PARABENS SAO PAULO!!!! EU TE AMO!!! MESMO TAO LONGE, MESMO CERCADA DE PAISAGENS TAO ESPETACULARES, MEU CORACAO AINDA ESTA EM MINHA CIDADE!!!! FELIZ ANIVERSARIO, SAMPA!!!
Ultimo dia em Neuquen. Parto hoje para Buenos Aires, onde devo chegar amanha, apos 18 horas de estrada. Tomara que nao se sente ninguem simpatico a meu lado. Quero - e necessito - esse tempo para dormir e pensar e divagar e fazer planos.
Dormi muito mal esta noite. Um calor sufocante, e um pesadelo interminavel com... dinossauros!
Aqui no sul distante o ritmo de vida e tao diferente do que estou acostumada! Os dias de verao sao muito longos. Pouca coisa acontece de manha, as pessoas parecem funcionar a meia corda. E' depois das tres que a atividade se acelera, e continua ate o por do sol -- 'as 22 horas -- prolongando-se noite adentro. Ontem fui dormir cedo, as onze e meia, mas praticamente nunca dei meu dia por encerrado antes das duas da manha.
Ontem meu periplo paleontologico culminou com algo muito especial. Fomos todos (Dominga, Claudio, Rosario, Alejandro e eu, a "turma da camiseta branca") a um lugar chamado Los Barreales, que vem a ser o sitio paleontologico mais espetacular que se possa imaginar. Facil de chegar, localizado as margens de uma represa maravilhosa. cercado por penhascos esculpidos pelo vento e pela agua, e com um tesouro fossil incalculavel. Funciona ai um centro de pesquisas inacreditavel: quinze abnegados trabalham sem salario, sem verba, na raca, extraindo alguns dos dinossauros mais impressionantes do mundo. Gente, acreditem, e de cair o queixo. Meu mais novo dino favorito e o Megaraptor, cuja garra de 30 cm de comprimento faz o Velociraptor parecer um ursinho de pelucia. Vimos fosseis assombrosos que ainda nao foram publicados, novidades exclusivas para os visitantes do lugar. Conheci os paleontologos Lucas Fiorelli, Magdalena Perini e Laura Cruz, jovens tao especiais, tao dedicados que nao ha como nao querer sua amizade e desejar-lhes TODO o sucesso do mundo. Quem quiser conhecer um pouquinho de Los Barreales, pode visitar a pagina do Proyecto Andino, mantido pela Universidade del Comahue. E se alguem ai planeja visitar Bariloche, aproveite para dar um pulo em Neuquen (sao so 400 km de distancia!) e ir ate Los Barreales, pois a UNICA grana que esses caras tem vem da merrequinha paga pelos turistas para visitar o lugar! Essa e a ciencia a moda latino-americana.
Lamento tanto, tanto, tanto ter de seguir viagem. Meus primos me receberam tao bem, encontrei aqui tanta coisa interessante, as paisagens sao tao grandiosas que sinto como se deixasse algo de mim aqui (como de resto, vou deixando pelo caminho, por onde quer que passe e encontre a acolhida gentil e o calor humano que fui encontrando por todos os lugares onde passei). Mas e hora de continuar rumo norte.
Minha cidade me espera. Em uma semana, verei o sol nascendo no LAR.
beijos a todos
Martha Argel
(PD. me estas siguiendo, Trauco? Ahora te tengo conmigo, sentado en el cordon de la acera, sonriendo bajo el timido sol de Ancud)
domingo, 25 de janeiro de 2004
sábado, 24 de janeiro de 2004
Vixe, nao e facil lidar com dois idiomas ao mesmo tempo. Relendo assim por cima o que tenho escrito, noto quantos deslizes aparecem em meu texto em portugues. E logo depois de atualizar este blog, meu castelhano se transforma em qualquer coisa.
Ontem foi um dia de andancas urbanas. Tinha um monte de coisas pra fazer, revelar fotos, conhecer um pouquinho da cidade, fazer umas comprinhas, organizar a proxima etapa da viagem.
A viajante super experiente aqui deu uma mancada tremenda, que poderia ter tido consequencias desagradaveis, nao fosse a gentileza natural aos neuquinos: ao comprar minha passagem para Buenos Aires (sim, tenho de seguir viagem. Tudo o que e bom dura pouco) simplesmente esqueci no balcao da empresa meu cartao de credito! A sorte foi ter perguntado as atendentes onde era a oficina de turismo. Qual nao foi meu espanto quando eu, em bom papo com o pessoal de la, vejo chegar esbaforida a mocinha que acabara de me atender! Ela ficou tao aliviada quanto eu.
A tarde Dominga me levou para conhecer os rios que cercam a cidade, o Limay e o Neuquen, que mais abaixo se juntam para formar o rio Negro. Fomos tambem a um mirante, no alto da barda, a meseta tao caracteristica da paisagem patagonica. De la a gente se da conta do milagre que e a agua no deserto. A cidade e as margens dos rios, densas de vegetacao luxuriante, sao como uma ilha no meio de uma paisagem arida imensa, que domina o horizonte em todas as direcoes para onde se olhe. E impressionante, algo grandioso. A agua, e os sistemas de irrigacao, tem uma forca e um poder inacreditaveis.
Andando pela cidade, os gramados verdes e os jardins floridos sao uma maravilha. Quanta agua nao sera necessaria! E em um certo ponto da cidade, num bairro fechado de altissima renda, a coisa mais disparatada do mundo: um campo de golf. Quando uma boa parte da populacao pobre da cidade nao tem agua para tomar banho, os novos-ricos locais, protegidos por alambrados e uma guarda particular, cultivam seu proprio jardim do Edem. Essa e nossa amada e pobre America do Sul.
Hoje de manha, com preguica de levantar, sintonizei uma radio local. Dois anuncios me chamaram a atencao.
O primeiro: Sabe porque Mickey esta em Disney e nao aqui em Neuquen? Porque nos em Neuquen temos o ExtermiNeuquen, que acaba com todos os roedores! Achei hilariante!
O segundo era um comercial musical, bem tipo Broadway, do Cassino que existe aqui, com vozes felizes e entusiasmadas cantando venha divertir-se, passar momentos maravilhosos, sentir-se como um rei. Isso acentuou uma impressao que venho tendo ha dois dias, e que tinha se tornado mais aguda ao ver ontem o campo de golf: em varios aspectos Neuquen se assemelha a Las Vegas, a cidade que cresceu no deserto as custas do esforco humano. Por sorte Neuquen e uma cidade de verdade e pelo que pude ver o Cassino nao tem qualquer influencia no dia a dia das pessoas daqui. E apenas uma excrescencia, uma armadilhazinha para incautos e desamparados, da mesma forma como os bingos que abundam em minha propria cidade.
Hoje, ao que tudo indica, novamente terei dinossauros.
E isso ai. Curtam-se a si mesmos e criem suas proprias oportunidades.
Desde la Patagonia Argentina se despide
Martha Argel
PS. Ontem e hoje carreguei algumas fotos na pagina Yahoo de minha lista de distribuicao de noticias. Clique aqui para ve-las (se voce nao esta inscrito aproveite e inscreva-se!)
Ontem foi um dia de andancas urbanas. Tinha um monte de coisas pra fazer, revelar fotos, conhecer um pouquinho da cidade, fazer umas comprinhas, organizar a proxima etapa da viagem.
A viajante super experiente aqui deu uma mancada tremenda, que poderia ter tido consequencias desagradaveis, nao fosse a gentileza natural aos neuquinos: ao comprar minha passagem para Buenos Aires (sim, tenho de seguir viagem. Tudo o que e bom dura pouco) simplesmente esqueci no balcao da empresa meu cartao de credito! A sorte foi ter perguntado as atendentes onde era a oficina de turismo. Qual nao foi meu espanto quando eu, em bom papo com o pessoal de la, vejo chegar esbaforida a mocinha que acabara de me atender! Ela ficou tao aliviada quanto eu.
A tarde Dominga me levou para conhecer os rios que cercam a cidade, o Limay e o Neuquen, que mais abaixo se juntam para formar o rio Negro. Fomos tambem a um mirante, no alto da barda, a meseta tao caracteristica da paisagem patagonica. De la a gente se da conta do milagre que e a agua no deserto. A cidade e as margens dos rios, densas de vegetacao luxuriante, sao como uma ilha no meio de uma paisagem arida imensa, que domina o horizonte em todas as direcoes para onde se olhe. E impressionante, algo grandioso. A agua, e os sistemas de irrigacao, tem uma forca e um poder inacreditaveis.
Andando pela cidade, os gramados verdes e os jardins floridos sao uma maravilha. Quanta agua nao sera necessaria! E em um certo ponto da cidade, num bairro fechado de altissima renda, a coisa mais disparatada do mundo: um campo de golf. Quando uma boa parte da populacao pobre da cidade nao tem agua para tomar banho, os novos-ricos locais, protegidos por alambrados e uma guarda particular, cultivam seu proprio jardim do Edem. Essa e nossa amada e pobre America do Sul.
Hoje de manha, com preguica de levantar, sintonizei uma radio local. Dois anuncios me chamaram a atencao.
O primeiro: Sabe porque Mickey esta em Disney e nao aqui em Neuquen? Porque nos em Neuquen temos o ExtermiNeuquen, que acaba com todos os roedores! Achei hilariante!
O segundo era um comercial musical, bem tipo Broadway, do Cassino que existe aqui, com vozes felizes e entusiasmadas cantando venha divertir-se, passar momentos maravilhosos, sentir-se como um rei. Isso acentuou uma impressao que venho tendo ha dois dias, e que tinha se tornado mais aguda ao ver ontem o campo de golf: em varios aspectos Neuquen se assemelha a Las Vegas, a cidade que cresceu no deserto as custas do esforco humano. Por sorte Neuquen e uma cidade de verdade e pelo que pude ver o Cassino nao tem qualquer influencia no dia a dia das pessoas daqui. E apenas uma excrescencia, uma armadilhazinha para incautos e desamparados, da mesma forma como os bingos que abundam em minha propria cidade.
Hoje, ao que tudo indica, novamente terei dinossauros.
E isso ai. Curtam-se a si mesmos e criem suas proprias oportunidades.
Desde la Patagonia Argentina se despide
Martha Argel
PS. Ontem e hoje carreguei algumas fotos na pagina Yahoo de minha lista de distribuicao de noticias. Clique aqui para ve-las (se voce nao esta inscrito aproveite e inscreva-se!)
sexta-feira, 23 de janeiro de 2004
Hoje o calor aqui em Neuquen vai ser demais. Quem diria, nao e? Quando a gente ouve falar de Patagonia, pensa em ventos gelados e temperaturas abaixo de zero. So que estamos no curto verao austral, e por tres meses e isso que temos hoje: temperaturas que passam dos trinta graus, sem piedade, todos os dias. De noite refresca, mas com o surgir do sol nao tem perdao.
Ontem fomos a Villa El Chocon, em busca de mais dinossauros, e nao nos decepcionamos. Pelo contrario, terminamos por nos deparar com algo espetacular e inesperado: uma excavacao aberta a visitacao publica, onde estao desenterrando tres exemplares, um carnivoro e dois herbivoros. E o melhor de tudo: A GENTE PODE EXCAVAR OS FOSSEIS!!!! Nao imaginam como e emocionante: uma especie de estilete e um pincel de pintar parede, e a gente vai removendo pouco a pouco a argila endurecida e expondo o osso. Os dois tecnicos que estavam la, Cristian e Mari, nos explicaram um monte de coisa sobre as campanhas de campo, a rotina de excavacao e transporte, o trabalho de laboratorio. Nos contaram de dois caminhoneiros que um dia pararam para dar uma olhada e ficaram tao alucinados que agora a cada tanto aparecem com barracas e ficam dias excavando junto com os paleontologos. Minha prima Dominga ficou alucinada, e comecou a fazer planos de vir trabalhar alguns dias no local.
Depois da excavacao, fomos a vila, que nasceu de um acampamento implantado quando da construcao da represa de El Chocon, um lago impressionante, de belissimas aguas azuis, em meio a aridez da estepe e sob um ceu absolutamente limpo. Na vila, as margens do lago, visitamos o museu paleontologico, onde novamente nos deparamos com o Giganotosaurus carolinii, em varias versoes. Esse bicho tremendo foi descoberto justamente ai, por um morador do local, Carolini, que hoje e diretor do museu. Infelizmente, ele ja tinha ido embora quando chegamos, e nao pude conhece-lo.
Depois de uma rapida visita a barragem, e uma aulinha muito interessante sobre seu funcionamento, dada por Claudio, decidimos voltar. Mas as surpresas nao haviam terminado. Na saida da cidade, a meia encosta entre a vegetacao patagonica, nos esperava, imponente e assustador, um legitimo Giganotosaurus da fibra de vidro mais pura e resistente que possa existir! Foi um barato! Nos divertimos pra caramba pendurando-nos nas garras, subindo nos pes, escalando suas costas.
Na viagem de volta estavamos mortos, e pra mim, o U2 foi a trilha sonora de um majestoso por de sol patagonico.
Engracado como as outras etapas de minha viagem, Buenos Aires, Rauch, Bariloche, Puerto Montt, parecem algo tao remoto, como se tivessem acontecido em outra era, com outra pessoa.
Beijos a todos.
Martha Argel
Ontem fomos a Villa El Chocon, em busca de mais dinossauros, e nao nos decepcionamos. Pelo contrario, terminamos por nos deparar com algo espetacular e inesperado: uma excavacao aberta a visitacao publica, onde estao desenterrando tres exemplares, um carnivoro e dois herbivoros. E o melhor de tudo: A GENTE PODE EXCAVAR OS FOSSEIS!!!! Nao imaginam como e emocionante: uma especie de estilete e um pincel de pintar parede, e a gente vai removendo pouco a pouco a argila endurecida e expondo o osso. Os dois tecnicos que estavam la, Cristian e Mari, nos explicaram um monte de coisa sobre as campanhas de campo, a rotina de excavacao e transporte, o trabalho de laboratorio. Nos contaram de dois caminhoneiros que um dia pararam para dar uma olhada e ficaram tao alucinados que agora a cada tanto aparecem com barracas e ficam dias excavando junto com os paleontologos. Minha prima Dominga ficou alucinada, e comecou a fazer planos de vir trabalhar alguns dias no local.
Depois da excavacao, fomos a vila, que nasceu de um acampamento implantado quando da construcao da represa de El Chocon, um lago impressionante, de belissimas aguas azuis, em meio a aridez da estepe e sob um ceu absolutamente limpo. Na vila, as margens do lago, visitamos o museu paleontologico, onde novamente nos deparamos com o Giganotosaurus carolinii, em varias versoes. Esse bicho tremendo foi descoberto justamente ai, por um morador do local, Carolini, que hoje e diretor do museu. Infelizmente, ele ja tinha ido embora quando chegamos, e nao pude conhece-lo.
Depois de uma rapida visita a barragem, e uma aulinha muito interessante sobre seu funcionamento, dada por Claudio, decidimos voltar. Mas as surpresas nao haviam terminado. Na saida da cidade, a meia encosta entre a vegetacao patagonica, nos esperava, imponente e assustador, um legitimo Giganotosaurus da fibra de vidro mais pura e resistente que possa existir! Foi um barato! Nos divertimos pra caramba pendurando-nos nas garras, subindo nos pes, escalando suas costas.
Na viagem de volta estavamos mortos, e pra mim, o U2 foi a trilha sonora de um majestoso por de sol patagonico.
Engracado como as outras etapas de minha viagem, Buenos Aires, Rauch, Bariloche, Puerto Montt, parecem algo tao remoto, como se tivessem acontecido em outra era, com outra pessoa.
Beijos a todos.
Martha Argel
quinta-feira, 22 de janeiro de 2004
Hola todos.
Estou em Neuquen desde anteontem. A Patagonia cerca toda a cidade, com sua paisagem arida, interminavel, perturbadora. Cheguei aqui, vinda de Bariloche, no mesmo onibus que carregou Jorge e Ana para Buenos Aires. O plano e que nos reencontremos daqui uma semana.
A viagem teve a trilha sonora perfeita, "The Joshua Tree", do U2. Desde que ouvi pela primeira vez a musica "Where the streets have no name", foram essas paisagens desoladas que me vieram a cabeca, o altiplano, a estepe patagonica. Afinal reuni ambos, trilha sonora e paisagem.
Estou na casa de Dominga Argel, uma prima distante, e de Claudio e Rosario. Ah, e de Sissi, uma viralatinhas preta e branca que e a coisa mais simpatica do mundo. Saudades do Thor! Apos minha chegada, tinha tanto assunto para colocar em dia que o tempo nao alcancava. Papo de familia. Claudio preparou um churrasco tao bom que comi demais e quase passei mal.
Ontem: nao postei porque o cyber a que fui estava uma merrrrrda. Se algum de voces vier a Neuquen, minha dica e o Cyber del Alto. O outro era muito mais bonito, mas foi pura perda de tempo.
De manha passeei com Dominga pela cidade: 300 mil habitantes e apenas um seculo de idade. Tudo por aqui e muito novo. A conquista da patagonia e coisa do seculo XX. E de tarde...
FINALMENTE!!!! Conheci Plaza Huincul. Esse lugarejo petroleiro e, hoje, um dos principais centros de pesquisa de dinossauros do mundo todo. Visitamos o museu Carmen Funes e puta que o pariu, voces nao fazem ideia do TAMANHO do Argentinosaurus huinculensis, descoberto ali na localidade. E o maior dinosauro do mundo, e passar por baixo de um monstro com 40 m de comprimento foi um delirio. Alem dele, havia ainda um exemplar de Giganotosaurus carolinii, que pra mim tinha um interesse especial. Continuem lendo e verao.
A emocao que senti ao entrar no museu foi imensa. Era um sonho que tinha desde 1997, quando li uma materia na National Geographic sobre dinossauros patagonicos. Depois, li o livro de Rodolfo Coria, Dinosaurios en Patagonia, e fiquei obcecada com a ideia de ir ate esse lugar. Coria e hoje o diretor do museu, e nao estava la, mas conheci Osmar Garcez, que e o cozinheiro das expedicoes paleontologicas, e que com muita simplicidade descreveu a rotina do acampamento e como descobriu dentes do Giganotosaurus. Esse dino deixa o gringo T. rex no chinelo: e maior e sua cara e muito mais malvada. Alias pra quem leu o Relacoes de Sangue, ta la: fiz questao de falar desse predador fantastico! E nunca imaginei que conheceria em pessoa alguem que estava presente na expedicao que descobriu o mais famoso exemplar da especie. Alem de Osmar, conheci Clarita, que nao so tem o nome de meu personagem principal, mas e alucinada por vampiros, e Alfredo Gerez, tecnico do museu que escreve contos de Terror!!! E ainda, bati papo com uma paleontologa muito simpatica, Premji Paulina, que desenvolve uma tese com o basicraneo de teropodos, inclusive do Giganotosaurus. Uau! Em pouco mais de dez minutos de conversa delineamos alguns planos bem interessantes. Caramba, se der certo, vai ser o maximo!!!
Sai de Plaza Huincul com a sensacao boa de que em algum dia nao muito distante vou voltar, e que esses dinos tambem vao ser, no futuro, um pouco meus.
Hoje, o calor sufocante dos ultimos dias foi substituido por um chuvisco agradavel e bem-vindo. A secura tem sido tamanha que uma verruga que ha anos me incomodava no dedo medio da mao direita, secou e caiu! Ainda estou impressionada.
Beijos a todos. Aproveitem a vida e as pessoas interessantes, e nao percam tempo com os chatos.
Martha Argel
uma vampira entre dinossauros
Estou em Neuquen desde anteontem. A Patagonia cerca toda a cidade, com sua paisagem arida, interminavel, perturbadora. Cheguei aqui, vinda de Bariloche, no mesmo onibus que carregou Jorge e Ana para Buenos Aires. O plano e que nos reencontremos daqui uma semana.
A viagem teve a trilha sonora perfeita, "The Joshua Tree", do U2. Desde que ouvi pela primeira vez a musica "Where the streets have no name", foram essas paisagens desoladas que me vieram a cabeca, o altiplano, a estepe patagonica. Afinal reuni ambos, trilha sonora e paisagem.
Estou na casa de Dominga Argel, uma prima distante, e de Claudio e Rosario. Ah, e de Sissi, uma viralatinhas preta e branca que e a coisa mais simpatica do mundo. Saudades do Thor! Apos minha chegada, tinha tanto assunto para colocar em dia que o tempo nao alcancava. Papo de familia. Claudio preparou um churrasco tao bom que comi demais e quase passei mal.
Ontem: nao postei porque o cyber a que fui estava uma merrrrrda. Se algum de voces vier a Neuquen, minha dica e o Cyber del Alto. O outro era muito mais bonito, mas foi pura perda de tempo.
De manha passeei com Dominga pela cidade: 300 mil habitantes e apenas um seculo de idade. Tudo por aqui e muito novo. A conquista da patagonia e coisa do seculo XX. E de tarde...
FINALMENTE!!!! Conheci Plaza Huincul. Esse lugarejo petroleiro e, hoje, um dos principais centros de pesquisa de dinossauros do mundo todo. Visitamos o museu Carmen Funes e puta que o pariu, voces nao fazem ideia do TAMANHO do Argentinosaurus huinculensis, descoberto ali na localidade. E o maior dinosauro do mundo, e passar por baixo de um monstro com 40 m de comprimento foi um delirio. Alem dele, havia ainda um exemplar de Giganotosaurus carolinii, que pra mim tinha um interesse especial. Continuem lendo e verao.
A emocao que senti ao entrar no museu foi imensa. Era um sonho que tinha desde 1997, quando li uma materia na National Geographic sobre dinossauros patagonicos. Depois, li o livro de Rodolfo Coria, Dinosaurios en Patagonia, e fiquei obcecada com a ideia de ir ate esse lugar. Coria e hoje o diretor do museu, e nao estava la, mas conheci Osmar Garcez, que e o cozinheiro das expedicoes paleontologicas, e que com muita simplicidade descreveu a rotina do acampamento e como descobriu dentes do Giganotosaurus. Esse dino deixa o gringo T. rex no chinelo: e maior e sua cara e muito mais malvada. Alias pra quem leu o Relacoes de Sangue, ta la: fiz questao de falar desse predador fantastico! E nunca imaginei que conheceria em pessoa alguem que estava presente na expedicao que descobriu o mais famoso exemplar da especie. Alem de Osmar, conheci Clarita, que nao so tem o nome de meu personagem principal, mas e alucinada por vampiros, e Alfredo Gerez, tecnico do museu que escreve contos de Terror!!! E ainda, bati papo com uma paleontologa muito simpatica, Premji Paulina, que desenvolve uma tese com o basicraneo de teropodos, inclusive do Giganotosaurus. Uau! Em pouco mais de dez minutos de conversa delineamos alguns planos bem interessantes. Caramba, se der certo, vai ser o maximo!!!
Sai de Plaza Huincul com a sensacao boa de que em algum dia nao muito distante vou voltar, e que esses dinos tambem vao ser, no futuro, um pouco meus.
Hoje, o calor sufocante dos ultimos dias foi substituido por um chuvisco agradavel e bem-vindo. A secura tem sido tamanha que uma verruga que ha anos me incomodava no dedo medio da mao direita, secou e caiu! Ainda estou impressionada.
Beijos a todos. Aproveitem a vida e as pessoas interessantes, e nao percam tempo com os chatos.
Martha Argel
uma vampira entre dinossauros
terça-feira, 20 de janeiro de 2004
Bom dia.
Ainda por aqui, a vontade de ir embora e zero.
Ontem, andando pelas ruas da cidade, a esmo, topei com Andrea e Simone, e acabamos indo tomar sol na beira do lago. Comecamos com uma modesta sessao de fotos, daquelas classicas "tramos uma foto juntas pra nos lembrarmos depois". So que o classico pedido ao primeiro que passa "pode tirar nossa foto", acabou se tornando uma bola de neve, com uns pedindo aos outros, e a gente que passava se juntando porque lhes parecia uma boa ideia, e o fato e que acabei com uma filmadora nas maos filmando um casal ja de idade, muito sorridente. Resolvi fazer uma entrevista com eles e encerrei sugerindo que eles dessem um mergulho nas aguas geladas. Eles riram muito e adoraram. A gravacao ate que ficou bacana.
Depois, Alicia, Ana, Jorge e eu saimos de passeio. Demos uma longa e tradicional volta, conhecida como Circuito Chico, que passa por lagos, bosques e mirantes. Paramos num lugar lindo e tranquilo para tomar mate e, pra variar, rimos MUITO. Fizemos uma caminhada atraves de um bosque de lengas, e parecia que a qualquer momento essas arvores espetaculares sairiam caminhando, transformadas nos ents de Tolkien. Cruzamos no caminho com tres jovens que pediam carona e que pareciam hobbits. Pena, nao cabia tanta gente no nosso carro. O pequeno passeio acabou se estendendo, estendendo, estendendo, e terminou com um delicioso vinho... as tres da manha!!!
Ok, a ideia e ir hoje pra Neuquen. O longo caminho de volta. Sentimentos desencontrados: queria continuar me afastando de casa, mas por outro lado as saudades apertam.
Beijos, cuidem-se
Martha Argel
(Trauco, estas por ahi? Te hubiera encantado el paseo ayer. Me hubiera encantado tenerte aqui)
Ainda por aqui, a vontade de ir embora e zero.
Ontem, andando pelas ruas da cidade, a esmo, topei com Andrea e Simone, e acabamos indo tomar sol na beira do lago. Comecamos com uma modesta sessao de fotos, daquelas classicas "tramos uma foto juntas pra nos lembrarmos depois". So que o classico pedido ao primeiro que passa "pode tirar nossa foto", acabou se tornando uma bola de neve, com uns pedindo aos outros, e a gente que passava se juntando porque lhes parecia uma boa ideia, e o fato e que acabei com uma filmadora nas maos filmando um casal ja de idade, muito sorridente. Resolvi fazer uma entrevista com eles e encerrei sugerindo que eles dessem um mergulho nas aguas geladas. Eles riram muito e adoraram. A gravacao ate que ficou bacana.
Depois, Alicia, Ana, Jorge e eu saimos de passeio. Demos uma longa e tradicional volta, conhecida como Circuito Chico, que passa por lagos, bosques e mirantes. Paramos num lugar lindo e tranquilo para tomar mate e, pra variar, rimos MUITO. Fizemos uma caminhada atraves de um bosque de lengas, e parecia que a qualquer momento essas arvores espetaculares sairiam caminhando, transformadas nos ents de Tolkien. Cruzamos no caminho com tres jovens que pediam carona e que pareciam hobbits. Pena, nao cabia tanta gente no nosso carro. O pequeno passeio acabou se estendendo, estendendo, estendendo, e terminou com um delicioso vinho... as tres da manha!!!
Ok, a ideia e ir hoje pra Neuquen. O longo caminho de volta. Sentimentos desencontrados: queria continuar me afastando de casa, mas por outro lado as saudades apertam.
Beijos, cuidem-se
Martha Argel
(Trauco, estas por ahi? Te hubiera encantado el paseo ayer. Me hubiera encantado tenerte aqui)
segunda-feira, 19 de janeiro de 2004
De volta a Bariloche.
Ainda tao longe de casa,e a sensacao e de volta ao lar.
Engracado como e certo o que dizem, ha coisas que a gente so encontra quando nao esta procurando. Quando sai do Brasil, ha tantos dias, me ocorreu que talvez esta fosse a primeira viagem em que tudo o que importava era a viagem em si, nao o que deixava para tras, nao a BUSCA em si. Apenas uma perambulacao, uma jornada de observacao, de descoberta do mundo.
E tantas coisas aconteceram, tanta gente cruzou meu caminho, tantas portas parecem ter-se aberto, coisas que poderiam mudar a vida de uma pessoa. Ou que nao significariam mais do que um detalhe como qualquer outro. Tudo depende do que ainda acontecera.
Voltei do Chile ontem, um sentimento misto dominando acima de qualquer outro. O agridoce sabor de ter encontrado algo, um afeto, do qual tao rapidamente me separei, e pela cabeca passam as ideias mais desencontradas. A decisao de nao pensar num futuro, ou em qualquer futuro, e a irresistivel tentacao de planificar o destino.
Nao sei. Melhor pensar apenas no agora, no sol lindo que faz la fora, no lago azul e gelado em cujas margens dentro em pouco estarei com amigos compartilhando o onipresente ritual do mate. Na atracao inescapavel das compras, dos "recuerdos". Nos chocolates que comi ha pouco, espetaculares, mas que trazem um peso terrivel a consciencia.
Ontem: uma despedida e o comeco de uma saudade doce. E entao a viagem, mais uma vez atraves dos Andes. A visao magnifica do vulcao Osorno e de seu irmao mais modesto cujo nome nao sei. As paisagens quase europeias de pastagens e campos de cultivo salpicados de casinhas bonitas. Ja chegando ao sope da cordilheira, o insolito bosque valdiviano, a densa floresta temperada que reveste a escarpa voltada para o Pacifico, fruto das abundantes chuvas orograficas. Num dado momento, a nossa frente, um caminhao com placas de Sao Paulo, SP (tao longe!!!), e a saudade de minha cidade, de meu pa?s, bate no peito.
Os companheiros de viagem: Andrea, boliviana de La Paz, com um piercing de prata no nariz. Simone, a suica que perdeu o papel de entrada no Chile, e que se tornou alvo das brincadeiras do chofer durante os tramites aduaneiros (alias, foi a primeira vez que vi agentes da policia federal rindo, em qualquer lugar do mundo!). Mauricio, o mochileiro chileno que da aula para jovens com problemas mentais ou sociais. Um grupo de turistas israelenses que me fez babar durante toda a viagem; um deles em particular era um monumento de olhos claros, e a forma como passava os dedos entre os cabelos loiros e longos nao faria feio em nenhum comercial de moda. No meio de tanta gente interessante, o unico outro brasileiro do onibus, um babaquinha movido a manivela, lerdo e sem qualquer capacidade de comunicacao com o proximo. No final da viagem nos juntamos, o chileno, outras duas chilenas, a suica, a boliviana e eu, naquele espirito instintivo de partilha e ajuda mutua que une viajantes solitarios por todo o mundo, e que e uma das melhores experiencias de uma viagem. O brasileiro? Nem nos olhou. Que fosse a merda. Esse tolinho era um turista. Nos somos viajantes.
Tanta gente que fui deixando ao longo do caminho: Francisca, do Acre. Chendo, de Buenos Aires. Anita, Chichina, Guille, Damian, Tino, Ercilia, Mirta, Susana, de Rauch. Daniela, de La Plata. Silvia, Marina, Pato, Carlos, Alicia, de Bariloche. David, Carmen, Ismael, Marcelo,Yasmin, Rocio, Cecilia, Olivia, de Puerto Montt. Viviana, de Valdivia. Carmen e Marcelo, de Santiago. Anne, de Versalhes.
E os reencontros: Alicia com sua gatinha P?ru,que ontem quase me brindou um ataque de bronquite. Dario, que ainda nao vi apesar de ter me recebido em sua casa. Ana e Jorge, que em breve verei.
Parece que faz um ano. Foram ate agora 17 dias. Mais 12 pela frente, e parece tao, mas tao pouco.
Beijos a todos.
Martha Argel
Ainda tao longe de casa,e a sensacao e de volta ao lar.
Engracado como e certo o que dizem, ha coisas que a gente so encontra quando nao esta procurando. Quando sai do Brasil, ha tantos dias, me ocorreu que talvez esta fosse a primeira viagem em que tudo o que importava era a viagem em si, nao o que deixava para tras, nao a BUSCA em si. Apenas uma perambulacao, uma jornada de observacao, de descoberta do mundo.
E tantas coisas aconteceram, tanta gente cruzou meu caminho, tantas portas parecem ter-se aberto, coisas que poderiam mudar a vida de uma pessoa. Ou que nao significariam mais do que um detalhe como qualquer outro. Tudo depende do que ainda acontecera.
Voltei do Chile ontem, um sentimento misto dominando acima de qualquer outro. O agridoce sabor de ter encontrado algo, um afeto, do qual tao rapidamente me separei, e pela cabeca passam as ideias mais desencontradas. A decisao de nao pensar num futuro, ou em qualquer futuro, e a irresistivel tentacao de planificar o destino.
Nao sei. Melhor pensar apenas no agora, no sol lindo que faz la fora, no lago azul e gelado em cujas margens dentro em pouco estarei com amigos compartilhando o onipresente ritual do mate. Na atracao inescapavel das compras, dos "recuerdos". Nos chocolates que comi ha pouco, espetaculares, mas que trazem um peso terrivel a consciencia.
Ontem: uma despedida e o comeco de uma saudade doce. E entao a viagem, mais uma vez atraves dos Andes. A visao magnifica do vulcao Osorno e de seu irmao mais modesto cujo nome nao sei. As paisagens quase europeias de pastagens e campos de cultivo salpicados de casinhas bonitas. Ja chegando ao sope da cordilheira, o insolito bosque valdiviano, a densa floresta temperada que reveste a escarpa voltada para o Pacifico, fruto das abundantes chuvas orograficas. Num dado momento, a nossa frente, um caminhao com placas de Sao Paulo, SP (tao longe!!!), e a saudade de minha cidade, de meu pa?s, bate no peito.
Os companheiros de viagem: Andrea, boliviana de La Paz, com um piercing de prata no nariz. Simone, a suica que perdeu o papel de entrada no Chile, e que se tornou alvo das brincadeiras do chofer durante os tramites aduaneiros (alias, foi a primeira vez que vi agentes da policia federal rindo, em qualquer lugar do mundo!). Mauricio, o mochileiro chileno que da aula para jovens com problemas mentais ou sociais. Um grupo de turistas israelenses que me fez babar durante toda a viagem; um deles em particular era um monumento de olhos claros, e a forma como passava os dedos entre os cabelos loiros e longos nao faria feio em nenhum comercial de moda. No meio de tanta gente interessante, o unico outro brasileiro do onibus, um babaquinha movido a manivela, lerdo e sem qualquer capacidade de comunicacao com o proximo. No final da viagem nos juntamos, o chileno, outras duas chilenas, a suica, a boliviana e eu, naquele espirito instintivo de partilha e ajuda mutua que une viajantes solitarios por todo o mundo, e que e uma das melhores experiencias de uma viagem. O brasileiro? Nem nos olhou. Que fosse a merda. Esse tolinho era um turista. Nos somos viajantes.
Tanta gente que fui deixando ao longo do caminho: Francisca, do Acre. Chendo, de Buenos Aires. Anita, Chichina, Guille, Damian, Tino, Ercilia, Mirta, Susana, de Rauch. Daniela, de La Plata. Silvia, Marina, Pato, Carlos, Alicia, de Bariloche. David, Carmen, Ismael, Marcelo,Yasmin, Rocio, Cecilia, Olivia, de Puerto Montt. Viviana, de Valdivia. Carmen e Marcelo, de Santiago. Anne, de Versalhes.
E os reencontros: Alicia com sua gatinha P?ru,que ontem quase me brindou um ataque de bronquite. Dario, que ainda nao vi apesar de ter me recebido em sua casa. Ana e Jorge, que em breve verei.
Parece que faz um ano. Foram ate agora 17 dias. Mais 12 pela frente, e parece tao, mas tao pouco.
Beijos a todos.
Martha Argel
domingo, 18 de janeiro de 2004
Meio-dia, e eu com preguica de sair do hotel.
Volto hoje a Bariloche.
Ontem: fui apresentada a paila, um prato de frutos do mar, um monte de tipos diferentes de moluscos. Gostoso e forte. Achei que mais tarde teria de chamar o Hugo, porque foi uma panelada de coisas estranhas, mas pelo visto meu organismo aceitou muito bem.
Fiquei o dia inteiro caminhando pela beira mar, observando e pensando.
Um exemplo maravilhoso do jogo de cintura latino-americano: num embarcadouro onde a populacao toma o barco para cruzar a ilha fronteira a cidade, um senhor anunciava um passeio para ir ver de perto o imenso transatlantico ancorado na baia. Os gringos ricos pagam uma nota preta para vir conhecer os pobres cucarachas, e os cucarachas pagam moedas pra ir espiar os ricos. Quase fui.
Conversei muito, tambem. Conheci David, um chilota que me contou um monte de historias de assombracoes que ele mesmo viu na ilha. E me falou muito sobre os Argel de Chiloe. Sao reputados marinheiros. Estou fascinada pela ilha e por meus parentes distantes!
No todo, o dia de ontem foi toda uma viagem em si. Uma viagem emocional, sobre a qual provavelmente ainda terei muito o que pensar. Ha certas coisas que podem mudar pra sempre a vida da gente. Ou nao mudar nada. A maravilha de VIVER.
O proximo post sera novamente a partir da Argentina.
beijos a todos
Martha Argel
(musu, Trauco)
Volto hoje a Bariloche.
Ontem: fui apresentada a paila, um prato de frutos do mar, um monte de tipos diferentes de moluscos. Gostoso e forte. Achei que mais tarde teria de chamar o Hugo, porque foi uma panelada de coisas estranhas, mas pelo visto meu organismo aceitou muito bem.
Fiquei o dia inteiro caminhando pela beira mar, observando e pensando.
Um exemplo maravilhoso do jogo de cintura latino-americano: num embarcadouro onde a populacao toma o barco para cruzar a ilha fronteira a cidade, um senhor anunciava um passeio para ir ver de perto o imenso transatlantico ancorado na baia. Os gringos ricos pagam uma nota preta para vir conhecer os pobres cucarachas, e os cucarachas pagam moedas pra ir espiar os ricos. Quase fui.
Conversei muito, tambem. Conheci David, um chilota que me contou um monte de historias de assombracoes que ele mesmo viu na ilha. E me falou muito sobre os Argel de Chiloe. Sao reputados marinheiros. Estou fascinada pela ilha e por meus parentes distantes!
No todo, o dia de ontem foi toda uma viagem em si. Uma viagem emocional, sobre a qual provavelmente ainda terei muito o que pensar. Ha certas coisas que podem mudar pra sempre a vida da gente. Ou nao mudar nada. A maravilha de VIVER.
O proximo post sera novamente a partir da Argentina.
beijos a todos
Martha Argel
(musu, Trauco)
sábado, 17 de janeiro de 2004
Eu de novo.
Ha pouco: de frente para a imensa baia, que em algum lugar se abre para o ainda mais imenso oceano Pacifico. Comendo cerejas maduras, doces e vermelhas, compradas na rua a uma vendedora ambulante. O vento sul, incessante, gelando pes e maos desta paulistana audaz (ou ingenua?) a ponto de chegar as terras mais austrais do mundo (quase) sem lenco nem documento. Nas aguas cinzentas e tranquilas que justificam o nome do oceano, sob um ceu totalmente encoberto, a delicia e o pesadelo de uma ornitologa que, num lugar novo e desconhecido, esqueceu de trazer seus manuais e guias de campo: especies incognitas de gaivotas, trinta-reis e mergulhoes. E pelicanos! E lobos-marinhos.
E que dizer quando todas suas musicas preferidas fazem todo o sentido do mundo? Quando a trilha sonora de sempre por primeira vez e perfeita e exata em sua medida, momento e lugar?
Isso e a felicidade?
Felicidade e vir ao fim do mundo e, simbolicamente,ter a sua frente um transatlantico (ou seria transpacifico?!) chamado The World, enquanto entende ao menos por um instante o que significa VIDA.
Chora-se de felicidade. Eu choro de felicidade. Que ela seja eterna enquanto dure.
Martha Argel
Ha pouco: de frente para a imensa baia, que em algum lugar se abre para o ainda mais imenso oceano Pacifico. Comendo cerejas maduras, doces e vermelhas, compradas na rua a uma vendedora ambulante. O vento sul, incessante, gelando pes e maos desta paulistana audaz (ou ingenua?) a ponto de chegar as terras mais austrais do mundo (quase) sem lenco nem documento. Nas aguas cinzentas e tranquilas que justificam o nome do oceano, sob um ceu totalmente encoberto, a delicia e o pesadelo de uma ornitologa que, num lugar novo e desconhecido, esqueceu de trazer seus manuais e guias de campo: especies incognitas de gaivotas, trinta-reis e mergulhoes. E pelicanos! E lobos-marinhos.
E que dizer quando todas suas musicas preferidas fazem todo o sentido do mundo? Quando a trilha sonora de sempre por primeira vez e perfeita e exata em sua medida, momento e lugar?
Isso e a felicidade?
Felicidade e vir ao fim do mundo e, simbolicamente,ter a sua frente um transatlantico (ou seria transpacifico?!) chamado The World, enquanto entende ao menos por um instante o que significa VIDA.
Chora-se de felicidade. Eu choro de felicidade. Que ela seja eterna enquanto dure.
Martha Argel
Bom dia a todos.
O tempo virou, faz frio aqui. Deixei meu casaco mais quente em Bariloche. No fim do mundo sem agasalho? Bem...
Anteontem: depois de sair do cyber, fui dar uma volta por Puerto Montt. Acabei caindo no Pueblito, uma comunidade de artesaos, e la conheci a Carmen, que tem uma barraquinha, tres filhos e uma simpatia imensa. Estivemos conversando um tempao, e ela me indicou um restaurante bacana, La Mami. Recomendo, gente. La comi um prato carissimo, um molusco chamado loco, que e ESPETACULAR. Valeu cada dolar. E depois dos locos, fui a beira mar e fiquei um tempao, com minha "musica de viagem", olhando o Pacifico, as aves marinhas e pensando na vida. Outro tipo de viagem. Pela primeira vez desde que sai do Brasil fui dormir cedo e funcionei em meu proprio ritmo de eremita voluntaria.
Ontem: oito da manha e eu ja chegava na rodoviaria. Excursao: Ilha de Chiloe. Ficaria horas aqui falando sobre esse lugar magico e especial, num dia magico e especial, mas como disse anteontem, a internet aqui e beeeem cara. So os pontos essenciais: Chiloe e conhecida por sua mitologia farta e fantastica, a comida chilota e tida como muito particular, as paisagens sao lindas, com campos verdes entremeados a florestas (e que me lembrou muito a Galicia, na Espanha), e casas de madeira muito particulares. E, para mim, um detalhe muito especial: aparentemente a familia Argel e bem numerosa aqui, talvez descendente de um irmao de meu bisavo. E como se fosse minha terra tambem. Tive a extrema felicidade de estar em companhia especial, una brasileira entre chilenos. Marcelo, Carmen, Viviana e, sobretudo, Ismael, meu anjo da guarda, guia, amigo e trauco pessoal (brincadeirinha chilota, hehehe). Tambem protetor do JC, que sofreu uma queda horrivel mas foi salvo pela interferencia oportuna do referido rapaz. Chegamos de volta a Puerto Montt as dez e meia da noite, quando recem escurecia. Antes da volta ao hotel, uma caminhada pela beira mar, um frio do demo, e um vento que parecia vir direto do polo sul.
Putz, preciso terminar por aqui. Tenho que resolver como vai ser meu dia, que sera algo complicado.
Carpe diem!!!! Nunca essa frase teve tanto sentido para mim como nestes dias de eventos subitos e inesperados. Sejam felizes e vivam cada minuto.
Martha Argel
diretamente do outro lado dos Andes
O tempo virou, faz frio aqui. Deixei meu casaco mais quente em Bariloche. No fim do mundo sem agasalho? Bem...
Anteontem: depois de sair do cyber, fui dar uma volta por Puerto Montt. Acabei caindo no Pueblito, uma comunidade de artesaos, e la conheci a Carmen, que tem uma barraquinha, tres filhos e uma simpatia imensa. Estivemos conversando um tempao, e ela me indicou um restaurante bacana, La Mami. Recomendo, gente. La comi um prato carissimo, um molusco chamado loco, que e ESPETACULAR. Valeu cada dolar. E depois dos locos, fui a beira mar e fiquei um tempao, com minha "musica de viagem", olhando o Pacifico, as aves marinhas e pensando na vida. Outro tipo de viagem. Pela primeira vez desde que sai do Brasil fui dormir cedo e funcionei em meu proprio ritmo de eremita voluntaria.
Ontem: oito da manha e eu ja chegava na rodoviaria. Excursao: Ilha de Chiloe. Ficaria horas aqui falando sobre esse lugar magico e especial, num dia magico e especial, mas como disse anteontem, a internet aqui e beeeem cara. So os pontos essenciais: Chiloe e conhecida por sua mitologia farta e fantastica, a comida chilota e tida como muito particular, as paisagens sao lindas, com campos verdes entremeados a florestas (e que me lembrou muito a Galicia, na Espanha), e casas de madeira muito particulares. E, para mim, um detalhe muito especial: aparentemente a familia Argel e bem numerosa aqui, talvez descendente de um irmao de meu bisavo. E como se fosse minha terra tambem. Tive a extrema felicidade de estar em companhia especial, una brasileira entre chilenos. Marcelo, Carmen, Viviana e, sobretudo, Ismael, meu anjo da guarda, guia, amigo e trauco pessoal (brincadeirinha chilota, hehehe). Tambem protetor do JC, que sofreu uma queda horrivel mas foi salvo pela interferencia oportuna do referido rapaz. Chegamos de volta a Puerto Montt as dez e meia da noite, quando recem escurecia. Antes da volta ao hotel, uma caminhada pela beira mar, um frio do demo, e um vento que parecia vir direto do polo sul.
Putz, preciso terminar por aqui. Tenho que resolver como vai ser meu dia, que sera algo complicado.
Carpe diem!!!! Nunca essa frase teve tanto sentido para mim como nestes dias de eventos subitos e inesperados. Sejam felizes e vivam cada minuto.
Martha Argel
diretamente do outro lado dos Andes
quinta-feira, 15 de janeiro de 2004
CHEGUEI!!!
Estou no Chile! VI O PACIFICO.
Ismael, si llegas a entrar a este blog, esto es para ti: GRACIAS POR TODOOOO!!! Mañana nos vemos!!!
Ok, um resumo rapido que a internet aqui é ca-ris-si-ma: peguei o onibus hoje de manha e cruzei os Andes. Correndo o risco de me repetir, paisagens belíssimas. Sentado a meu lado ia o Ismael, que além de patrioticamente me ajudar a devorar os sanduiches e bolachinhas que eu tinha trazido (e que nao poderiam cruzar a fronteira com o Chile), continuou me ajudando praticamente com tudo - hotel, câmbio, informacoes turisticas, city tour relampago - quando cheguei aqui.
Assim, estou instalada no Hostal Patagonia, que nao merece nenhuma estrela mas está no centro, tem banheiro e café da manha, e aparentemente tem um atendimento muito simpàtico.
A cidade é interessante, a maioria das construcoes é de madeira. Cruzar a rua é adrenalina pura: vc vai indo e os carros... simplesmente param!!!! E eu sempre achando que eles vao passar por cima de mim e acabar com este blog...
Ainda nao deu pra conhecer muito, mas o que já vi me lembra um pouco Ushuaia. Mas tem sua personalidade propria. Vou ver se tiro algumas fotos.
Amanha a programacao inclui uma excursao à ilha de Chiloé. E o Ismael resolveu me acompanhar! Buenisimo!!!
E aquele outro mundo, o virtual, que se mantem paralelo e simultaneo ao real, continua ativo. Noticias do Brasil e agora também da Argentina me alcançam onde quer que eu vá. Será verdade mesmo que estou no sul do Chile? Ou estarei sonhando em frente a meu computador?
beijos austrais a todos!!!
Martha Argel,
uma vampira em Puerto Montt
Estou no Chile! VI O PACIFICO.
Ismael, si llegas a entrar a este blog, esto es para ti: GRACIAS POR TODOOOO!!! Mañana nos vemos!!!
Ok, um resumo rapido que a internet aqui é ca-ris-si-ma: peguei o onibus hoje de manha e cruzei os Andes. Correndo o risco de me repetir, paisagens belíssimas. Sentado a meu lado ia o Ismael, que além de patrioticamente me ajudar a devorar os sanduiches e bolachinhas que eu tinha trazido (e que nao poderiam cruzar a fronteira com o Chile), continuou me ajudando praticamente com tudo - hotel, câmbio, informacoes turisticas, city tour relampago - quando cheguei aqui.
Assim, estou instalada no Hostal Patagonia, que nao merece nenhuma estrela mas está no centro, tem banheiro e café da manha, e aparentemente tem um atendimento muito simpàtico.
A cidade é interessante, a maioria das construcoes é de madeira. Cruzar a rua é adrenalina pura: vc vai indo e os carros... simplesmente param!!!! E eu sempre achando que eles vao passar por cima de mim e acabar com este blog...
Ainda nao deu pra conhecer muito, mas o que já vi me lembra um pouco Ushuaia. Mas tem sua personalidade propria. Vou ver se tiro algumas fotos.
Amanha a programacao inclui uma excursao à ilha de Chiloé. E o Ismael resolveu me acompanhar! Buenisimo!!!
E aquele outro mundo, o virtual, que se mantem paralelo e simultaneo ao real, continua ativo. Noticias do Brasil e agora também da Argentina me alcançam onde quer que eu vá. Será verdade mesmo que estou no sul do Chile? Ou estarei sonhando em frente a meu computador?
beijos austrais a todos!!!
Martha Argel,
uma vampira em Puerto Montt
quarta-feira, 14 de janeiro de 2004
Boa tarde!
Ultimo dia em Bariloche, despedida em grande estilo, navegando nas águas azuis do lago Nahuel Huapi. O barco, o Modesta Victoria, embarcaçao histórica, na qual viajaram, segundo um tripulante, "de Fidel Castro a Bill Clinton". E, segundo uma amiga minha, também "Martha, Ana e Jorge". E, ainda segundo ela, "é o que vao dizer às proximas personalidades que vierem a bordo".
Visitamos o Bosque de los Arrayanes, situado em uma ilha no meio do lago. O arrayán é uma árvore cuja casca tem um lindo tom de canela, e o bosque, nos locais onde bate o sol, parece em brasa. Nao dá pra descrever o cenario. Diz a lenda que Walt Disney esteve nesse bosque e se inspirou para o desenho do Bambi. E dizem que a lenda é só lenda. Sei lá, prefiro minha versao: na ilha mora o fantasma do Disney, que rapta as criancinhas que visitam a ilha, mata-as, estripa-as e manda-as para a Terra do Nunca Mais.
(credo, estou tendo dificuldade para escrever em português!)
Do bosque, fomos para a Isla Victoria, onde passamos praticamente todo o dia. Fomos à praia, e desta vez consegui entrar até o joelho! A ilha tem, pra variar (e jà está ficando até repetitivo) paisagens deslumbrantes.
Voltei agora há pouco, direto para o cyber. Hoje parece que o dia termina cedo.
Mas estou nervosa. Amanha, sete e meia da manha, parto para o Chile. Nao tinha planejado cruzar os Andes (inicialmente nao pensava sequer vir a Bariloche!), mas a ideia surgiu e germinou e ganhou força, e portanto, Puerto Montt, aqui vou eu! E, repetindo, estou nervosa com a ideia de ir de improviso para outro paìs. Tudo bem, já fiz isso outras vezes, mas sempre acompanhada. Sei lá. Vamos ver que bicho dá.
E por mais intensa que seja a viagem, a vida normal nao para. É estranho receber aqui, em plenos Andes Patagönicos, mensagens que dizem respeito ao dia-a-dia, aos assuntos pendentes e os lugares-comuns de sempre. Ontem foi especial, recebi algumas mensagens que me deixaram num estado de espirito um tanto estranho. É como se eu fosse duas pessoas, uma aqui, viajando e aproveitando o momento, a outra em Sampa, em frente a meu computador, trabalhando e escrevendo como sempre, sonhando com as viagens. Espero, durante a viagem amanha, ter um pouco de sossego para pensar um pouco e curtir tudo o que está acontecendo com essas duas pessoas.
Se tudo der certo, amanha escrevo-lhes de outro país, às margens do Pacífico.
beijos, queijos e felicidades
Martha Argel,
à beira de outra aventura
Ultimo dia em Bariloche, despedida em grande estilo, navegando nas águas azuis do lago Nahuel Huapi. O barco, o Modesta Victoria, embarcaçao histórica, na qual viajaram, segundo um tripulante, "de Fidel Castro a Bill Clinton". E, segundo uma amiga minha, também "Martha, Ana e Jorge". E, ainda segundo ela, "é o que vao dizer às proximas personalidades que vierem a bordo".
Visitamos o Bosque de los Arrayanes, situado em uma ilha no meio do lago. O arrayán é uma árvore cuja casca tem um lindo tom de canela, e o bosque, nos locais onde bate o sol, parece em brasa. Nao dá pra descrever o cenario. Diz a lenda que Walt Disney esteve nesse bosque e se inspirou para o desenho do Bambi. E dizem que a lenda é só lenda. Sei lá, prefiro minha versao: na ilha mora o fantasma do Disney, que rapta as criancinhas que visitam a ilha, mata-as, estripa-as e manda-as para a Terra do Nunca Mais.
(credo, estou tendo dificuldade para escrever em português!)
Do bosque, fomos para a Isla Victoria, onde passamos praticamente todo o dia. Fomos à praia, e desta vez consegui entrar até o joelho! A ilha tem, pra variar (e jà está ficando até repetitivo) paisagens deslumbrantes.
Voltei agora há pouco, direto para o cyber. Hoje parece que o dia termina cedo.
Mas estou nervosa. Amanha, sete e meia da manha, parto para o Chile. Nao tinha planejado cruzar os Andes (inicialmente nao pensava sequer vir a Bariloche!), mas a ideia surgiu e germinou e ganhou força, e portanto, Puerto Montt, aqui vou eu! E, repetindo, estou nervosa com a ideia de ir de improviso para outro paìs. Tudo bem, já fiz isso outras vezes, mas sempre acompanhada. Sei lá. Vamos ver que bicho dá.
E por mais intensa que seja a viagem, a vida normal nao para. É estranho receber aqui, em plenos Andes Patagönicos, mensagens que dizem respeito ao dia-a-dia, aos assuntos pendentes e os lugares-comuns de sempre. Ontem foi especial, recebi algumas mensagens que me deixaram num estado de espirito um tanto estranho. É como se eu fosse duas pessoas, uma aqui, viajando e aproveitando o momento, a outra em Sampa, em frente a meu computador, trabalhando e escrevendo como sempre, sonhando com as viagens. Espero, durante a viagem amanha, ter um pouco de sossego para pensar um pouco e curtir tudo o que está acontecendo com essas duas pessoas.
Se tudo der certo, amanha escrevo-lhes de outro país, às margens do Pacífico.
beijos, queijos e felicidades
Martha Argel,
à beira de outra aventura
terça-feira, 13 de janeiro de 2004
Doideira!!!
Estou na ativa desde as sete e meia da manha, o tempo nao alcanca para fazer tudo o que ha para fazer aqui.
Ontem: meio de bobeira, sai para caminhar. O plano era subir uma montanha, por um caminho que comeca a 200 m da casa de meus amigos. Uma simples caminhada de umas tres horas. Sai as 9 da manha. Voltei so as quatro e meia da tarde, depois de um passeio ESPETACULAR!! O tempo todo com vista para o lago Nahuel Huapi, aguas azuis com as montanhas nevadas ao fundo. O caminho seguia entre bosques cheios de passarinhos que cantavam. Depois de umas duas horas de caminhada, cheguei ao paraiso na terra, um refugio andino, uma cabana de troncos construida na decada de 40, e ai fiquei mais de uma hora, tomando cafe com leite e misto quente, olhando a paisagem de sonho, brincando com Lenga uma simpatica sao-bernardo. Nao queria mais sair dali, mas continuei caminho ate o topo, onde ha... uma confeitaria giratoria! Vista de 360 graus, todo e cada um espetacular. Lagos azuis, florestas e montanhas nevadas por todo lado. Na volta, parei no refugio de novo e me larguei por la, dormi, lanchei, li um pouco - um livro da Buffy, vampiros, claro! - e fiquei brincando com a ideia de passar uns dias naquele lugar que mais parecia um cenaio de filme. Alias, isso e o que mais passa pela minha cabeca, parece impossivel que eu esteja VIVENDO tanta beleza. O que tinha demorado mais de duas horas pra subir, fiz em 45 minutos na descida - peguei um atalho, tao inclinado que em muitos trechos desci de bunda! Vcs nao sabem como a terra solta com pedras no meio e traicoeira!!!
Hoje: visita a El Bolson, um dos grandes redutos hippies da face da Terra. Fui com quatro amigas, e rimos do comeco ao fim. De El Bolson fomos ao Lago Puelo, que, se me permitem repetir-me a exaustao, e maravilhoso. Um lago azul e gelado, com as montanhas nevadas ao fundo, e um sol de rachar mamona. Meu ombro parece um pimentao!
Na volta, vimos a paisagem que na ida ficaraas nossas costas. Visto de cima, um vale de tirar o folego, amplo, em forma de U, bosque embaixo e nas encostas, a marca dos deslizamentos provocados pelos degelos. Picos escarpados e nus, acima da linha das arvores, e muitos deles ainda nevados. Juro que ate dava pra ver o Aragorn, o Legolas e os hobbits percorrendo aquela paisagem imensa, em sua missao de destruir o anel.
E tudo isso com um sol maravilhoso, que permanece no ceu mais de quinze horas por dia.
Amanha vou navegar. E depois, a aventura rumo ao oeste continua. Saio daqui para um destino que logo logo conto qual e - quando chegar la!
beijos. Acreditem: o mundo e um lugar maravilhoso, basta a gente se lancar a ele.
Martha Argel
Estou na ativa desde as sete e meia da manha, o tempo nao alcanca para fazer tudo o que ha para fazer aqui.
Ontem: meio de bobeira, sai para caminhar. O plano era subir uma montanha, por um caminho que comeca a 200 m da casa de meus amigos. Uma simples caminhada de umas tres horas. Sai as 9 da manha. Voltei so as quatro e meia da tarde, depois de um passeio ESPETACULAR!! O tempo todo com vista para o lago Nahuel Huapi, aguas azuis com as montanhas nevadas ao fundo. O caminho seguia entre bosques cheios de passarinhos que cantavam. Depois de umas duas horas de caminhada, cheguei ao paraiso na terra, um refugio andino, uma cabana de troncos construida na decada de 40, e ai fiquei mais de uma hora, tomando cafe com leite e misto quente, olhando a paisagem de sonho, brincando com Lenga uma simpatica sao-bernardo. Nao queria mais sair dali, mas continuei caminho ate o topo, onde ha... uma confeitaria giratoria! Vista de 360 graus, todo e cada um espetacular. Lagos azuis, florestas e montanhas nevadas por todo lado. Na volta, parei no refugio de novo e me larguei por la, dormi, lanchei, li um pouco - um livro da Buffy, vampiros, claro! - e fiquei brincando com a ideia de passar uns dias naquele lugar que mais parecia um cenaio de filme. Alias, isso e o que mais passa pela minha cabeca, parece impossivel que eu esteja VIVENDO tanta beleza. O que tinha demorado mais de duas horas pra subir, fiz em 45 minutos na descida - peguei um atalho, tao inclinado que em muitos trechos desci de bunda! Vcs nao sabem como a terra solta com pedras no meio e traicoeira!!!
Hoje: visita a El Bolson, um dos grandes redutos hippies da face da Terra. Fui com quatro amigas, e rimos do comeco ao fim. De El Bolson fomos ao Lago Puelo, que, se me permitem repetir-me a exaustao, e maravilhoso. Um lago azul e gelado, com as montanhas nevadas ao fundo, e um sol de rachar mamona. Meu ombro parece um pimentao!
Na volta, vimos a paisagem que na ida ficaraas nossas costas. Visto de cima, um vale de tirar o folego, amplo, em forma de U, bosque embaixo e nas encostas, a marca dos deslizamentos provocados pelos degelos. Picos escarpados e nus, acima da linha das arvores, e muitos deles ainda nevados. Juro que ate dava pra ver o Aragorn, o Legolas e os hobbits percorrendo aquela paisagem imensa, em sua missao de destruir o anel.
E tudo isso com um sol maravilhoso, que permanece no ceu mais de quinze horas por dia.
Amanha vou navegar. E depois, a aventura rumo ao oeste continua. Saio daqui para um destino que logo logo conto qual e - quando chegar la!
beijos. Acreditem: o mundo e um lugar maravilhoso, basta a gente se lancar a ele.
Martha Argel
domingo, 11 de janeiro de 2004
Boa tarde.
O relógio marca 21 horas aquí, aí no Brasil sao dez da noite, mas lá fora o sol acaba de desaparecer, e o dia ainda está claro. Aquí na Patagonia, os vampiros estariam ferrados.
Pois é, finalmente. Depois de uma viagem de quase 20 horas, cheguei. Estou em San Carlos de Bariloche.
[putz, este teclado é uma doideira, nao consigo encontrar NADA aquí, as teclas nao correspondem ao que de fato aparece na tela, e tem uma autocorreçao que fica corrigindo tudo e mudando do portugues pro castelhano!]
A viagem foi longa, mas muito legal. Havia um único lugar vazio no onibus, e era justamente o que estava a meu lado. Vim esparramada nos dois assentos. Fiz amizade com uma socióloga e um professor. Assisti O Senhor dos Anéis II.
Vi o amanhecer já em plena estepe patagonica, uma vasta extensao de terreno ondulado revestido por arbustos baixos e que muitas vezes termina em mesetas de topo plano e encostas multicores erodidas pelo vento e pela chuva. Ao longo da estrada, uma verdadeira floresta de torres de alta tensao. De repente, algo surreal: um cartaz com um enorme dinossauro, anunciando a... Posada de los Dinosaurios!!!! Dá para acreditar nisso?!
Durante as ùltimas horas, a estrada correu ao longo da margem esquerda do rio Limay. Junto com varios outros passageiros, comecei a procurar nos céus os condores, que sao relativamente comuns por aquí. Da primeira vez que vim para esta regiao aprendi uns truques par encontrar seus pousos no penhascos e encostas das montanhas, e nao deu outra: foi só localizar um pouso e daí a pouco localizei também o condor, em voo ao redor de uma torre de pedra. Uma beleza. Cada vez que ele se virava, o sol brilhava na grande mancha branca que ele tem nas costas e asas.
De repente, aparece no horizonte a Cordilheira dos Andes, com seus picos ainda recobertos de neve. E a montanha mais espetacular é o vulcao Lanín, um cone perfeito e branco erguendo-se solitario e majestoso num horizonte que parece próximo mas que está a dezenas de quilometros.
Até que, finalmente, depois de uma curva da estrada, aparecem as aguas azuis do lago Nahuel Huapi, com a cidade se estendendo na margem esquerda e toda a cordilheira nevada ao fundo.
Neste momento estou na casa de meus amigos Silvia e Carlos. Estou com o sono atrasado de varios dias mas nao consigo dormir. Lá fora a noite finalmente está caindo num cenário de sonho, um bairro residencial de chalés e bangalos de madeira cercados de gramados, flores e uma arborizacao densa, onde o aparecimento de duendes ou gnomos nao pareceria nem um pouco impossível.
É isso aí. Nao consigo nem acreditar.
Beijos a todos.
Martha Argel
O relógio marca 21 horas aquí, aí no Brasil sao dez da noite, mas lá fora o sol acaba de desaparecer, e o dia ainda está claro. Aquí na Patagonia, os vampiros estariam ferrados.
Pois é, finalmente. Depois de uma viagem de quase 20 horas, cheguei. Estou em San Carlos de Bariloche.
[putz, este teclado é uma doideira, nao consigo encontrar NADA aquí, as teclas nao correspondem ao que de fato aparece na tela, e tem uma autocorreçao que fica corrigindo tudo e mudando do portugues pro castelhano!]
A viagem foi longa, mas muito legal. Havia um único lugar vazio no onibus, e era justamente o que estava a meu lado. Vim esparramada nos dois assentos. Fiz amizade com uma socióloga e um professor. Assisti O Senhor dos Anéis II.
Vi o amanhecer já em plena estepe patagonica, uma vasta extensao de terreno ondulado revestido por arbustos baixos e que muitas vezes termina em mesetas de topo plano e encostas multicores erodidas pelo vento e pela chuva. Ao longo da estrada, uma verdadeira floresta de torres de alta tensao. De repente, algo surreal: um cartaz com um enorme dinossauro, anunciando a... Posada de los Dinosaurios!!!! Dá para acreditar nisso?!
Durante as ùltimas horas, a estrada correu ao longo da margem esquerda do rio Limay. Junto com varios outros passageiros, comecei a procurar nos céus os condores, que sao relativamente comuns por aquí. Da primeira vez que vim para esta regiao aprendi uns truques par encontrar seus pousos no penhascos e encostas das montanhas, e nao deu outra: foi só localizar um pouso e daí a pouco localizei também o condor, em voo ao redor de uma torre de pedra. Uma beleza. Cada vez que ele se virava, o sol brilhava na grande mancha branca que ele tem nas costas e asas.
De repente, aparece no horizonte a Cordilheira dos Andes, com seus picos ainda recobertos de neve. E a montanha mais espetacular é o vulcao Lanín, um cone perfeito e branco erguendo-se solitario e majestoso num horizonte que parece próximo mas que está a dezenas de quilometros.
Até que, finalmente, depois de uma curva da estrada, aparecem as aguas azuis do lago Nahuel Huapi, com a cidade se estendendo na margem esquerda e toda a cordilheira nevada ao fundo.
Neste momento estou na casa de meus amigos Silvia e Carlos. Estou com o sono atrasado de varios dias mas nao consigo dormir. Lá fora a noite finalmente está caindo num cenário de sonho, um bairro residencial de chalés e bangalos de madeira cercados de gramados, flores e uma arborizacao densa, onde o aparecimento de duendes ou gnomos nao pareceria nem um pouco impossível.
É isso aí. Nao consigo nem acreditar.
Beijos a todos.
Martha Argel
sábado, 10 de janeiro de 2004
Olá, todos!
Já começo a sentir saudades do Brasil. Inevitável, sempre acontece.
Estou agora em Bolivar, uma cidade da qual nunca tinha ouvido falar e que nao sei onde fica. Vim trazida por minha prima, pra dar uma mao a ela em seu concurso para ir ao Brasil. Depois ela vai me colocar dentro de um onibus e viajo até a cidade de Azul, onde finalmente embarco rumo à Patagônia. Ou seriam os Andes? Talvez o mais correto seja dizer Andes Patagônicos. Se tudo correr bem, amanha já estarei escrevendo a partir de lá. Dizem que está fazendo frio no Sul. Depois dos trinta graus que tenho enfrentado todos os dias, vai ser uma mudança interessante.
Ontem, depois que saí do cyber, foi engraçado: por toda parte me diziam que tinham me visto na televisao. Celebridade instantânea. E o mais divertido: o repórter de um jornal pediu outra entrevista. Me senti a verdadeira escritora: marquei com ele no final da tarde no café Paris, onde sempre que podia costumava ir para escrever um pouco. A entrevista vai sair na versao digital também. Se ficar boa, coloco aqui o endereço, se nao... ¡olvídense!
Hoje viemos cedinho pra cá. Estradas retas e planas, a paisagem da pampa interminável, que tanto me fascina e pela qual tenho tanto carinho, frio e chuva. Bolivar é uma cidade bonita, maior que Rauch e quase tao bonita. As mesmas casa antigas sem recuo, ruas largas orladas de plátanos, a praça central ampla, bem arborizada, bem cuidada.
Fui muito bem recebida no Rotary, as pessoas estavam encantadas com a presença de uma brasileira. Nao tinha preparado palestra alguma, mas falei durante quase duas horas, sobre pronúncia, sotaques, palavras proibidas (tipo saco, esquisito, o nome da letra Q...), costumes, etiqueta, clima, comida, a situaçao social e economica do Brasil, Mercosul e por aì afora. Ah, agora me dou conta: milagre, nao falei sobre vampiros!!!
É isso. Agora vou dar uma voltinha e conhecer um pouco da cidade.
Sejam felizes! Beijos a todos e até amanha (se possível)!
Martha Argel
Já começo a sentir saudades do Brasil. Inevitável, sempre acontece.
Estou agora em Bolivar, uma cidade da qual nunca tinha ouvido falar e que nao sei onde fica. Vim trazida por minha prima, pra dar uma mao a ela em seu concurso para ir ao Brasil. Depois ela vai me colocar dentro de um onibus e viajo até a cidade de Azul, onde finalmente embarco rumo à Patagônia. Ou seriam os Andes? Talvez o mais correto seja dizer Andes Patagônicos. Se tudo correr bem, amanha já estarei escrevendo a partir de lá. Dizem que está fazendo frio no Sul. Depois dos trinta graus que tenho enfrentado todos os dias, vai ser uma mudança interessante.
Ontem, depois que saí do cyber, foi engraçado: por toda parte me diziam que tinham me visto na televisao. Celebridade instantânea. E o mais divertido: o repórter de um jornal pediu outra entrevista. Me senti a verdadeira escritora: marquei com ele no final da tarde no café Paris, onde sempre que podia costumava ir para escrever um pouco. A entrevista vai sair na versao digital também. Se ficar boa, coloco aqui o endereço, se nao... ¡olvídense!
Hoje viemos cedinho pra cá. Estradas retas e planas, a paisagem da pampa interminável, que tanto me fascina e pela qual tenho tanto carinho, frio e chuva. Bolivar é uma cidade bonita, maior que Rauch e quase tao bonita. As mesmas casa antigas sem recuo, ruas largas orladas de plátanos, a praça central ampla, bem arborizada, bem cuidada.
Fui muito bem recebida no Rotary, as pessoas estavam encantadas com a presença de uma brasileira. Nao tinha preparado palestra alguma, mas falei durante quase duas horas, sobre pronúncia, sotaques, palavras proibidas (tipo saco, esquisito, o nome da letra Q...), costumes, etiqueta, clima, comida, a situaçao social e economica do Brasil, Mercosul e por aì afora. Ah, agora me dou conta: milagre, nao falei sobre vampiros!!!
É isso. Agora vou dar uma voltinha e conhecer um pouco da cidade.
Sejam felizes! Beijos a todos e até amanha (se possível)!
Martha Argel
sexta-feira, 9 de janeiro de 2004
Buenos dias.
Meu último dia aqui, e só hoje descobri o melhor cyber da cidade.
Ontem gravei uma entrevista para a televisao local. Nao avisei ninguem que ia passar, porque estava me cagando de medo de que ficasse uma merda total, afinal foi tudo em castelhano. Até consigo conviver com meus erros quando estou conversando, mas pela televisao! Nao ficou tao ruim assim. E já senti os efeitos: agora há pouco estava parada numa esquina, minha amiga Anita me ensinando o caminho pra cá, e uma velhinha que ia passando parou e ficou nos olhando. Achei que era amiga da Anita, mas a velhinha me olha e toda sorridente diz "Vi vocë pela televisao, voce é a escritora brasileira, que tem muitos livros, que está de ferias aqui. E amanha vai para Bariloche, cuidado para nao ser assaltada" e como minha amiga nao tinha visto a entrevista, recomendou que ela visse hoje ao meio-dia, que iam reprisar. Se recomendou é porque deve ter gostado. Tö virando celebridade, pena que já estou de partida.
E ontem finalmente achei que ia conseguir ir pra cama antes da meia noite. Só que fomos comer alguma coisa, e enquanto falava algo sobre literatura e técnicas de escrita, percebi que havia uma senhora, cara muito simpática, prestando uma atencao de coruja a tudo que diziamos. Me disse "estou fascinada com a conversa". Convidei-a a nossa mesa, ela aceitou, e ficamos atá a uma da manha batendo papo. Estou acabada. Há uma semana nao durmo antes das 12 da noite, e todos os dias saio para caminhar (por uma hora!) as seis e meia.
Bizarrice: o quintal de minha prima está infestado por lesmas grandes e gordas. Toda manha ela sai com um pacote de sal para combatë-las. E elas caem na piscina e viram uma coisa nojenta. Desenvolvi uma tecnica elaborada para tirá-las lá de dentro com a ajuda de um rodo.
Como nao podia deixar de ser, minha prima aprendeu muito bem algumas das coisas que lhe ensinei: bunda, filho da puta e puta que o pariu. E lhe ensinei uma frase em espanhol que soa muito bonita aos ouvidos brasileiros. "Lá vai um careca maluco, com o casaco na mao, correndo atrás da van". Em espanhol é: "Ahi va un pelado tarado, con el saco en la mano, corriendo detrás de la buseta".
Amanha provavelmente nao postarei. Estarei viajando para Bolivar, onde darei uma palestra sobre cultura brasileira para um pessoal do Rotary. Dali sigo rumo sul. Chegarei a meu destino no domingo pela manha. De lá mando noticias.
beijos mil, curtam o verao
Martha Argel,
uma vampira a ponto de viajar.
Meu último dia aqui, e só hoje descobri o melhor cyber da cidade.
Ontem gravei uma entrevista para a televisao local. Nao avisei ninguem que ia passar, porque estava me cagando de medo de que ficasse uma merda total, afinal foi tudo em castelhano. Até consigo conviver com meus erros quando estou conversando, mas pela televisao! Nao ficou tao ruim assim. E já senti os efeitos: agora há pouco estava parada numa esquina, minha amiga Anita me ensinando o caminho pra cá, e uma velhinha que ia passando parou e ficou nos olhando. Achei que era amiga da Anita, mas a velhinha me olha e toda sorridente diz "Vi vocë pela televisao, voce é a escritora brasileira, que tem muitos livros, que está de ferias aqui. E amanha vai para Bariloche, cuidado para nao ser assaltada" e como minha amiga nao tinha visto a entrevista, recomendou que ela visse hoje ao meio-dia, que iam reprisar. Se recomendou é porque deve ter gostado. Tö virando celebridade, pena que já estou de partida.
E ontem finalmente achei que ia conseguir ir pra cama antes da meia noite. Só que fomos comer alguma coisa, e enquanto falava algo sobre literatura e técnicas de escrita, percebi que havia uma senhora, cara muito simpática, prestando uma atencao de coruja a tudo que diziamos. Me disse "estou fascinada com a conversa". Convidei-a a nossa mesa, ela aceitou, e ficamos atá a uma da manha batendo papo. Estou acabada. Há uma semana nao durmo antes das 12 da noite, e todos os dias saio para caminhar (por uma hora!) as seis e meia.
Bizarrice: o quintal de minha prima está infestado por lesmas grandes e gordas. Toda manha ela sai com um pacote de sal para combatë-las. E elas caem na piscina e viram uma coisa nojenta. Desenvolvi uma tecnica elaborada para tirá-las lá de dentro com a ajuda de um rodo.
Como nao podia deixar de ser, minha prima aprendeu muito bem algumas das coisas que lhe ensinei: bunda, filho da puta e puta que o pariu. E lhe ensinei uma frase em espanhol que soa muito bonita aos ouvidos brasileiros. "Lá vai um careca maluco, com o casaco na mao, correndo atrás da van". Em espanhol é: "Ahi va un pelado tarado, con el saco en la mano, corriendo detrás de la buseta".
Amanha provavelmente nao postarei. Estarei viajando para Bolivar, onde darei uma palestra sobre cultura brasileira para um pessoal do Rotary. Dali sigo rumo sul. Chegarei a meu destino no domingo pela manha. De lá mando noticias.
beijos mil, curtam o verao
Martha Argel,
uma vampira a ponto de viajar.
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