quinta-feira, 12 de junho de 2003


Boa noite.

Não sei dizer se estou bem, ou à beira do abismo, ou totalmente desanimada, ou cheia de energia e determinação. Coisas acontecem, e não consigo avaliar se são boas, ruins, insignificantes, extraordinárias.
Meu livro já não vai mais sair, e não sei o que isso significa para mim. Meu cérebro, minha vida, meus planos e meu relacionamento com as pessoas são um emaranhado incompreensível. Não consigo sentir a magnitude desse revés. Algo me anestesiou, talvez a aceitação a priori do fracasso como um desfecho inevitável.
Escrevi um artigo para uma revista, foi elogiado e venci um bloqueio que tinha há 17 anos. Alívio.
Também escrevi um conto. Mais que conto, exorcismo. Um exercício em rancor, amargura e vingança. Me fez bem. Talvez tenha me ensinado algo.
Recebi os direitos autorais do “Relações de Sangue”. Sem comentários.
Estou ouvindo um CD lindo, moda de viola. Me fez sonhar muito nos 4 anos desde que o comprei, me acompanhou Andes acima e navegou comigo no Canal de Beagle. Ontem me contaram que o violeiro entrou em minhas páginas, leu meus contos e gostou. Minha alma sorriu.
E sorriu de novo durante um telefonema de breves minutos.

Carpe diem.

Martha Argel

Nenhum comentário: