quarta-feira, 27 de agosto de 2003

Frio, frio, frio.
Eu gosto, sim, de frio, mas o problema é ter de passar horas praticamente imóvel na frente do computador, e sentir os pés e mãos aos poucos ir congelando.
Ontem curti o frio. Pelo menos uma vez na vida acertei a roupa ao sair de casa de manhã. O casaco de couro (fajuto) e os coturnos com meia grossa ajudaram a enfrentar o vento gelado, e enquanto ia ao Fran's com o Júlio, meu amigo e parceiro de consultoria, tomar o que ele chama de "o cafezinho mais caro de São Paulo", quase me senti em alguma cidade européia.
E uma passada na livraria Cultura me reservou (além da frustração de sempre por não poder comprar TUDO o que gostaria) uma grande supresa, quase um milagre: um livro exatamente sobre o que eu procurava, a Itália no século XVII!!! Foi uma facada em meu cartão de crédito, mas hoje ele tá ali, bonitinho, na minha estante.

Obrigada a todos os que me visitam, mesmo que não deixem comentários (entre eles, os Fernandos, o que mora mais ao norte e o que mora mais ao sul). Desculpem não retribuir as visitas. O LoveSan ferrou com meu Explorer, e só dá merda quando começo a navegar. Algum dia mando consertar.

Fiquem bem, tão bem como eu me sinto nos últimos dias -- em paz, tranqüila, satisfeita com a vida; que essa paz seja eterna enquanto dure!

Martha Argel

domingo, 24 de agosto de 2003

Olás. De volta, e pra variar, após longa ausência.
Os dias passam tão rápidos, e as coisas se sucedem sem pausas nem intervalos para respirar.
Trabalho, muito, multiplicado por aquele caos mental que resulta do cansaço, e da necessidade de pensar e planejar N coisas simultaneamente. Estou indo adiante ou correndo para ficar no mesmo lugar?
Mais uma noite de autógrafos. Mais um encontro dos amigos. Valeu Ni, Lilica e Aniete, por emprestarem o cantinho tão bom. Valeu a todos que foram.
Ontem, festa do TintaRubra no Tribehouse. Revi amigos. Tive notícias boas (Carmilla, foi a maior alegria em muito, muito tempo o que aconteceu ontem!!!), conheci gente e aproveitei a noite. Me deixei envolver em pequenos eventos que me deixaram encantada com a simplicidade de certas ações, e reações, e com o valor do agora, puro e simples.
Sinto-me cansada, mas um cansaço daqueles que faz a gente encostar a cabeça no travesseiro e sorrir nos escassos momentos que precedem o sono imediato e sem sonhos. As últimas semanas foram intensas e férteis. Falta, porém, o tempo para assimilar o que significaram. É atrás desse tempo que ando agora. O tempo de pedir licença e me recolher e organizar arquivos mentais e pôr em prática o que no momento são planos, idéias, projetos.
Dia 24 de agosto. Há um ano eu tinha sonhos e sorria com eles. Sonhos que morreram no pântano viscoso das decepções e recriminações, e hoje são só uma história que o tempo está se encarregando, com pleno êxito, de pasteurizar.
Mas também há um ano, em outro fim de inverno, assisti à chegada dos andorinhões-do-temporal (Chaetura andrei) aos céus paulistanos, marcando a volta do calor. Hoje meus olhos vão vasculhar o azul-cinza que cobre a cidade seca e poluída. Quem sabe estarão lá de novo, assinalando, impiedosos, a passagem do tempo que, como disse um poeta qualquer, não pára.

beijos a todos

Martha Argel

terça-feira, 19 de agosto de 2003

Bom dia (ou boa noite? droga, sempre a dúvida!)

Estou com insônia. Não dá pra acreditar que a MESMA prefeitura que perdeu minha nota fiscal há algumas semanas... FEZ ISSO DE NOVO!!! Ainda tive que ouvir um moleque idiota me dizendo com cara de songo-mongo 'Tava na minha gaveta, mas sumiu, eu não achei', tipo 'O problema agora é todo teu'. BANDO DE INCOMPETENTES, ter um bostinha desses como funcionário é um atestado de imbecilidade!!! Eu definitivamente devia armar um belo processo pra cima do prefeito, mas sou mole demais pra isso. Ia até falar bem da cidade, que visitei ontem e cujo centro histórico me surpreendeu. Mas por conta dessa insônia que me proporcionaram, vou aproveitar pra mandar o município À MERDA.

Bem diferente o que tenho a dizer a respeito de outra cidade: Dois Córregos. A cidade é linda e limpa, com muita gente bacana. O pessoal de lá precisaria dar mais valor a si mesmo, à riqueza humana, ao patrimônio cultural e natural que o município tem. Largar a postura desanimada e meter a mão na massa, e FAZER, porque potencial existe, e muito (Claro que DC tem sua dose de filhos da puta, como os cornos que organizam aquelas malditas festas com música bate-estaca, que perturbam a cidade inteira, por conta de um punhado de idiotinhas que não têm mais nada a fazer do que perder a audição durante baladas recheadas de música e bebida ruins e companhia pior ainda. Afff, tô REALMENTE de mau humor!)

Dois Córregos sediou o II Encontro Estadual de Escritores, do qual participei autografando 'O Vampiro de Cada Um' e o 'Relações de Sangue'. Fiquei toda feliz com o sucesso dos livros: de todos os presentes na coletiva, fui quem mais autografou (e quem mais vendeu!!!). O marketing funcionou: todo mundo me reconhecia ('Ah, você é a vampira!') e vinha bater papo. Muitos leitores do 'RdS' ansiosos pelo novo livro, e muita gente vindo me contar que meu livro foi adotado por um professor para trabalhar a linguagem contemporânea na literatura. Meu orgulho: o professor é o Pedro, que todo mundo concorda em entitular 'o melhor professor de português da cidade'!!! Conheci muita gente: escritores ganhadores do Prêmio Jabuti, autoridades ligadas à cultura, editores, cineastas, jornalistas. Sem dúvida, nunca tinha tido tantos bons contatos.
E o povo que eu curti: como sempre, o Chico e a Maria Helena, pela doçura e pelo empenho para que o evento fosse um sucesso. Adorei conhecer o Emerson, um cara super talentoso, poeta, uma voz maravilhosa, um senso de humor incrível, com a tremenda sorte de ser casado com a Ester, historiadora, que deve ser um show como professora, por tudo que ouvi! A Débora, catorze anos de uma energia e uma simpatia inacreditáveis, prometendo um futuro simplesmente es-pe-ta-cu-lar. E o Silvio Pires, um dos caras mais malucos e mais gente fina que já conheci; algum dia coloco algum post sobre seu livro 'Vampires', que foi até objeto de exposição no MAM. São pessoas que gostaria de ter como amigas por muito tempo! CLARO que conheci mais gente ÓTIMA por lá, mas o tempo, como sempre, foi curto pra um contato maior. Tenho certeza de que vou reencontrar esse pessoal por aí.
O encontro em si foi produtivo e estimulante, e promete virar uma rotina. Dois Córregos, que tem a chance de virar um pólo estadual de cultura, merece. A Literatura merece. A Cultura nacional merece.

Bom, quem sabe agora consigo dormir. Ou pelo menos ler mais um pouco de 'Chore para o céu', da Anne Rice. Estou achando interessante, menos arrastado que obras mais recentes. A pesquisa dela é de dar inveja! A tradução não compromete, apesar da falta de nexo de algumas frases.

Tenham uma boa semana.

Martha Argel

(creedo, gerenciar os posts nesta porcaria é uma tortura!!!)

quarta-feira, 13 de agosto de 2003

Olá a todos.

Pois é. Voltei de Belo Horizonte. Cidade linda, deliciosa apesar da secura desta época do ano. Não imaginava que, distante de São Paulo apenas sete horas by bus, a capital das Minas Gerais pudesse ser tão mais quente que a Terra da Garoa!

Salão do Livro de Minas Gerais
Não tem, claro, as dimensões mastodônticas da Bienal paulistana, mas tem aquele clima que enlouquece os fanáticos por livros, como eu. Sem muito o que fazer, por três dias percorri os corredores e conversei com livreiros e vendedores em tudo quanto foi estande, sem exceção uma gente maravilhosa, apaixonada pelo trabalho, pela leitura, pelas letras, cheios de assunto e que me ajudaram com entusiasmo toda vez que eu procurava algum livro sobre os assuntos mais bizarros.
O pessoal da Leitura da Savassi foi o máximo. Não lembro o nome de todos, mas agradeço ao Carlos, ao Evandro, ao Gustavo, ao Paulo, à Lionara ?Bruxa?, à Cintia e a todos os demais. Quem apareceu todas as noites foram o Nitro e a Tuz, simpáticos e animados como sempre, com uma galera ótima: Trosco, Hermann, Anderson, Cristiano, Flávio e mais gente que não lembro o nome (sorry!!!). Conheci leitoras muito gracinhas, entre elas a Lucy e a Alice. Valeu, meninas, pela alegria ao levarem o livro pra eu autografar!
Revi gente conhecida, que não esperava encontrar. O professor Angelo Machado, cujo livro de neurobiologia foi meu terror no curso de Fisio Humana, especialista afamado em libélulas e educador ambiental de primeira, estava autografando seus livros infantis. Grande surpresa foi topar com o Roberto de Sousa Causo, especialista em literatura fantástica, autografando seu tratado Ficção científica, fantasia e horror no Brasil (ed. da UFMG), obra já indispensável para todos os interessados. Conversamos muito e aprendi um bocado com ele sobre literatura.
Conheci o José Carlos Neves, que tem um site dedicado a Alan Moore, autor de terror. Bati bons papos com o escritor João Batista Melo, super simpático. Encontrá-lo foi uma grande coincidência, pois umas duas semanas atrás teria comprado seu livro Patagônia (ed. Rocco), não fosse o berreiro do grilo falante chamado Saldo Bancário. Mas desta vez comprei. Temos em comum a paixão por el sur lejano e o fato de que seu livro é sobre Butch Cassidy e seu bando, que uma vez pensei em usar numa história de vampiros. Quem sabe lendo o livro (autografado!) me animo!

... e nas horas vagas...
Fiquei novamente hospedada na biblioteca.... ops, no apartamento da Clau, que agüentou meu surto obsessivo pela Itália pós-Renascimento. Claro que foi o lugar certo para ser atacada pela enfermidade, pois a quantidade de livros que minha amiga tem sobre a Itália é espantosa. Enchei o caderno que levei e me vi obrigada a usar as margens das folhas... Por que tanto interesse? Meu próximo livro, claro! Torçam pra que eu consiga. É meu projeto literário mais ambicioso até o momento.
E numa pausa da pesquisa bibliográfica, assistimos O filho da noiva, belíssimo filme argentino. Ma-ra-vi-lho-so. Chorei muito e também ri muito. Deu vontade de fazer as malas e me mudar pra Buenos Aires (rá, como se essa vontade nunca tivesse existido...).

Bom, é isso. Curtam a vida e façam de tudo pra realizar seus melhores sonhos, sem ferir os outros.

Martha Argel

PS. meu Explorer tá dando uns paus homéricos. Não consigo abrir os comentários dos blogs que estou visitando!!! Lucy, Trosco, Mexicano, Tuz, Nitro, Flávio, passei pra agradecer por tudo, mas...

terça-feira, 5 de agosto de 2003

(Ui, que ódio dessa porcaria de blogger. Publicou meu post duas vezes e, como sempre, é impossível consertar. Ódio, ódio, ódio. Será que colocando este novo postzinho o eco some???)
Oiiiiiis!

Sábado foi uma delícia! SciFi Con 2003, na Oficina Cultural Mazzaropi. EU ME SENTI NORMAL!!!! Primeiro passava um elfo. Depois a Princesa Lea, e aquele ali num canto era o James Bond. Mas o mais sensacional de todos foi o Morpheus, igualzinho o personagem daquele filme que me deu sono. Eu tava quase indo pedir autógrafo.
E não sabia pra onde olhar. Tava no stand do Adorável Noite, dos adoráveis Lila & Dri, mas queria visitar o Highlander, o Arquivo X, o Harry Potter, a Buffy...
O Paulo Chede e a Lu Costa, da Sci Fi News, estão de parabéns pelo evento delicioso que conseguiram organizar, assim como estão de parabéns todos os fã-clubes que fizeram essa festa. E ainda não sei, como não sabia então, se devo dar os parabéns ou o muito obrigado ao vereador Roger Lin, que apoiou o evento.
Menção especial ao nosso Lord Dri, o Adriano Siqueira, que desta vez conseguiu se superar: reuniu praticamente TODOS os escritores brasileiros que lançaram livros sobre vampiros: Flávia Muniz, André Vianco, Giulia Moon, Cid Vale Ferreira, Eliana Gomes Clementino, Marcos Torrigo e eu. A troca de experiências foi FANTÁSTICA!

Domingo eu estava acabada. Adrenalina a mil, uma ansiedade inexplicável, talvez resultado das mil conversas do dia anterior, da proximidade da viagem a Belo Horizonte, de ainda não ter me acostumado à idéia de que O vampiro de cada um já está pronto, de ter virtualmente terminado o Amores Perigosos e de ter dado início ao novo romance, ainda sem nome oficial. Resolvi que tinha de fazer algo para me acalmar: nada de trabalho, nada de planos, nada de nada. Colocar a leitura em dia. Escolhi um volume autografado: O caminho das pedras, o diário da peregrinação de meu amigo Auro Lúcio Silva a Santiago de Compostela. ESSE CARA É O MÁXIMO!!! O LIVRO É MARAVILHOSO!!! Eu não poderia ter escolhido livro melhor que a descrição não de uma caminhada mera e simples, mas de uma viagem interior, contada numa prosa deliciosa, bem humorada, fluida, repleta de detalhes preciosos. Lúcio, o oráculo estava certo: VEJA OS DETALHES. Palavra de quem já leu MUITO na vida: vocês são tontos se não lerem o livro desse cara!

Segunda, e ainda não me recuperei. Por culpa do papo de HORAS que tive com o pessoal do AnneRice-BR, lá na convenção, estou completamente afônica. E o doutor Lúcio, por melhor médico e escritor que seja, não conseguiu curar minha ansiedade, mas tudo bem, consegui um vidro de tranqüilidade na farmácia – ei, é fitoterápico, hein? – e o troço funciona!
Estou lendo outro livro ESPETACULAR, Expedições Urbenauta – São Paulo: uma aventura radical, de Eduardo Emílio Fenianos, mais um de minha coleção de volumes com autógrafos. Suas aventuras pelos bairros mais pobres de São Paulo são de arrancar lágrimas dos olhos - lágrimas de vergonha pela discriminação social dessa bosta de classe média / média-alta à qual pertencemos. O livro do Eduardo é uma aula de cidadania e tolerância e é incrível como se aproxima ao livro do Lúcio na filosofia e nas conclusões, embora não na metodologia. Impressionante a convergência das idéias de ambos.

E é isso. Tenho de pedir perdão por ter me tornado visitante tão irregular em meu próprio blog. Mas meu reencontro com a ficção, com amigos dos quais há muito tinha me afastado, e comigo mesma, tinham de ter alguma conseqüência logística: o tempo não alcança pra tudo.
Beijos a todos. Lembrem-se de ler livros BONS, que fazem a gente suspirar, já de saudades, no fim.

Martha Argel.

quarta-feira, 30 de julho de 2003

O VAMPIRO DE CADA UM

Já está no ar o site com as informações sobre meu último livro! Informações sobre o livro, noites de autógrafos e onde comprar estão em www.ovampirodecadaum.hpg.com.br.
Apareçam por lá e deixem um comentário!

As sessões de autógrafos já confirmadas são as seguintes:

*** DIA 2 DE AGOSTO -- SÃO PAULO, SP ***
SCI FI CON 2003
Oficina Cultural Mazzaropi -- R. Coronel Albino Bairão, 196, Bresser
Stand do Site Adorável Noite
A partir das 14:00

*** DIA 9 DE AGOSTO -- Belo Horizonte, MG ***
SALÃO DO LIVRO DE MINAS GERAIS
Serraria Souza Pinto -- Av. Assis Chateaubriand, 809, Centro
Stand da Livraria Leitura
das 19:00 às 21:00

E o livro já está disponível tanto pela internet quanto em lojas, nos seguintes endereços:

* pela Internet
Livraria Asabeça (São Paulo, SP) - www.asabeca.com.br

* em São Paulo (SP)
PINHEIROS:
Livraria Asabeça - R. Deputado Lacerda Franco, 187
(11) 3031-3956
SÃO JUDAS:
Coisas de Mulher - Av. Indianópolis, 3408
próximo à Estação São Judas de Metrô
(11) 5071-7930

O livro tem 119 páginas, e custa R$ 15,00

Beijos felizes a todos!
Martha Argel

terça-feira, 29 de julho de 2003

Pois é, há quanto tempo não apareço por aqui. Será que ainda tenho leitores?

O que andei fazendo todo este tempo: trabalhando. Correndo atrás da grana que é minha mas que ninguém quer pagar. Ou melhor: não pode pagar. Trabalho eu tenho, crédito também. Mas que adianta, se ninguém tem dinheiro para honrar seus compromissos?
E o que mais? Dando um gás no Amores perigosos. Falta muito, muito pouco.
E minha grande alegria: ficou pronto o O vampiro de cada um. Fui pegar na gráfica ontem. Quanto mais eu olho, mais lindo me parece. A capa é do meu irmão. Assim que eu tiver um pouco de paciência para editar a imagem eu coloco no ar. Se tiver alguém aí bem curioso, tem uma notinha, já no ar, no site da Editora Scortecci (procure na colona da esquerda).
Vou estar, junto com a Giulia Moon, num evento neste final de semana, o Sci Fi Con, organizado pela revista Sci Fi News. Estaremos no stand do Adorável Noite, do Adriano Siqueira, autografando nossos livros: ela com o Luar de Vampiros, eu com o Relações de Sangue e este lançamento super-recente. Outros autores de vampiros já confirmaram a presença, como o André Vianco e o Marcos Torrigo. Puxa, ando tão desencanada que não tenho as informações sobre o evento pra passar pra vocês. Quando conseguir, vou tentar colocar mais detalhes aqui.
Minha mãe voltou ontem de viagem. Eu realmente senti a falta dela!
Ah, muita gente perguntou do bicho maldito: a chinchila é uma gracinha. Adora que eu coçe a cara dela, fecha os olhinhos e entorta a cabeça. Toma banho com um pó branco, que o pessoal chama de pó de mármore, mas acho que é gesso. Ama uva passa, mas não pode comer muita, e semente de girassol. Coloco alfafa seca para ela todos os dias. É MUITO bonitinha. Não fede nada se você mantiver a higiene da gaiola.
Mas o meu xodozinho é mesmo o Thor. Irresistível quando está dormindo no sofá, em cima de meu pano boliviano que ele adotou como seu. Nenhuma visita consegue resistir, vai lá, cobre ele e aconchega o cobertorzinho das formas mais meigas possíveis. Ele parece um bichinho de pelúcia. Fica lá o dia inteiro. Vocês não fazem idéia! Se eu pudesse, ficava aninhando ele o tempo todo!!!
É isso. Curtam o friozinho, trabalhem e se orgulhem de vocês mesmos.

Martha Argel

sexta-feira, 18 de julho de 2003

Eu nas bancas de jornal
Tá chegando nas bancas por todo o Brasil a revista Pesca Esportiva no. 73 (julho), que traz uma matéria minha, “As aves pescadoras”. Ficou linda, oito páginas (!!!) com fotos coloridas, inclusive uma que eu mesma tirei, de um pingüim (que não é o JC, O Pingüim Viajante). É minha estréia como colaboradora de revistas de grande circulação!

Telefonema de longa distância
Ontem minha mãe ligou, pra me contar em excelente portunhol, que ela e a Natália estão em Buenos Aires, que tinham feito um tour pelo Teatro Colón, que tinham percorrido a Calle Florida, feito compras em El Ateneo (a livraria mais sensacional de uma cidade que tem mais livrarias que o Brasil inteiro) e logo iam sair numa excursão, acho que para o Tigre, a belíssima zona estuarina ao norte da cidade. ESTOU ME ROENDO DE INVEJA!!!

O maldito bicho
E também ontem meu sobrinho joga a mochilinha nas costas e anuncia “Tô indo pra Dois Córregos”. Maravilha, mas quem vai tomar conta do bicho? Quando minha mãe viajou, o trato era que eu cuidaria do cachorro mas a chinchila não era em absoluto problema meu. Pois o imprestável do moleque encolheu os ombros, num sei-lá mudo, virou as costas e se mandou. FILHO DA PUTA!!! Fui olhar pra ver se o bicho estava em ordem e ele estava era morto de fome. A porrinha ainda por cima é exigente com a comida. Tentei de tudo, e nem uva-passa aceitou. Toca eu ir numa pet shop comprar ração, petisco, o caralho a quatro. Comprei, o bicho gostou. Só que percebi, tarde demais, que esqueci na loja o cartão de crédito. Merrrrda, vou ter de voltar lá hoje. Não bastasse isso, meu irmão chega em casa à meia-noite e me chama “O bicho fugiu!”. Caceta, a casa é enorme. “Vamos passar a noite todo procurando essa porcaria”. Por sorte não. Encontrei ela atrás do piano. Mas quem diz que conseguia pegar? Foi um baile. Mas afinal ela voltou pra gaiola. MERDA DE BICHO!!!!

Enquanto isso, minha porção escritora está feliz com:
- a confirmação da noite de autógrafos do Relações de Sangue no Salão do Livro de Belo Horizonte, dia 9 de agosto, das 19 às 21 horas (depois coloco mais detalhes);
- o iminente parto de O vampiro de cada um, que deve sair da gráfica semana que vem;
- o progresso com Amores Perigosos, que depois de três anos parece finalmente ter chegado à reta final!

É isso aí. Fiquem bem, bom final de semana.

Martha Argel

segunda-feira, 14 de julho de 2003

Aí foi assim:
Graças à noite de autógrafos de meu romance Relações de Sangue em Dois Córregos (SP), me senti famosa não por quinze minutos, mas por quatro dias. Saí nos dois jornais da cidade, o Democrático e o Independente. Dei entrevista para a rádio (e quis morrer de vergonha, há anos não gravava). Todos a quem meus cicerones me apresentavam já sabiam que eu estava na cidade (“Recebi o convite”, “Ouvi na Transamérica”, “Você saiu nos dois jornais hoje”). Dei palestra sobre vampiros para uma turma de adolescentes de um programa de apoio a jovens problemáticos, e eles demonstraram sua aprovação (“Ô dona, nóis gosta de firme de terror”, “Hoje eu nem durmi na palestra!”, “Palestra assim é boa, podia sê sempre assim, é sempre só droga, droga, droga, nóis sai daqui com vontade de fumá”).
Pro evento fizemos uma decoração especial no salão do Centro Cultural. O Chico, a Patrícia e o Celso se esmeraram e ficou um barato. Um painel negro de parede inteira com a fachada de uma casa antiga (feita com fita crepe!), um teto negro, um tapete pra esquentar um pouco o ambiente, panos pretos, rendas e quadros pelas paredes, candelabros com velas roxas e pretas por toda parte. Ficou o máximo! A gente tava esperando a hora que alguém ia entrar e perguntar de quem era o velório!
Como já era de se esperar, não foi exatamente uma multidão que compareceu, mas valeu a pena, e muito. Além da “família” (a relação é difícil explicar, então esquece), tinha escritores, jornalistas e professores. Toda cidade tem um punhado de pessoas que agita a vida cultural, e eram essas as pessoas que estavam lá. A ausência mais comentada foi a do prefeito, mas deixa pra lá, não sou da cidade e não vou dar palpite na política. A trilha sonora foi Cocteau Twins, dei uma micropalestra sobre vampiros e um de meus amigos, o Branco, fez a leitura de um trecho do livro. Claro que eu usava minhas roupinhas góticas, e um rapazinho tímido chegou a me perguntar, sério e assustado, se eu era uma vampira de verdade! A má notícia: esqueci de tirar fotos. A boa notícia: o fotógrafo de um dos jornais (não lembro qual) tirou algumas, prometeu mandar por e-mail e ainda autorizou a colocar na internet. Ueba!
De resto, durante minha estada na cidade, arranjei um monte de novos amigos; filei bóia todos os dias na casa da dona Téia, e vocês não imaginam o que é a calda de vinho tinto e canela que ela faz pro manjar branco; em reuniões e em conversas informais conheci mais a fundo os problemas ambientais do município; assisti a uma sessão de cinema fantástica, não pelo filme, um blockbuster besta a não mais poder, mas pelo teatro lotado, pela atmosfera, pela cena impagável das luzes se acendendo e o Chico pedindo desculpas porque o projetor antiqüíssimo tinha dado problema mas que ia ter sessão mesmo assim (“Achei que iam me vaiar”); terminei mais um capítulo do Amores Perigosos; vi, pelo janelão da sala do apartamento, a lua cheia no céu límpido das madrugadas frias.
Por enquanto foi só, mas logo tem mais: a noite de autógrafos do novo livro, O Vampiro de Cada Um, foi confirmada para o Encontro de Escritores que vai acontecer lá mesmo, em Dois Córregos, em 16-17 de agosto.
Tenham todos uma boa semana e não esqueçam de perseguir seus sonhos e ideais.

Martha Argel

quarta-feira, 9 de julho de 2003

Bom dia a todos.

Ok, de volta ao normal.
Anteontem a garrafa durou até o final de meus planos e de minha consciência. Morri pro mundo e acordei só no dia seguinte com todas as seqüelas de uma garrafa de vinho barato, mas mesmo com o demoniozinho martelando meu crânio pelo lado de dentro e com a sensação de estar ligeiramente defasada com relação ao resto do mundo, respirei fundo, meti as caras e fui resolvendo merda por merda. Claro que isso me custou três documentos que eu teria de terminar, mas no final do dia consegui respirar aliviada.

Noite de autógrafos em Dois Córregos
Pois é, minha primeira noite de autógrafos de verdade!
No sábado, dia 12, por volta das 19:00, estarei autografando meu livro ?Relações de Sangue? no Centro Cultural de Dois Córregos (SP). Logo depois haverá uma sessão especial de cinema, com a projeção de um filme de vampiros que ainda não foi definido.
Dois Córregos é uma bonita cidade situada entre Brotas, Barra Bonita e Jaú, e já foi cenário de vários filmes do conhecido cineasta Carlos Reichenbach, que voltará a filmar lá em inícios do ano que vem. A cidade sediará, em agosto, um encontro de escritores que será bem interessante. Saiba mais acessando o site da cidade . A noite de autógrafos está sendo organizada pelo Chico Cestari, diretor do Centro Cultural. Valeu, Chico!

O Vampiro de Cada Um
Finalmente fiz a última revisão de meu próximo livro e ele entra na gráfica amanhã.
O Vampiro de Cada Um reúne 13 contos escritos entre 2000 e 2003, cada um com uma visão diferente dessa figura sedutora e assustadora.
A edição é própria. Em breve colocarei por aqui novidades sobre o lançamento.

Luar de Vampiros, de Giulia Moon
E FICOU PRONTO O LUAR DE VAMPIROS, DA ESCRITORA GIULIA MOON!!!! Ela não sabe, mas tive o livro nas mãos antes dela sequer saber que tinha saído da gráfica. Está lindo, lindo, lindo. E o melhor: é um livro ótimo, com contos excelentes, como não poderia deixar de ser em se tratando da autora. Saiba mais sobre o livro, clicando aqui. A Giulia vai estar autografando o livro no Vamp Festival 4, que acontece neste sábado, 12 de julho. Pra quem estiver interessado:

VAMP FESTIVAL 4
Data e horário: Sábado, 12 de julho de 2003, às 23:00
Entrada: Homens R$15,00, Mulheres R$13,00
Local: TRIBEHOUSE - Av.Henrique Schaumann, 517, Pinheiros, São Paulo
Ponto de Referência: Próximo à Estação Clínicas do Metrô
Telefone: (11) 3083-5876
Informações: (11) 9205-3150 / rufinoni@ig.com.br
http://www.vampfestival.tk/

O Adriano Siqueira também vai estar lá, distribuindo seu fanzine Adorável Noite.
(eu não vou, é justo a noite de minha noite de autógrafos)

Estou indo hoje para Dois Córregos. Até a volta!

Martha Argel

segunda-feira, 7 de julho de 2003

O dia hoje foi uma porrada. Pesado. Não bastava o trabalho na periferia, que é sempre uma merda. Angústia. Desespero. Como é que as pessoas conseguem viver, sobreviver, naquelas condições desumanas? Cara, eu sempre fico arrasada quando tenho de trabalhar na periferia. [aviso aos navegantes: estou completamente bêbada. Se os erros de digitação são mínimos, é porque eu, em minha obsessão por perfeição, corrijo exaustiva e mecanicamente -- obsessivamente -- toda e qualquer palavra digitada]
Não bastasse o trabalho deprimente. A revolta por viver nesta merda de megalópole desumana de terceiro mundo. Ainda por cima o celular insistia em funcionar, em despejar porrada em cima de porrada.
Cara, foi um dia ruim, muito ruim, pela carga de reveses que trouxe.
Vou, claro, sobreviver. Eu sempre sobrevivo. Corrijo meus erros, apesar de estar completamente tonta, mundo girando e tudo o mais, por um implacável piloto automático.
Ok, o dia foi difícil, mas vou sobreviver.
Só que eu poderia ter ficado sem a pentelhação de alguém que é persona non-grata neste blog. Paulo, se enxerga. Olhe-se no espelho antes de achar que pode dar lições baratas de moral. Eu já respeitei você, e suas opiniões, e seus textos. Aí eu descobri que você era só um moleque inseguro e boboca. Me esquece e não enche o saco.
Meu medo agora é que a garrafa acabe antes do alívio da inconsciência.
Como eu disse, o dia foi uma merda mas como sempre sobreviverei à angústia dos problemas que escapam a meu controle. Sobreviverei à angústia de ter, mais uma vez, convivido com a realidade da miséria de minha cidade de dez milhões de habitantes. Foi ruim. Cadê o governo para os pobres? Cadê as promessas de dignidade? Não é digno morar à beira de um córrego que é merda correndo a céu aberto. Não é digno morar uma rua que fede a lixo, a carniça. Não é digno ser cidadadão de segunda.
O que transformou o dia numa merda foi a combinação da conscîência do problema de outros com a BOSTA dos problemas pessoais advindos de estupidez, burocracia, desrespeito, descaso, incompetência, presunção...
E como eu disse, a coisa mais importante do mundo, agora, é o que resta de vinho na taça de cristal. Que, pelo menos, seja suficiente para apagar a consciência, os problemas, a bosta do senso de responsabilidade.
Ok, se eu consegui postar algo inteligível, no estado em que estou, no fim da garrafa, no fim do SACO, no fim do dia, então eu posso TUDO.
Vocês, que merecem, fiquem bem. Quem não merece, só me deixe em paz

Martha Argel

sábado, 5 de julho de 2003

Oi, todos.

Parte del aire
Ás vezes me sinto estrangeira em meu próprio país, exilada de um país que não é exatamente meu e onde nunca morei, mas onde vive a maior parte de minha família e que amo com a ingenuidade dos infinitos verões infantis que lá passei, noutras décadas, noutro século. Nestes dias não consigo conter meus pensamentos, que voam da cordilheira ao sul longínquo, se fixam por instantes em um pueblito na pampa ou pairam sobre uma velha cidade colonial no noroeste extremo, quase um outro país, quase um outro amor. Quem sabe está lá, na grande capital portenha, a raiz dessa minha europeíce teimosa num país tropical sem memórias, sem apegos à história.
Faço a mim mesma a promessa solene de em breve percorrer as ruas hoje decadentes mas ainda orgulhosas, elegantes e civilizadas, visitar livrarias que não encontram rival deste lado da fronteira, e esboçar um livro durante infindáveis horas em cafés quase parisienses.

Profissão estranha
Por essa eu não esperava. Feitos todos os exames, recebidos todos os OKs, eu já me imaginava operada, livre dos 7 graus de miopia e aposentando de vez estes malditos óculos, quando o médico me perguntou:
- Qual sua profissão?
- Sou ornitóloga.
- E como é sua atividade, exatamente?
- Coleto em campo os dados sobre as aves e uso para redigir documentos ambientais.
Então ele abanou a cabeça.
- Se você insistir, posso te operar, mas por mim não operaria. Eu não opero quem depende da visão. Por exemplo, não opero piloto de avião. E não quero te operar porque você pode perder a sua qualidade de visão e isso pode complicar teu trabalho.
E foi assim que se evanesceram meus sonhos de uma bela manhã abrir os olhos e enxergar o teto! Aprendam: ornitólogos não podem se operar de miopia. Se você for míope, faça um favor a si mesmo, evite a ornito e escolha masto, herpeto ou íctio.

Dias de bonança
Depois de tantos meses de incertezas, angústias, armadilhas criadas por meu eterno pessimismo, vivo momentos de uma paz incrível, de grandes esperanças, de energia inesgotável. Espero que dure. Espero ter, finalmente, chegado lá, naquele ponto onde o futuro se faz irreversível, desde que eu acredite que de fato o é.
Agradeço a todos que me agüentaram e me empurraram nos momentos de descontrole, que espero não se repitam nem tão cedo, nem tão impiedosos.

E no próximo post...
... conto tudo sobre a minha noite de autógrafos do próximo sábado! (já aviso que não vai ser em Sampa)

Fiquem bem.

Martha Argel

terça-feira, 1 de julho de 2003

Bons dias a todos!

A Carmilla é minha fada-vampira... ou seria vampira da guarda? Se não fosse ela eu não teria de volta os comentários, e por conseguinte a interatividade, deste blog. OBRIGADAAAAAAA! Eu sempre digo: a Carmilla sabe tudo!!!

Frases
Dois adesivos que vi em pára-choques por aí:
Veículo rastreado por fofoqueiros.
Velocidade controlada pelos buracos da prefeitura.

Consegui!
Foi no último final de semana do mês, mas este ano consegui! Fui em duas festas juninas. Quentão, vinho quente, churrasquinho, pipoca e por aí afora. As raízes falando alto.

Eu na fita!
Uia! Saí numa foto na primeira página do jornal O Democrático, de Dois Córregos, e nem precisei assaltar um banco pra isso.

O sexto morador
Já mal-acostumei o cachorrinho, agora estou me esforçando para mal-acostumar a chinchila. Sempre que vejo ela acordada vou lá e dou um petisco. O bicho não pode me ver que já dá pulos de ansiedade. Aliás, é assim que ela é chamada por aqui: o bicho. “Já deram comida pro bicho?” “O bicho tá sem água e não é problema meu” “Como fede esse bicho!”

Junguiana
[telefone tocando]
– Alô.
– Oi.
– Quem é?
– Eu.
[um instante de não-acredito]
– Oi, legal. Você me ligou porque eu acabei de te ligar?
– Eu não tenho bina. Liguei porque quis.
– Ah. [sorriso]
Sincronicidade. Não que necessariamente signifique algo.

Microterror a troi (com Eduardo Barrox & Lilian Alves)
– Me arrepia passar de noite na frente do IML.
– Também não gosto.
– É, quando era vivo eu também tinha medo.

Aproveitem os dias.

Martha Argel

sábado, 28 de junho de 2003

Vixe!
O Blogger mudou de cara. Aposto que mudou pra pior do ponto de vista do usuário. As usual.
Cheguei a onze mil visitas. E o sistema de comentários foi pras cucuias. Talvez seja o começo do fim deste blog, porque eu, como boa analfabyte, jamais serei capaz de colocar outro sistema no lugar. Eu sei porque já tentei, umas semanas atrás quando criei um novo blog.

Bom, vamos ver o que que vai rolar. "Que será, será", já dizia a Doris Day.

Enquanto o futuro não rola, alguns fragmentos da semana que passou: passei um dia infernal, sem conseguir comer e sequer tomar nada, e suspeitando da concretização de um de meus piores pesadelos: tornar-me intolerante ao leite de vaca; mas parece que foi um alarma falso (ok, apenas parece). Na quinta passei um dos piores frios de minha vida; quando o dia amanheceu eu estava na várzea do Tietê (onde ele ainda é um riacho limpo e não um oceano de merda), envolta numa neblina espessa que fazia com que o eucaliptal que eu estudava parecesse um cenário de Arquivo X. E conheci "alguém" especial: um cachorro pai solteiro! Com três bebês, bolinhas gordas e peludas, choramingantes e brincalhonas. De partir o coração. A dona da mãe queria matá-los, e a dona do pai resolveu adotá-los. O pai aguenta os bichinhos e faz companhia pra eles, mas os coitadinhos ainda deveriam mamar e ser cuidados pela mãe por pelo menos dois meses mais. Tem casos em que acho que o apedrejamento até a morte é uma pena suave para a maldade humana.

É isso. Espero ter em breve de volta os comentários de vocês.

Tenham um bom final de semana

Martha Argel