas pelo mundo todo jamais teríamos ouvido as palavras vindas de lá, e elas transcendem em muito, mas muito mesmo, qualquer tipo de protesto, por mais justo e justificado que seja.
Isso é o karma em todo o esplendor de sua realidade: qualquer ação tem uma reação. E nunca se pode prever qual será. É isso que torna a vida tão fascinante.
Tashi delek!
(Boa sorte, saudação tradicional tibetana)
Martha
segunda-feira, 9 de março de 2009
Cavalos de vento
O princípio básico é o seguinte: o vento passa e espalha bons augúrios, por onde for, sem escolher, sem ajudar-esse-aqui-mas-aquele-ali-não.
Devia ter desses paninhos coloridos em cada cantinho do mundo. Quem sabe só de olhar a gente se lembrasse que tem que ser que nem o vento.
Que os bons ventos soprem também para o seu lado.
Martha
Marcadores:
bandeiras de prece,
cavalos de vento
domingo, 1 de março de 2009
De repente
De uns tempos pra cá, a idéia de andar por aí com uma máquina fotográfica começou a me incomodar. Por que não deixar que o tempo se encarregue do que já passou? Por que tentar guardar o que já não é? Por que tentar compartilhar com outros o que é, foi só seu? E por que raios ter um blog?
Mas por outro lado, por que não assumir os próprios dilemas e paradoxos pessoais? A ânsia em capturar o passado e a verborragia eletrônica são obstáculos a ser ultrapassados, sim... mas eu ainda não consegui!
Enquanto isso, continuo capturando e, se alguém se interessar por eles, compartilhando meus acasos.
Catedral de noite.
Pôr do sol na varanda de casa, em São Paulo.
Curtam seus momentos. Cada um deles, sem sofrer quando se vão.
Martha
Mas por outro lado, por que não assumir os próprios dilemas e paradoxos pessoais? A ânsia em capturar o passado e a verborragia eletrônica são obstáculos a ser ultrapassados, sim... mas eu ainda não consegui!
Enquanto isso, continuo capturando e, se alguém se interessar por eles, compartilhando meus acasos.
Curtam seus momentos. Cada um deles, sem sofrer quando se vão.
Martha
sábado, 21 de fevereiro de 2009
"Retiro intelectual"?
Fevereiro está sendo dureza.
Essa aí em cima é mais ou menos a paisagem do meu dia-a-dia. São, claro, todas coisas muito legais, mas é tudo pra ontem. Não dá nem pra curtir como se deve.
Minha fantasia de carnaval é terminar todos os projetos marcados URGENTE e conseguir ao menos um dia voltar ao parque do Ibirapuera, passear e ver o verde sem me preocupar com prazos.
E, claro, conseguir dedicar algum tempo ao meu mui amado parceiro que, coitado, deve estar sentindo saudades de mim até quando estou ao seu lado, porque, na verdade, não estou.
O lado bom: fevereiro termina logo. O lado ruim: fereveiro termina logo, e depois vêm março e abril, que, já se configura, não serão muito mais tranquilos...
Bom Carnaval. E tentem se lembrar que as maiores alegrias estão dentro da gente e não de uma garrafa de cerva, vodka e símiles.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Será que meu amado está querendo mudar meu conflituoso relacionamento com a poesia? Não sei, mas ele me enviou outro poeminha, desta vez em inglês. Contou uma mórbida história acerca da autora, mas não vou repeti-la, certamente a Wikipedia pode ajudar quem porventura estiver interessado.
O poema é sobre o curiango, que no folclore europeu durante a noite mama nas cabras, secando-lhes o ubre. Em outras palavras, é o chupa-cabras original! O poema termina esclarecendo que a ave de fato nunca ordenhou cabra alguma, e que a única coisa que se lhe desaparece goela abaixo são insetos, como a mariposa da foto acima.
Uma aula de história natural na forma de versos.
Goatsucker
Sylvia Plath (1932-1963)
Old goatherds swear how all night long they hear
The warning whirr and burring of the bird
Who wakes with darkness and till dawn works hard
Vampiring dry of milk each great goat udder.
Moon full, moon dark, the chary dairy farmer
Dreams that his fattest cattle dwindle, fevered
By claw-cuts of the Goatsucker, alias Devil-bird,
Its eye, flashlit, a chip of ruby fire.
So fables say the Goatsucker moves, masked from men's sight
In an ebony air, on wings of witch cloth,
Well-named, ill-famed a knavish fly-by-night,
Yet it never milked any goat, nor dealt cow death
And shadows only--cave-mouth bristle beset--
Cockchafers and the wan, green luna moth.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Bonito, né? No século XIX era tudo mata. Então virou um bananal. Cinquenta anos atrás resolveram que ia ser pasto. Quanto tempo até virar um tabuleiro de xadrez de ruas, com carros, asfalto, tijolos, azulejos, poluição, barulho, modinhas, ciúmes e doenças da vida moderna afogando de vez o que já foi perfeito?
Tudo muda, o tempo todo.
Mas tem coisas que parecem que só mudam para pior.
Martha Argel
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Por algum motivo insondável, poesia em geral não me diz nada. Não, não é que eu não goste de poesia. Eu simplesmente não consigo entender poesia. De novo: não é que eu não goste de poesia. Eu desligo. Meu cérebro não registra. Se estou ouvindo, não compreendo as palavras. Se estou tentando ler, meus olhos vagueiam e param no número da página. Acontecia a mesma coisa com fórmulas matemáticas, na faculdade. Eu não conseguia vê-las.
Mas uma ou outra poesia fura a barreira de minha insensibilidade poética. Não sei o porque. Parece ser aleatório. Uma das raríssimas exceções é essa aí de baixo, que aprendi quando era criança. Ouvi no rádio outro dia, lá no apartamento do meu consorte, na Cidade Maravilhosa. E meu dileto e amoroso parceiro fez a gentileza de conseguir o poema inteiro. A foto aí em cima tirei em Sintra, Portugal, no Palácio da Pena.
Ismália
Alphonsus de Guimarães(1923)
Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...
E no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava perto do mar...
E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...
Assinar:
Postagens (Atom)