segunda-feira, 14 de maio de 2007

14 de maio de 2007, Segunda-feira

Voltei!!!!!!

Como vocês perceberam, sumi do ar durante toda minha estada em NY. Foi uma correria. Um resumo rápido desses últimos dias:

No domingo, dia 6 fiquei horas no jardim do John, andando de um espaço a outro, olhando as plantas, pensando na vida. Percorri o jardim não apenas ao vivo mas também nas páginas de um livro sobre os jardins mais belos do mundo, que tem um capítulo inteiro dedicado a ele. Simplesmente maravilhoso.
Uma historinha pitoresca: quando estava me falando sobre os portugueses em Rhode Island, o John contou que a mãe dele tivera um jardineiro de origem portuguesa, de sobrenome Cadeira; ele não sabia o que a palavra significava, e expliquei que era tanto quadril quanto o móvel que usamos para sentar. Mais tarde, quando estava passeando pelo jardim, cheguei em um espaço onde havia algo bizarro, duas cadeiras prateadas que, olhando de perto, eram feitas de imitações de ossos humanos. Eu tinha descoberto o paradeiro final de Mr. Cadeira (e provavelmente de Mrs Cadeira, é claro!).
Um de nossos passeios por Little Compton nos levou a Wilbour Woods, uma floresta linda, onde as árvores ainda estão nuas enquanto a vegetação rasteira já está verde. Fantástico. Ficamos imaginando trolls embaixo das pontes, altares de sacrifício e rituais tenebrosos. De noite deve ser arrepiante.
À tarde voltamos para Nova York, e chegamos bem na hora! Faltavam quinze minutos para Blood Ties, episódio 10, começar. UEBAAAAAAA! Vi "ao vivo" a já histórica cafungada do Henry no pescoço da Vicki. Babei de inundar o quarto, rsrsrs.

De segunda a quinta, 7 a 10 de maio, fui todos os dias com o John para o Zoológico do Bronx, trabalhar no projeto Aves do Brasil. Junto com a Kat, trabalhamos pra caramba, e finalmente conseguimos um entrosamento quase perfeito. Parece que até que enfim encontramos um ritmo para o projeto. Um fato digno de nota foi ter encontrado, tomando um lanche, Amy e Bill Vedder, os cientistas responsáveis pela proteção dos gorilas da montanha em Ruanda. Parece que os dois são bem importantes. E ficaram me elogiando um monte por estar tocando adiante o projeto Aves do Brasil, depois que o John babou bastante o meu ovo. Meu ego foi às alturas :-).
De manhã, antes de irmos trabalhar, sempre dávamos um pulo no Central Park pra observar aves, mas este ano o movimento estava fraco. A gente achava um monte de birdwatcher meio atarantado, resmungando que as aves não tinham chegado, o movimento tava fraco, só tinha umas poucas espécies. Estavam perdidinhos, perdidinhos!
Minhas refeições ao longo dessa semana foram muito legais. Os almoços foram sempre coisas rápidas no Dancing Crane, o gostoso restaurante dos funcionários do zoo, que parece um desfile de celebridades da conservação internacional da vida silvestre. Eu fico deslumbrada cada vez que vou lá. Os jantares primaram pela qualidade culinária, especialmente na casa do John. MF é realmente um cozinheiro de mão cheia, e ficava me mimando não só com seus pratos deliciosos mas com petiscos, chocolate, vinhos e muita bobagem divertida, que me fazia rir um bocado. Muito legal!
Na quinta feira fui comer com Kat e Pat num restaurante etíope. Gostei muito. Bem diferente, a comida vem sobre uns pães que parecem panquecas, e a gente come com a mão. Tinha um vinho branco etíope também, mas era um tanto doce. Foi ótimo ter saído com elas!

Tirei folga na sexta-feira, dia 11, pra passear e me despedir da cidade. De manhã fui ao Metropolitan Museum. Dica: a entrada de 20 dólares é apenas sugerida. Você chega no balcão e paga quanto quiser. Eu encostei e perguntei "tudo bem pagar 10?". Tudo. Se tivesse dito 5 também seria tudo bem. Visitei, claro, a ala dos pintores europeus. Depois zanzei meio a esmo pela parte da arte asiática. Interessante. Mas minha praia é, sem dúvida, arte européia dos séculos XV a XVIII.
Depois me encontrei com MF na Union Square, pra almoçar. Compramos comida num restaurante e sentamos na praça, um dos melhores lugares para ver o mundo inteiro passar. Rimos muito. Quanta gente bizarra! Quando ele foi embora, fui a uma Barnes & Noble, ali mesmo na praça, onde sempre vou, e por fim decidi que era hora de começar a ir embora de NY. Voltei pra casa, catei minhas coisas e às sete da tarde estava na rodoviária, Port Authority Station, onde encontrei o Gui.
Fomos jantar e fazer hora num restaurante tailandês. Nunca tinha provado a culinária Thai. Muito boa, apesar de apimentada (mas nem aos pés da coreana!). Em seguida passeamos por uma área recém urbanizada ao longo do rio Hudson, até dar a hora de ir à rodoviária.

Drops de Nova York

* continua meu problema com o transporte público. Tomei um trem expresso e baldeei direitinho na estação correta, paro o trem local que me levaria para "casa". Estava toda orgulhosa quando o alto-falante irrompe num blablabla ininteligível. Só peguei "this is not [alguma coisa] [alguma coisa] express train". Raios! Só podia ser uma coisa, e saí correndo do trem, bem a tempo. Aquele trem não seria local, seria um expresso, e se eu pegasse, ia parar só umas três estações depois da minha! Por pouco não me ferro de novo nos subterrâneos de NY.

* ainda no metrô: um dia entrei num vagão quase vazio, só eu e outra moça. Na estação seguinte, subiu um sujeito grandalhão, todo tatuado, e sentou quase na minha frente. O elemento começou a sacudir a cabeça, falar sozinho, fazer movimentos bruscos, como se estivesse sendo perturbado por assombrações. Chapado até as orelhas. Fiquei assustadíssima, porque cada braço dele parecia ser mais grosso que minha cintura, mas fingi que não havia ninguém ali comigo. Ainda bem que desci duas estações depois. Me disseram que esses tipos são comuns no metrô. "São inofensivos. Você só não pode olhar pra eles. Nunca olhe. Fica tudo bem." Ufa. Fiz a coisa certa.

* as tulipas estão por toda parte. De novo.

* e os cachorros continuam simpáticos. Nunca vi seres caninos tão amigáveis. Se você demonstra interesse, os donos deixam eles subir em cima de você, te lamber, te sujar com as patas enlameadas. Sempre orgulhosíssimos de seus pequeninos.

* usar patinete como meio de transporte? Sim. Vi uma garota chegando ao Metropolitan, desmontando de seu veículo e dobrando-o enquanto subia as escadas. Prático.

* desperdício é o nome do meio desta terra. A quantidade de junk mail que as pessoas recebem é tremenda. Cada fast food que você come gera um volume impressionante de lixo (reciclável, mas será que todos se preocupam em?). E num dia de especial calor, passei por um hidrante que jorrava um Niágara na rua. Me espantei. "É comum", disse o John, "Os moradores abrem para refrescar a rua. Precisa ver no verão, isso acontece por toda parte. Quando deixam a água espirrar para cima, como uma fonte, a polícia costuma fechar a rua para as crianças poderem brincar."

12 de maio - sábado

Neste instante estou em um ônibus, voltando para Toronto, e espero chegar lá com menos de duas horas de atraso. Quem reclama da desorganização do Brasil nunca tomou um dos desconfortáveis ônibus da Greyhound na rota NY-T.O. (pelamordedeus, são as duas principais cidades da América do Norte!).
Começou na rodoviária de NY: o horário na passagem estava errado, mudaram nossa fila pra outro portão e depois de volta para o original, deu confusão entre os passageiros da fila e entre os funcionários. Acabamos saindo mais de meia-noite. Durante a viagem, não houve "parada técnica" porque o local costumeiro estava fechado (!), tentamos ainda um McDonalds, mas também estava fechado, e acabamos tendo de usar uns horríveis banheiros químicos. Mais adiante, já de dia, e sem ter parado nem um instante para comer algo, paramos no meio do caminho pra uma diabética ir comprar não-sei-o-quê, mas a gente não pôde descer. Já mais do que atrasados, o motorista se perdeu em Buffalo e não conseguia achar a rodoviária (até que um passageiro ajudou).Em Buffalo, primeiro disseram que a gente tinha que descer com toda a bagagem pra mudar de ônibus, aí disseram que não, não podíamos descer nem pra ir no banheiro, e então disseram, "Tá legal, 10 minutos. Rápido que agora só tem nove. Vamos, vamos, são oito minutos". Consegui descer no quatro, fiz xixi em três e depois que voltei ao ônibus fiquei esperando um tempão. Enfim chegamos na fronteira. Tudo fechado, ninguém apareceu pra nos orientar. O motorista teve de ir atrás de alguém que explicasse como abria a porta da imigração pra gente entrar. Passei sem problemas, mas só porque já conheço os procedimentos. O agente da imigração ia esquecendo de recolher um documento que tinha de ficar com ele, e precisei lembrá-lo. Putz, se eu não tivesse percebido, provavelmente ia ser uma encrenca quando voltasse pros EUA. No fim, ainda esqueceram de devolver a carta de motorista do chofer do ônibus, e ele teve que voltar pra pegar!
Moral da história: em certas coisas a gente tá muito bem!!!

Não tenho muito o que dizer do resto do sábado e do domingo, 13 de maio. Dormi muito e me recuperei da viagem. Vida caseira.

Amanhã eu volto!
Beijos e queijos
Martha Argel

(e não esqueçam que tem um monte de fotos no multiply! http://marthaargel.multiply.com )

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Sem posts por agora

Gente, perdão por sumir, ando terrivelmene ocupada, milhões de coisas pra decidir, e ainda por cima uma editora me pediu um textinho, que tive de escrever e mandar a toque de caixa. Nada extremamente importante, mas gostei de fazer aquilo. Logo logo conto pra vcs o que foi. Espero hoje conseguir postar alguma coisa, mas nao prometo.

beijos a todos, daqui desta Nova York onde a primavera enfim se instalou!
Martha Argel

segunda-feira, 7 de maio de 2007

6.mai – Domingo

Morrendo de sono, só vou postar algo (longo) que escrevi hoje de manhã. E amanhã em mais, incluindo fotos!

Fui!
M

Neste momento estou deitada em minha cama aconchegante, certamente muito mais velha do que eu, em um quartinho de sótão e teto de duas águas, em Little Compton, Rhode Island. Ao meu redor, entre outras companhias, dois carrinhos com tacos de golfe, um espelho com armação de madeira (com certeza uma passagem para outra dimensão), e um carrinho verde de lata. Nenhum deles deve ter menos de cinqüenta anos. Lá fora o dia está nublado e o gramado verde. As árvores lentamente se vestem de folhas novas e os jardins estão rebrotando, no expectante intervalo entre os narcisos já em plena floração e as tulipas quase-mas-ainda-não-no-ponto. Meu cérebro tropical custa a assimilar a metamorfose completa e radical da primavera das latitudes temperadas. Que coisa!
Um momento de calmaria, que faço o possível para estragar com laptop, iPod e câmara digital, esmagando com o século XXI o clima de 1930.
Resumindo os dois últimos dias.
Sexta-feira 4
saí com a Clau pra mais um dia de Meals on Wheels, entregando comida pra velhinhos descapacitados. O runner era Eugene, um bonitão descendente de Ucranianos, com quem a Clau e eu tínhamos de tomar cuidado ao falar português, pois o cara tinha um dom para línguas e entendia quase tudo o que dizíamos. Minha priminha ficava tentando me convencer de que o cavalheiro era um bom partido. Bonitão mesmo, e belos olhos azuis. Enquanto eles cumpriam as complicadas tarefas de encontrar as ruas, separar as refeições e entregar, eu estava noutro mundo, rabiscando cenas provavelmente imprestáveis para meu livro.
Terminada a tarefa, fomos almoçar. Depois do fiasco da comida coreana, a Clau não arriscou e me levou num restaurante brazuca. Todos falando português, coxinha no balcão e Vale a Pena Ver de Novo na tevê. A Clau comeu arroz com feijão.
Voltei sozinha para casa de metrô, e foi esquisito. Há um ano não fazia isso. Tudo parecia novidade, e ao mesmo tempo tão familiar.
É uma sensação estranha estar em Toronto. Me sinto em casa, conheço as ruas, sei as lojas onde quero ir. Mas estou a milhares de quilômetros de minha casa de verdade. Como é que essas coisas acontecem? A distância desaparece. Um lugar que até dois anos atrás era um ponto inatingível em um mapa de atlas de repente é real e cotidiano, e vira um lar com o qual você não tem qualquer conexão histórica, a não ser a mais recente possível, aquela história que a gente cria sem perceber, no dia a dia.
De qualquer modo, rompi essa conexão no momento em que, algumas horas depois, subi no ônibus rumo a Nova York. Outra casa longe de casa.
A viagem foi parecida com a que fiz quase dois anos atrás, a não ser que a sempre tensa passagem pela imigração foi muito mais tranqüila, parte porque eu já sabia o que me esperava, parte porque o funcionário que me atendeu era simpático, e parte porque junto comigo estavam passando dois italianos, um rapaz e uma moça, com que tinha feito amizade no ônibus. No fim acabamos todos, incluindo os funcionários, falando italiano, rindo e fazendo piadas. Realmente incomum para uma entrada nos EU da América.

Sábado 5
O amanhecer nos encontrou em New Jersey, e havia uma lindíssima lua quase-cheia no céu. A claridade insipiente da manhã transformou o skyline de Nova York numa pintura maravilhosa, que apareceu por curtos segundos no horizonte antes que mergulhássemos no túnel que nos levou, por baixo do rio Hudson, para o coração da Big Apple.
Fiquei muito orgulhosa de mim, ao desembarcar decidida e saber exatamente o caminho até o ponto de táxi, que tomei como se fizesse isso todo dia.
Como o Central Park estava lindo! Verdíssimo, a primavera muito mais avançada que em Toronto. De novo a sensação esquisita, e ainda mais forte. Aqui não tenho família, não tenho brasileiros ao redor, mas tenho bons amigos e uma independência muito maior. Se me dissessem algum dia que estaria por minha conta em NY, eu pediria pra contar outra piada.
O táxi me deixou em frente ao “meu”prédio. O porteiro uniformizado me cumprimentou, abriu a porta pra mim e me entregou as chaves do “meu” apartamento. Tinha um bilhete de boas vindas na porta. Eram seis e meia da manhã e eu tinha chegado em casa.
Mais tarde tomei com meus amigos um café da manhã meio truncado. Enquanto púnhamos em dia as novidades, a pergunta: vamos pra Rhode Island hoje? SIM!!!
Ok, então minha estada em NY durou umas quatro horas (que aliás renderam: fomos ao parque, fizemos umas compras, comemos pizza, o MF achou uma muleta no lixo e saiu usando, só para esquecê-la na porta de uma farmácia, observamos aves, comentamos sobre as pessoas, achei uma cabeça de passarinho).
O dia estava simplesmente espetacular para viajar. Tivemos uma viagem maravilhosa. Paisagem linda, companhia interessante e divertida, estrada tranqüila. Ei, que tal esquecer de voltar pro Brasil? Hum, tá. Ok.
Já em Rhode Island paramos pra comprar o jantar: halibut (um peixe), camarões (enormes, e diferentes dos brasileiros, aos menos para meus olhos de zoóloga), little necks (um tipo de marisco), chouriço e inhame.
HEIN???? CHOURIÇO E INHAME?! Pois é, acreditem se quiserem, mas aqui na região de Little Compton tem uma tradicional colônia portuguesa, pescadores que se estabeleceram há muito tempo e que influenciaram a cultura local. Tem missa e jornal em português. E do café da manhã consta um pãozinho doce português que hoje vou experimentar.
Coisa mais doida! Amaral, Goulart, Coelho, Cadeira. Todos esses nomes você vê por aqui, neste cenário de filme 100% estadunidense tradicional.
Surpresas, surpresas. A vida está cheia delas.
Bom, chegamos na casa, me instalei neste lindo quarto, que eu tinha ocupado da outra vez que estive aqui, e saímos para explorar.
Tudo tão, tão lindo quanto eu me lembrava. Ou ainda mais, porque agora tem sol.
Mas não vou descrever. Vejam as fotos no multiply (incluindo o álbum da viagem passada, ok?).
Agora vou tomar o café da manhã que me trouxeram na cama. Eita!
Depois tem mais.
Beijos e paes de queijo!
Martha Argel

sexta-feira, 4 de maio de 2007

4 de maio – Sexta-feira

Meu humor deteriorou-se rapidamente ontem pela manhã, depois de um alerta de vírus no computador. Fiquei horas mexendo com isso, mas acho que me livrei dele. Mas fiquei muito, muito irritada. Para me acalmar fui... lavar louça. Uma longa e relaxante sessão de dishwashing.
Depois disso, catei meus quadrinhos da Anita Blake, Vampire Hunter, e fui pra praça, sentar ao sol e ler. Meu, que gelado tava ontem! No sol até que estava ok, mas o vento estava implacável. Mas meu estado de espírito melhorou deveras, ainda mais que por fim consegui acertar os detalhes para minha ida a Nova York.
À tarde a Clau e eu tomamos o metrô e fizemos uma visitinha a um Value Village. Pra quem não sabe: é uma rede de brechós gi-gan-tes-cos. Comprei dois jeans (um deles é Old Navy) e três tops por menos de 60 reais. E este é só o começo, hehehe. Da primeira vez que vim a T.O. refiz meu guarda-roupa, e as peças que comprei ainda estão entre as minhas favoritas. Pretendo repetir a dose.
Saímos de lá carregadas de mochilas e sacolas. Duas sacoleiras em Toronto.A Clau comprou um brinquedo enorme para o Andrew. O brinquedo desandava a falar quando mexia. Com o imenso saco plástico na mão, ela olhou pra mim com cara de pânico. “Carregar isso no metrô. Meu, que mico!”. Mas carregou. E metrô cheio, ainda por cima. Foi engraçado, o troço ia chiando a cada encontrão.
Paramos pra pegar o Andrew no daycare, e voltamos pra casa de street car, isto é, bonde. Muito bonitinho! O Bonde desceu pela Spadina, que atravessa o coração de Chinatown. Pra quem assiste Blood Ties, Spadina é onde acontece o crime que abre Hearth of Ice. Tanto esse quanto o seguinte se passam ali pelos arredores.
Só que o transporte coletivo norte-americano deve ter algo contra mim. Já enfrentei zicas nos metrôs de NY (várias vezes) e de Toronto, tipo o trem parar e não sair mais, ou pegar pro lado errado. Desta vez, o street car parou numa dada altura e todo mundo teve de desembarcar, porque os trilhos estavam com problema. Toca todo mundo esperar por um ônibus pra seguir viagem. Ônibus, claro, apinhado. E a Clau com o Andrew pela mão e o brinquedão barulhento. Mas no fim deu, como dizem, tudo certo.
Bom, viajo hoje de noite num busão corujão para New York, New York. Não sei como será minha conexão por lá. Fiquem de olho.

Beijos a todos
Martha Argel

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Passei quase todo o dia de ontem às voltas com meu computador. Resultado: estou conectada. Com todas as alegrias e dores que isso traz. Às vezes internet é uma perda de tempo incompreensível, principalmente quando você se torna adicto.
Mas passando ao que interessa.
A grande aventura do dia foi uma incursão na culinária coreana, sugestão da Claudia. Cacete. Quanta pimenta. Tomei uma sopa de frutos do mar até o fim, apesar das lágrimas que me inundavam os olhos. Quer saber? Tava boa! Ninguém mais na casa conseguiu comer.
E de tarde, cansada da imensa inação acarretada pela nerdice internética, resolvi sair e ponto final. Um pecado resistir ao sol lá fora. Saí a esmo, atravessei o Sculpture Garden, onde sempre tem alguma novidade, e claro que tinha. Uma tiazinha empoleirada num andaime estava brincando de aranha diligente, usando uma fita transparente que enrolava nas árvores e puxava para criar umas bizarras estrelas tridimensionais, a uns três metros de altura. O parque já estava todo amarrado, de um lado a outro. Arte. Ok.
Sem saber direito o que fazer deixei-me levar pelos meus passos. Aonde? The Biggest. A maior livraria do mundo. Adivinha só. Mas até que fui bem comedida. Peguei só os lançamentos mais recentes (pocket books, hardcover nem a pau!) das minhas séries favoritas. Não comecei nenhuma nova. Até ao Dresden Files resisti. Só não pude resistir a uma bela edição de contos e poemas de Edgar Allan Poe, numa edição belíssima apesar do erro tipográfico que encontrei logo no índice.
Bom, e só. Estou de saco cheio de ficar na frente do computador. Tenho que organizar minha viagem a NY.

Beijos a todos
Martha Argel

quarta-feira, 2 de maio de 2007

2 de maio – quarta-feira


Bom, não sei o que era, mas não era gripe. Ontem eu me sentia horrível pela manhã, e o único termo técnico para descrever meu estado era “esquisito”. Além do mais, o céu voltou a ficar todo cinzento e a temperatura caiu violentamente. Assim, em homenagem ao dia do trabalho, passei quase o dia inteiro dentro de casa trabalhando.
Depois que a turma toda saiu – Terry para o trabalho, Claudia para a universidade, Andrew para o daycare, consegui terminar e enviar o documento de impacto ambiental que estava devendo.
Em seguida, suspirei fundo e peguei todas as anotações para o maldito livro novo. Não consegui avançar muito, só revisei parte do que já estava escrito há anos, e quando fui ver já estavam todos de volta em casa. Fim da agonia, ainda mais que a Clau e eu íamos sair voando.
O compromisso dela, na parte oeste da cidade, me levou muito perto de um lugar que estava shortlisted pra ser visitado desde antes de eu sair do Brasil, e logo logo eu estava diante...
... da livraria The Beguiling! Ueba! Foi nessa livraria que, na década de noventa, um sujeito chamado Peter Mohan encontrou um livro interessantíssimo de vampiros, um tal de Blood Price, de uma tal de Tanya Huff, e decidiu que algum dia faria uma adaptação dele para a tela. Pois é, foi na The Beguiling que nasceu o Blood Ties, muitos anos atrás. E a loja é homenageada no quarto episódio da série (Gifted, o mais fraquinho, mas tudo bem...), aparecendo logo na primeira cena.



Bom, a fachada é dela mesma, mas o interior que aparece no seriado, incrivelmente arrumadinho, não tem nada a ver com a bagunça que recheia the real one! É demais. Os vendedores com que conversei, Peter e Chris, são muito menos esquisitos e mais simpáticos (sem dizer que são bem mais bonitinhos) que os dois nerds do seriado, mas não eram menos nerds.
O Peter me contou que Mohan costumava ser um cliente assíduo da livraria no passado. Eles não sabiam muito sobre o seriado, só que estava sendo filmado, e não tinham idéia de que a livraria tivesse aparecido em um episódio. O Chris ainda sabia alguma coisa, mas os dois ficaram impressionados em saber que BT já tinha uma legião de fãs pelo mundo todo. O Peter comentou com o Chris que eu havia dito que já havia um bom número de fãs no Brasil, e me disse “Eles adorariam saber disso”. Bom, a verdade é que eu também adoraria contar isso a “eles”, quem quer que fossem...
No fim, o Peter acabou me perguntando se eu conhecia uma série de quadrinhos chamada Anita Blake e eu quase caí dura de susto. Caramba!!!! Eu tinha esquecido TO-TAL-MEN-TE dos quadrinhos. É a adaptação de Guilty Pleasures, de Laurell K. Hamilton, primeiro livro de uma série sobre a supracitada Anita Blake, uma reanimadora de mortos e caçadora de vampiros que se envolve com o espetacular Jean-Claude, Mestre-Vampiro da cidade de Saint Louis. A série foi minha porta de entrada para a moderna literatura de vampiros, que tem nas duas,Tanya Huff e Laurell K. Hamilton, dois de seus mais altos expoentes. Eu já mencionei pela ducentésima qüinquagésima nona vez que eu amo as duas de paixão?! Pois é, foi lendo Guilty Pleasures que encontrei o tom exato que eu queria para o Relações de Sangue.
Resultado, esqueci por completo de Blood Ties quando pus a mão em quatro edições dos quadrinhos da Anita Blake. Eu estava quase babando ali na frente do vendedor. Droga, faltavam os números 2 e 4. Mas tudo bem, ainda tem muito chão pela frente. Em Toronto ou em NY com certeza eu acho os números que faltam.
No caminho de volta para casa passamos no Nosso Talho, o açougue português, e na Nova Era, padaria idem. Nosso jantar foi pão francês com queijo meia-cura e guaraná Antártica. Gostinho de Brasil, a Clau estava no paraíso.
Depois de fazermos a laundry (lavar a roupa na lavanderia coletiva – e paga – do prédio) instalei-me para ler meus quadrinhos a-lu-ci-nan-tes. Homens seminus, yesssssss!!!! E Anita Blake sempre em situações absolutamente desconfortáveis.
Bem, foi um pouco difícil continuar concentrada nas cenas de sedução quando TODA a família Barcellos-Hill resolveu me azucrinar todos-juntos-agora-e-ao-mesmo-tempo. Andrew: “Titaaaa, quer escutar música?”, e tome Ol’ McDonald’s farm e Twinkle, twinkle, little star. Terry: “Maramarta, você não quer assistir The Queen? Filme excelente!” Claudia: “Ti-ííí, você quer ajudar a salvar as marmotas, coitadinhas? Olha só que bunitinhas, não são uma graça?” E tome uma coleção de cartões postais de ratos gordos.
Aaaaaaaaah, STOP IT!
Quando me livrei de todos e retomei a leitura, descobri que o sexto e último livro termina exatamente quando o Phillip está pra beijar a Anita e que a história só continua... em setembro!!!! QUERO MORRER!
Bom, depois de tudo isso, só me restava ir pra cama e capotar.

PS. Vocês acham que terminaram as emoções? Lá pelas quatro da manhã ouvi ruídos no quintal e o que parecia ser um cachorrinho chorando. Quando consegui acordar de verdade e olhar pela janela, o barulho tinha parado e eu não vi nada. Voltei pra cama e daí a pouco ouvi de novo. Eu sabia o que era. Catei a máquina fotográfica, passei pelo Terry que roncava na sala, em frente à televisão sem som, e abri a porta de vidro que dá para o quintal. Lá estavam dois dos seres noturnos que assombram os quintais de Toronto. Dois gordíssimos racoons (guaxinins) se esbaldando nos restos de comida que a Clau tinha colocado para os passarinhos. Demorou pra eu me entender com a máquina, mas desta vez, ao contrário de dois anos atrás, consegui fotografar os bichos enquanto eles escalavam a cerca com muita dificuldade (eram enormes!) e sumiam pelo pátio afora. Muito legal!

terça-feira, 1 de maio de 2007

1o. de maio, terça-feira

Aiaiai, tô achando que uma gripe tá me pegando. O dia de ontem foi bastante parado. Fiquei em casa toda a manhã, tentando terminar um trabalho que não tive tempo de fazer no Brasil. Ok, isso e uma boa dose de enrolação, também. Sabe quando você não está realmente a fim de fazer uma coisa? Enquanto isso, o sol brilhava lá fora, convidativo.
Ao meio-dia, resolvi que era suficiente e me mandei.
Voltei a uma pracinha legal, Court Square, aqui perto, pra sentar ao sol e meditar sobre a droga do livro empacado. Putz, tinha um maldito caminhão parado, com o motor ligado, fazendo tanta zoeira que não dava pra ouvir os próprios pensamentos. Os fones do iPod bem enfiados nos ouvidos resolveram em parte, mas não tudo. Na falta de inspiração não tem iPod que dê jeito.
Depois de rabiscar alguma coisa sem muita vontade, resolvi, finalmente, ceder ao impulso de ir a duas de minhas livrarias favoritas, o sebo BMV e The Biggest Bookstore in the World. Uma fica do lado da outra. Ns viagens anteriores fiz a feira lá. Desta vez o resultado foi decepcionante. Acho que elas ainda não se recuperaram de minhas investidas passadas, especialmente o sebo. Na Biggest achei praticamente todos os livros da minha lista, mas a lista na verdade não tem muita coisa realmente interessante, e acabei não levando nada, só fiz prospecção. Minha sacola já estava pesada demais com um livro gooordo que comprei no sebo.
Saindo de lá fui até o escritório da Sheila, e no caminho comprei minhas passagens para NY. A Sheila trabalha num lugar amplo, e muito iluminado, um quarto andar com uma bela vista da cidade. Passamos uma meia hora de conversa agradável, com um gostoso chá de baunilha.
Voltando pra casa, da novamente de posse da sacola esquecida no carro da minha amiga, o corpo começou a reclamar. Dores por todo canto. Que não me impediram, porém de... ueba!... fazer compras!
Já em casa, estavam todos lá, Terry, Claudia, Andrew. Ainda pensei em sair pra bater perna depois que a noite caísse – já anoitece supertarde, umas oito e meia da noite – mas o mal-estar falou mais alto. Tivemos um jantar delicioso, de salmão com batatas e moyashi (grande Clau!) e depois de algum tempo enrolando, batendo papo com eles e nos divertindo com a birra teimosa do Andrew, resolvi dar o dia por encerrado.
Ah, sim, em algum momento do fim do dia chequei os e-mails, e tinha um de minha amiga Pat, de NY, me contando que o episódio 9 de Blood Ties, que passou neste domingo lá, foi escrito pela própria Tanya Huff, e é exelente!!!! Ai, que ansiedade pra assistir!

Beijos e queijos a todos!
Martha Argel

(ah, aqui não é feriado hoje)

segunda-feira, 30 de abril de 2007

30 de abril - segunda-feira

O sol apareceu!
Ontem tivemos um dia lindo, ensolarado, de temperatura agradável. Foi o primeiro domingo de mangas curtas e shorts depois do inverno, e as pessoas estavam francamente felizes.
Sete e meia da manhã meus amigos Sheila e Larry passaram para me pegar e fomos para o Tommy Thompson Park, fazer um pouco de birdwatching. O local é um antigo aterro no lago Ontario, que acabou virando refúgio da fauna. Fica bem pertinho aqui da casa da minha prima. Foi ótimo, conseguimos ver um bom número de aves, inclusive algumas (creio que três ou quatro) que eu nunca tinha visto antes. Meu preferido foi um pato de cauda longa, o Long-Tailed Duck, preto e branco, muito elegante. Durante a passarinhada cruzamos com muitos outros birders, inclusive um que me convidou para falar sobre o projeto Aves do Brasil numa reunião da Sociedade Ornitológica de Toronto. Infelizmente não vai dar porque é na segunda-feira que vem, quando vou estar em NY.
Conversamos muito. Além de gostarmos de observar aves, o Larry e eu temos outra coisa em comum. Ele é escritor, e muitos anos atrás publicou, com o nome de L. A. Morse, alguns romances noir, daqueles com detetives cínicos, muita porrada e cenas gratuitas de sexo... Eu achei ótimos!. Um deles até acabou no cinema, com Robert Mitchum e Ernest Borgnine. Mas o Larry acabou desistindo por um motivo ou por outro. Desde o ano passado estou insistindo pra ele voltar a publicar. Ele, por sua vez, insiste para que eu tente o mercado norte-americano. Aiai.
Fizemos um pic-nic maravilhoso na beira do lago, de frente para uma imensa colônia reprodutiva de Ringed-billed Gulls, uma espécie de gaivota que é quase uma praga aqui.
Fiquei com medo que elas viessem nos assediar por causa da comida. Vocês acham que é exagero? Outro dia a Yasmin, uma amiga minha que está de dieta, contou que ela estava em frente ao City Hall, a prefeitura, e resolveu comer batatas fritas, que ela não comia havia meses. Ela caminhava com o pacote na mão, prestes a colocar uma na boca, quando foi atacada por trás por uma gaivota, num vôo rasante por cima de sua cabeça. O bicho arrancou a batata da mão dela com o bico e derrubou o pacote no chão! A Yasmin ficou roxa de raiva e a contragosto manteve a dieta.
Mas, para sorte nossa, não fomos atacados pelos 56 mil casais de gaivotas que nidificam na colônia. Só as formigas volta e meia passeavam por cima do queijo. E vimos uma borboleta! Se bem que o Larry informou que já tinha visto uma faz uma semana. Ah, muito estranho isso de ter as estações tão marcadas.
A vegetação está apenas começando a rebrotar. As geminhas das folhas ainda não se abriram, e os bosques ainda parecem mortos. Um aspecto importante dessa falta de folhas é que ir “no matinho” se torna um problema complicado, em especial num parque público cheio de gente... incluindo dezenas de pessoas com binóculos. Na hora do aperto, porém, a gente sempre dá um jeito.
Eles me deixaram em casa no meio da tarde, e nem bem entrei no prédio percei que tinha esquecido uma sacola no carro deles. Parecia um pretexto, que Sheila e eu aproveitamos bem: hoje vou visitá-la em seu trabalho para pegar a sacola e vamos tomar um chá juntas.
Passei o resto da tarde inquieta, dando uma volta pela vizinhança, aproveitando o sol gostoso para sentar em bancos de praças, aqui e ali, e pensar na vida. Mais especificamente: pensar no livro que estou escrevendo e que está encalacrado numa cena que acho chata. Num dos bancos que sentei, dormi como um bebê!
Na volta pra casa, olhem só, achei uma ponta de estoque de livros, e claro que terminei o passeio bem mais carregada do que tinha começado. Pronto. Está aberta a Temporada Anual de Ataque aos Sebos!

(Blood Ties? Ah, sim! Estou agoniada, ontem foi ao ar o nono episódio lá nos EUA, e não tenho idéia de quando vou assistir. Enquanto isso, passei pelo cruzamento das ruas Victoria e Richmond. As ruas fazem o que todos os fãs esperam no seriado, rsrsrs. A foto está no multiply, http://marthaargel.multiply.com).

domingo, 29 de abril de 2007

29 de abril, Domingo

Ontem foi mais um dia de tempo besta, nublado e meio frio. Tivemos um sábado brazuca, almoço com convidados na casa da Claudia e convite para jantar na casa de amigos. Estou comendo demais, não nego, mas o que fazer se a brasileirada por aqui cozinha bem e gosta de se reunir?
Visitei duas casas que tem gatos e minha bronquite alérgica se comportou muito bem.
Passei de novo na frente do prédio do vampiro, em Avenue e Bloor. Todo dia agora, é? E estou relendo o primeiro livro da Tanya Huff, Blood Price. No livro a esquina onde o vampiro mora é ligeiramente diferente. Vou dar um pulo lá pra fotografar, algum dia desses.
Bom, fora isso, nada de relevante, I think.
Hoje, domingão, vou sair pra fazer um pouco de birdwatching.
Às dez da noite (hora local) vai passar Blood Ties nos EUA (não aqui, droga) e sabe deus quando é que eu vou poder assistir, já que não tenho eMule e meu computador ainda não está com o wireless (e acho que nem vai estar).

beijos a todos
Martha Argel

sábado, 28 de abril de 2007

28 de abril

Ontem o dia continuou nublado, úmido e frio, embora a temperatura tenha subido um pouco.
Durante a manhã, acompanhei a Claudia no trabalho voluntário que ela faz, num programa chamado Meals on the Wheels, subsidiado pela prefeitura de Toronto, que entrega refeições para pessoas idosas incapacitadas, por algum motivo, de preparar seu próprio alimento. Ela atua como motorista, e trabalha junto com um runner (entregador). É incrivelmente complicado.Tem um itinerário a ser cumprido, e cada idoso atendido tem uma dieta específica – sem sal, para diabetes, com ou sem suco, ou leite, ou pão, ou sopa, e milhões de outras variações. Na planilha tem anotações como “Bata forte na porta e espere” ou “Lento, seja paciente”. O runner que pegamos ontem era um equatoriano todo atrapalhado, que quando errava o itinerário (as ruas eram super-confusas) ficava “oh, no, sorry, I screwed up!”. A Claudia teve de ir entregar duas ou três refeições, e voltou deprimida. Apartamentos sujos, velhinhos solitários, vidas difíceis. E isso que eles têm assistência. Como não serão os nossos, e nosso triste país de submundo.
Depois do trabalho, fomos à U.of T., a universidade de Toronto. A Clau tinha um compromisso, e eu saí pra bater perna. Aproveitei e voltei à esquina onde mora o vampiro, pra tirar mais umas fotos e ver de novo o prédio novo do museu, desta vez sem chuva... ou quase. Mas o tempo continuou não ajudando.
No final da tarde, saí em busca de mais lugares, e cheguei à delegacia de polícia onde o Mike Celluci trabalha. Legal, fica atrás de uma loja Staples onde sempre vou comprar material de papelaria. É que nem a Kalunga, mas melhor.
De noite fomos à casa do Hugo, um amigo nosso. Com 19 anos saiu de casa, começou a trabalhar e consegue manter-se em seu apartamentinho, um basement muito gostoso e confortável, num bairro muito bonito. Quando que um adolescente consegue isso no Brasil?!
Umas dez da noite voltamos pra casa e resolvi sair pra bater perna pela cidade. Foi uma longa caminhada, muito legal. O centro da cidade é lindo de noite! Tirei um monte de fotos, e algumas estão na minha página do multiply, http://marthaargel.multiply.com.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Dia 27 de abril

Cá estou, em Toronto, de madrugada, sentada no chão de meu quarto, na frente de um computador enquanto o resto da casa dorme. Foi desse mesmo jeito que comecei a escrever o Relações de Sangue (bom, ao menos o conto que deu origem a ele, e que um monte de gente me pergunta se existe. Sim, existe. E está na rede. Só tem que procurar com muito cuidado).

Saí de Sampa no dia 25 de noite. Sem feriado, sem greve, sem apagão aéreo, o check-in e o embarque foram uma maratona exasperante. Fila do check-in gigantesca. Nota: todo mundo parece ter chegado três horas antes. Dica: se foi viajar, chegue você também. Aí me ocorreu que era bom declarar a saída do laptop. A moça do balcão da Air Canada me olhou com expressão de pânico. “Vá voando, porque a fila da Imigração está imensa”. Afff, quase me deu dor de estômago escutar aquilo. Foi voando. Claro que a receita federal era na ponta oposta do aeroporto. E claro que havia uma nova fila, descomunal. Dica: se for viajar para o exterior com seus brinquedinhos eletrônicos, chegue umas quatro horas antes. No fim deu tudo certo. Por algum milagre, a fila da imigração estava curtinha, curtinha, se bem que só pros brasileiros. Passei pelo raio X na boa e, milagre, ele não apitou pra mim.

A viagem foi o tédio de sempre. Sem incidentes, sem comentários. Chegamos na fria manhã canadense do dia 26 com dois minutos de atraso. Não tive nenhum problemas na Imigração, não quiseram revistar minhas malas e não tinha fila em lugar nenhum. Não demorou e logo, logo, estava eu no carro de minha prima, as duas tagarelando como doidas, em pleno congestionamento matinal torontoniano indo pra casa.

A manhã passou-se entre fofocas e desarrumação das malas. “Tá cansada?” Claro que estou. “Quer descansar?” Claro que não. Fomos ao St Lawrence Market comprar o almoço. Um dos dez melhores mercados do mundo. Queijos franceses? Tem. Maças chilenas? Tem. Comida grega? Tem. Turistas entupindo os corredores? Tem.

Previsão para os próximos dias: eu vou engordar.

Depois do almoço, a Clau tinha que ir para a região da Bloor. Hum, isto muito me interessa! Logo de cara já passei por vários lugares que aparecem em Blood Ties. E não acreditei quando, de repente, vi exatamente o prédio onde o vampiro Henry Fitzroy mora!!!

Ah, essa eu não podia deixar passar. Enquanto a Clau estava ocupada, decidi ir até lá. Tinha uma hora pra ir e voltar, mas no meio do caminho, uma livraria me capturou. Entre várias coisas interessantes, descobri que um seriado ótimo que estou acompanhando, “The Dresden Files”, é baseado numa série de livros, de Jim Butcher. Hum. Estou tão tentada...

Bom, coisa vai, coisa vem, o fato é que calculei mal a distância, e era bem mais longe do que eu pensava. Com 8 graus de temperatura e uma umidade altíssima, o frio era tanto que anestesiou o meu rosto. Pô, vinte e quatro horas antes eu estava a 30 graus! Mas persisti.

Qual não foi minha surpresa ao descobrir que o prédio fica bem de frente ao Royal Ontario Museum, um museu de história natural maravilhoso, e que está passando por uma ampliação maluquíssima – parece que uma espaçonave de vidro cai de ponta-cabeça num prédio do século dezenove. Putz, essa é a vista que o vampiro tem quando olha por suas enormes janelas de vidro... durante a noite, claro.

Depois de registrar em fotos, voltei correndo, atrasadíssima para encontrar minha prima. Começou a chover. Meio que me perdi numas ruas cheias de curvas. Eu não tinha nada de dinheiro canadense. Estava longe pra cacete de casa. E se a Clau fosse embora sem mim?! Mas minha querida prima me esperou. “Minha prima vem do Brasil me visitar e eu abandono ela assim desse jeito? Nunca!”. Priminha adorada, essa!

Antes de voltar pra casa, resolvemos passar no Nosso Talho. What the hell? Um açougue português! Que vende produtos brasileiros como Guaraná Antarctica e mistura para pão de queijo. Can you believe it? Mas o mais bizarro era o Guaraná Brasília, fabricado... nos Estados Unidos!

Voltamos pra casa e o cansaço da viagem me alcançou. O corpo todo doía por conta da correria no aeroporto carregando uma bagagem de mão pesadíssima. Quando deitei na cama, não senti nem a cabeça tocando o travesseiro.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Ok, povo, estou saindo de férias hoje, o que não quer dizer, necessariamente, que eu vá sair do ar.

Coincidência ou não, meu destino é justamente Toronto, o cenário do vamp-seriado "Blood Ties". Quem não conhece, pode encontrar todos os episódios no site GetSeries (clique aqui), já legendados.

Fiquem de olho aqui no meu blog e na minha página no multiply, (clique aqui).

Vou postar minhas impressões e fotos de viagem, como sempre. Desta vez, o nome do diário é "BLOODSTEPS: na trilha de Blood Ties". Espero colocar imagens da cidade de Toronto, em especial dos lugares que aparecem nos livros da Tanya Huff e no seriado de tevê. A cidade é extremamente fotogênica, vocês sabem...

Espero que curtam! E obrigada por continuarem visitando este blog.

beijos e... mordidas!
Martha Argel

domingo, 15 de abril de 2007

Amigos e leitores, estou absolutamente apaixonada pela série de tevê Blood Ties, que estreou mês passado nos EUA. É baseada na melhor série de livros de vampiros que já li (e olha que já li coisa pra cacete!), escrita pela canadense Tanya Huff.
Assisti a quatro episódios (o primeiro é duplo) e, caramba, nunca vi nada igual!
O personagem principal é Victoria "Vicki" Nelson (Christina Cox), uma ex-policial que está perdendo irreversivelmente a visão e por isso não pôde continuar na polícia de Toronto. Então ela se torna investigadora particular, e no decorrer de uma investigação acaba topando com Henry FitzRoy (Kyle Schmid), vampiro e filho bastardo de Henrique VIII. Logo se instala um tenso triângulo amoroso entre Henry, Vicki e Mike Celucci (Dylan Neal), ex-parceiro e ex-pero-no-mucho dela, enquanto os três se envolvem em investigações que sempre descambam no sobrenatural.
Uma coisa que sempre me impressionou nos livros da série foi a tremenda carga de erotismo que a TH conseguia criar, com elementos absolutamente banais. E ao menos nos dois primeiros episódios, a série conseguiu recriar esse clima. Boa parte do mérito é de Kyle Schmid.
Semanas atrás, quando encontrei o trailer no YouTube, meio que torci o nariz para ele, porque não era o Henry FitzRoy que eu imaginava.
Mas assistindo à série, uau! Ele realmente conseguiu. O vampiro FitzRoy tenta levar uma vida low profile, mas tem dificuldade em controlar sua natureza violenta. Quando menos se espera ele se enfurece, e nem por um instante ele deixa que Vicki - e o telespectador! - se esqueça do que ele realmente é.
Pra mim, a coisa mais sensacional da série são os olhares absolutamente assassinos que ele lança a Celucci - seu grande rival nas atenções de Vicki.
Não sei se essa série vai algum dia chegar aqui nesta backwater tapuia de gosto televisivo muito abaixo da linha da inteligência mínima.
Enquanto isso, o seriado já está disponível no mercado de genéricos. Tem até versão com legenda em português. Procurem um pouco que vocês acham...

Bom, e essa foto aí de baixo é uma delícia: Tanya Huff com Kyle "Henry Fitzroy" Schmid. Roubei do blog de Denis McGrath (leiam aqui), que faz parte da equipe de produção de Blood Ties.




Bom, espero que consigam encontrar o seriado pra assistir. Vocês não vão se arrepender!

beijos e mordidas em todos
Martha Argel

sábado, 14 de abril de 2007

Testando cor de postagem e aproveitando pra contar que daqui uns dias embarco de novo pro Canada'.
Ferias, com tudo o que tenho direito, na casa de minha prima. Nos ultimos tempos estou funcionando por pura teimosia e nao vejo a hora de desligar. Dormir, comer, fofocar, rever amigos e lugares.
Esta' em meus planos continuar escrevendo. Desta vez levo laptop e alguns manuscritos inacabados. Apesar dos pesares, voltei a escrever com forca total, e ate' terminei um romance. Nao sei nada de publicacao. So' to a fim de escrever, mais nada, sem pressa, sem planos, sem ansiedade.

beijos, bom fim de semana, descansem!

Martha Argel

sábado, 7 de abril de 2007




Lancamento: MORTO ATE' O ANOITECER, Charlaine Harris

Amigos e leitores, acaba de ser publicado aqui no Brasil um livro emocionante: Morto ate' o anoitecer, de Charlaine Harris, uma das autoras de vampiros mais conhecidas la' fora (e uma de minhas favoritas!)
Eu ADOREI esse livro, que e' o primeiro de uma série fascinante. Um seriado de TV baseado na serie estreia este ano nos EUA, vamos torcer pra chegar logo aqui.

As info do site da editora Prestigio:

MORTO ATE' O ANOITECER
Charlaine Harris
Preco: R$ 39,90
Numero de paginas: 314 p.
Altura: 23 cm
Largura: 15.5 cm
Peso: 470 g
Esqueça tudo o voce ja' ouviu sobre vampiros. Os mortos-vivos ganharam o direito de existir legalmente. O vampiro Bill Compton esta' disposto a tudo para se estabelecer em sua cidade natal. O que ele nao contava era com uma serie de assassinatos inexplicaveis, a desconfianca dos moradores locais e o envolvimento com uma bela – e teimosa – garconete telepata.

Para comprar, clique aqui!

A Prestigio Editorial esta' de parabens pela iniciativa de publicar esse livro. O publico leitor brasileiro tem o direito de ter contato com a literatura contemporanea de vampiros que esta' sendo publicada no exterior. Nos, apreciadores da literatura de entretenimento, so' temos a ganhar!

abracos a todos
Martha Argel