sábado, 30 de abril de 2005

Bom dia, fria madrugada, chuva fina e eu aqui me sentindo bem com o calor de um chocolate quentinho se infiltrando em músculos e ossos.
A noite de autógrafos do Olhos de Gato foi divertida, e adorei a experiência de encarar numa boa a fria noite de inverno com minha frente única negra de rubros arabescos purpurinados. Frio? Às vezes até minha echarpe à la Isadora Duncan me parecia insuportavelmente quente.
E anteontem foi a vez da noite de autógrafos de André Vianco. Auditório lotado. Inveja saudável desse cara simpático cuja carreira na literatura de entretenimento (sim, isso existe no Brasil, graças em boa parte a ele!) está sendo meteórica. No que me toca, saí de lá plena de felicidade. Sem detalhes. Não sei, afinal, quem visita este blog. Mas é delicioso receber antes da hora um presente grande e bonito que a gente achava que ia demorar a chegar.
Ontem o pessoal aqui em casa estava em polvorosa. O motivo: um salame de chocolate que deveria ficar pronto (e ficou) pra hoje. Alguém aí já comeu salame de chocolate? VOCÊS NÃO SABEM O QUE ESTÃO PERDENDO! Vejam a receita aqui. Está todo mundo meio fora de si na expectativa de atacar o dito-cujo. O problema é que ninguém toca no bicho até domingo de noite, porque ele simplesmente é a estrela principal do curta que minha sobrinha Natália vai rodar no restaurante da minha irmã Branca. E, modéstia à parte, a culpa dessa quizumba toda é minha, pois o que vai ser filmado é um conto de terror que eu escrevi...

Beijos a todos e pensem em mim no domingo à noite, pois estarei atacando o tal salame de chocolate!

Martha Argel

domingo, 24 de abril de 2005

Bom dia.
Hoje acordei num horário de gente. Ontem consegui ir dormir às dez, acordei brevemente às três e dormi até as seis. Nos últimos dias, estava indo dormir às sete da noite e acordando à uma da manhã. Passava a madrugada toda lendo. Toda vez que deixo meu próprio relógio biológico ditar as regras, sem tentar impor horários, acontece algo parecido. Deve ter a ver com ritmos do próprio organismo. Sei que tenho um pico de atividade às seis da manhã. É muito esqauisito funcionar num fuso horário diferente das demais pessoas.
Continuo na minha orgia de leituras. Minha mais recente descoberta é Kim Harrison, com seu romance de estréia Dead Witch Walking. Delicioso. Uma investigação policial, ambientada num universo onde os humanos devem conviver com seres sobrenaturais como bruxas, vampiros (claro!), pixies, demônios, fairies e sabem lá os céus o que mais. Devorei. Agora meu ranking de escritores preferidos é: Tanya Huff, Laurell K. Hamilton, Charlaine Harris/MaryJanice Davidson, Kim Harrison. Os machos da espécie continuam conspicuamente ausentes.
Continua também minha orgia de compras de roupas. Não quero falar sobre o assunto.
Esta semana tem noite de autógrafos dos Olhos de Gato. Se você não foi convidado, nada pessoal, não se ofenda. Esta é pro povo com quem trabalho há tantos anos. Há muito tempo não tenho a turma da consultoria ambiental num evento. Este é o momento. Tem gente que não vejo há mais de dez anos. Eles também merecem atenção, não é?

beijos a todos, tenham uma boa semana!

Martha Argel

domingo, 17 de abril de 2005

Oi, todos!

Dias atrás escrevi um looongo post, direto na caixinha do Blogger, e na hora de postar deu uma dessas merdas irritantes e perdi tudo. Não tive paciência de escrever de novo.
Deixei de atualizar este blog com freqüência por conta do ritmo frenético com que as coisas estão acontecendo. De uns tempos pra cá, a burocracia que tem acompanhado cada trabalho é infernal e faz a gente correr atrás de documentos estúpidos, de um lado pro outro, de forma tão insana que mais parece uma piada de mau gosto.
Continuo lendo muita ficção vampírica, essencial para eu entrar no ritmo e retomar minha própria escrita. Tenho lido muita coisa ruim. Por exemplo, os livros de uma tal L. A. Banks. Narrativa complexa, confusa e repetitiva. E um detestável fundo moralista-religioso. Dá pra levar a sério uma história em que uma "cantora" de hip-hop (!) é a profetizada salvadora da humanidade que só aparece a cada mil anos? Fujam dessa e$critora, $eu objetivo é explorar o filão de Buffy (francamente, já esgotado).
Por outro lado, li Blood Canticle, o último (até agora ou definitivamente?) livro vampírico de Anne Rice. Ufa, ela conseguiu evitar (embora não de todo) as longas e maçantes discussões filosófico/históricas dos insuportáveis livros anteriores. Lestat está bem interessante, como nos velhos tempos.
Agora estou lendo The Dracula Tapes, de Fred Saberhagen, que apresenta a transcrição de fitas gravadas pelo próprio Drácula, contando sua verdadeira história. O livro foi lançado em 1975, um ano antes da dona Rice publicar seu Entrevista com um Vampiro, que apresenta a transcrição da entrevista gravada com o vampiro Louis... Não se apressem em acusar a titia de plágio. Ela tinha escrito a história uns três anos antes. Mas que é uma coincidência esquisita, ah, isso é! Ah, sim, ia esquecendo: o livro de Saberhagen é chato.
Passando pra minha própria produção, consegui acertar com a editora do Amores Perigosos a contratação do capista que eu tinha indicado. Já estamos começando a trabalhar na capa. Ueba!
E terminando, um comentário: outro dia recomendei, numa lista de discussão, alguns livros de que tinha gostado. Alguém muito depressa disponibilizou, a deus e o mundo, arquivos piratas das obras. Fiquei chocada. É assim que as pessoas homenageiam bons autores? Prejudicando a fonte de renda que lhes permite continuar escrevendo? No mínimo é falta de ética. Não faço mais recomendações em público, e torço pra que essas pessoas não decidam me "homenagear" também.

fiquem bem, curtam o domingo e beijos a todos
Martha Argel

quinta-feira, 31 de março de 2005

Olá, amigos!

Neste sábado, dia 2 de abril, às 15 horas, faremos um encontro descontraído na lanchonete do Centro Cultural Vergueiro, um sarau vampírico com mini-palestras e leitura de contos e poesias.
Vou apresentar a quarta palestra da série "Biologia dos Vampiros". Desta vez, o tema é "O Vampirismo na Natureza" (ou "O EstiloHematófago de Ser").
A Giulia Moon e eu estaremos distribuindo a edição no. 3 do FicZine, sobre Mulheres Superpoderosas.
E, se der certo, terei algumas novidades sobre meu novo romance vampírico, "Amores Perigosos", cujo lançamento já está marcado para junho. (Assim que a programação estiver definida, divulgo aqui, ok?).
A seguir, as informações sobre o Sarau:

SARAU DA TINTA RUBRA:
DIA: 02 de abril, NESTE SÁBADO!!!
LOCAL: lanchonete do CENTRO CULTURAL VERGUEIRO, ao lado do metrô Vergueiro.
HORA: 15 horas.

Mini-palestras:
BIOLOGIA DOS VAMPIROS, por Martha Argel
METAFÍSICA DOS VAMPIROS por Roberto Melfra
MEMNOCK, livro de Anne Rice, por Fernando (moderador do grupo AnneRice-BR)
VAMPIROS NO HQ, por Adriano Siqueira.

Leituras:Contos e poemas pelos integrantes da Tinta Rubra.

Distribuição dos fanzines FicZine, Adorável Noite e Necrozine.

Espero vocês lá!!!

Beijos jugulares

Martha Argel

domingo, 13 de março de 2005

Bom dia, todos.
Não esperava continuar na correria. As coisas mais inesperadas acontecem na vida da gente, como por exemplo te pedirem pra escrever um livro em quinze dias e depois informarem que o material precisa ficar pronto antes disso!!!
Que que eu posso contar das últimas semanas?
Entreguei o Amores Perigosos na editora. Estamos tratando agora da capa e da data de lançamento. É pra logo. O plano é termos uma mesa-redonda sobre vampiros na ficção, numa badalada livraria paulistana. Aguardem.
Darei uma palestra, A Biologia do Vampiro, dia 20, às 13:00, durante o Dia do Fã, promovido pela revista Sci Fi News. Será no Museu da Imigração, no Brás, pertinho da Faculdade Anhembi-Morumbi. O lugar é lindo, estive ontem lá e me surpreendi. A entrada é R$ 4,00 e estudantes R$ 2,00 (cobrados pela própria instituição), e um quilo de alimento não-perecível. Mais informações no site da revista, http://www.scifinews.com.br/ .
Li um livro que odiei, Amazonia (assim, sem acento), de um ianque cujo nome nem lembro. A trama: um bando de estadunidenses, incluindo o exército, invade a Amazônia brasileira em busca de um pesquisador desaparecido (leia-se bio-pirata), enquanto uma multinacional contrata um assassino pra matar todo mundo e se apossar das descobertas. Os ianques são bonzinhos e idealistas, o vilão é francês, os brazucas inexistentes (só tem um), tem índios encolhedores de cabeça, piranhas e jacarés assassinos e um paraíso desconhecido (cópia escarrada do Mundo Perdido, do Doyle). Todos os esbirros acabam mortos, à la Star Trek. O sujeito mistura à vontade a cultura latino-americana e cria um salseiro onde pululam erros de português, castelhano (!) e até Sranam Tongo (a língua do Suriname!). Deve estar ganhando uma puta grana às custas da ignorância alheia.
Por outro lado, acabo de ler um livro de-li-ci-o-so, Dead until Dark, de Charlaine Harris. Uma garçonete que tem a capacidade de ler a mente alheia e sofre com essa "deficiência", como ela chama, decobre que não consegue ler os pensamentos de um vampiro, e acha tão maravilhoso esse "silêncio" que se apaixona por ele. Daí a trama segue, com assassinatos em série, vampiros desequilibrados e a vida de uma cidade interiorana do Sul dos EUA, tudo misturado, num tom delicado e leve, que contrasta com as cenas de violência e sexo. Eu não conseguia parar de ler. E daí que parece cópia de Laurell K. Hamilton? E daí que dá pra notar a inspiração em Tanya Huff? O clima da história é ótimo! Agora já estou lendo a continuação, Living Dead in Dallas, e sofrendo porque tenho o terceiro mas ainda não tenho o quarto livro da série!

beijos a todos

Martha Argel

terça-feira, 1 de março de 2005

Bom dia, todos.
Achei que o sufoco ia terminar quando eu saísse do projeto do Suriname. Dois equívocos: primeiro, não terminou, só piorou, e segundo, ainda não consegui sair de todo. Foi só meus clientes acharem que tinha saído e vieram com tudo. Me soterraram de trabalho. É grana, não posso reclamar.
Nesse meio tempo, relancei meu livro Olhos de Gato, novamente pela Writers. O release segue abaixo. Por enquanto, só eu tenho pra vender. Esse livro vai ser tipo ?item de colecionador?, quem quiser ler vai ter de (v)ir atrás. Mesmo porque eu não tenho fôlego pra investir em divulgação e vendas como tinha até O Vampiro de Cada Um.
Fora isso, que outras novidades? Fiz uma viagem-relâmpago a São Sebastião. Como o centro histórico está lindo! Vale a pena. Retomei minhas caminhadas, mas mesmo assim comecei a ganhar peso. Preocupante, há dois anos não acontecia. Cumpri a promessa que fiz a minha cabeleireira e entreguei as madeixas a suas hábeis mãos, de olhos fechados. Meninas, recomendo, até os homens estão reparando, é incrível como um bom corte muda tudo.
É isso. Cuidem-se. Vivam intensamente e aproveitem as coisas boas que estão a nosso redor e a gente não vê.
E agora com vocês, o release de Olhos de Gato!

Olhos de Gato

mais um livro de
MARTHA ARGEL

A qualquer momento, em qualquer lugar, o inesperado pode acontecer. Pelos corredores do supermercado, durante uma festa chata, nas ruas da metrópole e até dentro de nossa casa, um breve instante é suficiente para que a rotina de transforme numa experiência extraordinária.
A prova está nas páginas deste livro.
Dez contos de fantasia e suspense, em que alienígenas, fadinhas, duendes e bruxas transitam pelo cotidiano com tanta naturalidade que é impossível acreditar que não sejam reais.
Dez histórias que poderiam acontecer com você, neste exato momento.
Esteja preparado. Quem sabe o que o espera nos próximos minutos?

Leia, a seguir, um trecho do conto Más Companhias

Ah, bom, pelo menos agora eu já não tremia mais. Minhas mãos não tremiam ao segurar o volante. Meus pés não tremiam na hora de pisar no freio, no acelerador. O carro não ia mais morrer porque o pé do acelerador e o pé da embreagem tremiam em freqüências diferentes. Nada mais de solavancos involuntários, eu já não iria assustá-los sem querer? e muito menos querendo. Eu até que estava dirigindo bastante bem, quer dizer, não tão bem como sempre dirijo, pois nunca tinha passado por nada parecido, de forma que era perfeitamente compreensível que minha performance nas últimas horas estivesse um pouco abaixo do normal. Eu estava dirigindo bem o suficiente, e isso era suficiente.
Mas aquela faca encostada no meu pescoço ainda me incomodava. Mais do que isso, ainda me apavorava tanto quanto me apavorara no primeiro instante em que a senti ali, pousada, um grande inseto pronto para a picada fatal.

Veja como continua, em Olhos de Gato

Martha Argel é ornitóloga e doutora em Ecologia, e atua em Consultoria Ambiental. É autora dos livros Contos Improváveis, O Vampiro de Cada Um e Relações de Sangue, todos de Literatura Fantástica. Publicou também Voando pelo Brasil, obra infanto-juvenil sobre aves brasileiras.
Seus contos aparecem em vários revistas, zines, jornais e sites. É coeditora do FicZine, um fanzine de Fantasia & Ficção Científica. Tem ainda artigos científicos e de divulgação publicados no Brasil e no exterior.

Página Internet: www.argel.hpg.com.br
Lista de distribuição de textos:
http://br.groups.yahoo.com/group/MarthaArgel
Blog: http://vampirapaulistana.blogspot.com

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2005

Boa tarde. Tem sol lá fora, e inacreditavelmente ainda passo meus dias aqui, diante do computossauro que me impingiram, sempre tentando entregar no prazo algum documento complicadíssimo. Eu achava que estava livre? Tola ingênua. Mas estou aprendendo.
Sobreviventes do tsunami todo mundo já viu na tevê, mas sobrevivente do Suriname, acho que sou a única. Pois é, estavam querendo me mandar pra Paramaribo segunda-feira agora. Por conta de uma reunião de três horas, eu teria que passar cinco dias no país, férias forçadas por cortesia do mirrado tráfego aéreo entre os dois países. Pulei fora.
Já andam me olhando torto e comentando pelas costas "Aumentou o cachê, é? Pros EUA ela aceita ir, mas pro Suriname...".
A verdade é que, não tivesse tantos compromissos, eu ia. Adoraria fazer o turismo que não fiz na primeira viagem. Só que não dá. Paciência.

beijos a todos!

Martha Argel

domingo, 13 de fevereiro de 2005

Bom dia.

Tudo correu bem, tão bem que nem consegui postar nada enquanto estive no hemisfério norte. Três dias nos EUA, nem isso, talvez umas 60 horas que conseguiram conter um volume imenso de novidades para mim. A emoção de uma viagem inesperada. Minha primeira visita à América do Norte, e o teste à capacidade de me expressar no idioma de Shakespeare. Uma meteórica, fugaz carreira de executiva internacional, com todas as benesses e pressões a que o cargo faz jus. Numa frase curta: foi intenso.
Um amigo me perguntou se, depois dessa experiência, ainda sou a mesma pessoa. Talvez, de algum modo discreto, não seja. Ter superado tantos e tão variados obstáculos, num tempo tão curto, faz a gente sentir algo diferente por dentro. Não sei se isso terá importância ou efeito prolongado. Só o tempo dirá.
Por enquanto, sinto alívio, leveza d'alma. Aquela contagem regressiva chegou no zero, ainda que por outros caminhos e com algum atraso. Para mim, o trabalho do Suriname terminou no momento em que se encerrou aquela reunião em terras estadunidenses.
Meu tempo agora é só meu. Meu e de meu próximo livro. Não tenham dúvidas de que o estamos utilizando com sabedoria e alegria.

beijos a todos, de alguém que adora sair de seu país mas que gosta ainda mais de voltar!

Martha Argel

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2005

Ufa. Faz meia hora ficou tudo pronto. As vias do relatório completo, as n cópias do documento que escrevi, a apresentação, os infinitos cds com todo o material... A correria durou a manhã inteira.
Daqui quarenta e cinco minutos tenho de estar no consulado americano pra pegar de volta meu passaporte, com o certificadinho de que sou digna de colocar os pés no solo gringo.

Se tudo der certo, o próximo post vem do hemisfério norte.

beijos

Martha Argel

terça-feira, 1 de fevereiro de 2005

Ok, chega de planos mirabolantes. Minha última tentativa de tentar esticar a viagem acaba de ser abortada. Mil e um pequenos detalhes de última hora, e adeus tempo livro pra tentar improvisar algo. Puxa. Não é todo dia que a gente perde uma viagem pra Califórnia. Normal, ontem foi o Canadá.
Em compensação, tive uma reação inesperada ao relatório-síntese que escrevi. "Quem escreveu este relatório?", perguntou o big boss. Gelei. "Eu", assumi, pro bem e pro mal. "Está fantástico. Qualquer um pode entender. Está bom mesmo". Eita. Eu já tinha ouvido isso antes. Mas nunca, repito, NUNCA pra um texto em inglês. Especialmente pelo fato de que NUNCA tinha escrito um texto completo em inglês...
Back to work. A apresentação ainda está uma catástrofe. Tenho muito a fazer, e a viagem já é amanhã!

Beijos e queijos, fiquem bem.

Martha Argel
PS. LILIIIIIIIII, donde estás??? Escribime! Te quiero ir a visitar, mas pronto de lo que imaginas!!!

segunda-feira, 31 de janeiro de 2005

Pois bem, sete de manhã e lá estava eu em frente ao Consulado dos Estados Unidos da América. Quarenta e uma pessoas tinham chegado antes de mim. "A fila é sentada!", avisa um dos inúmeros cuidadores de gado. A fila anda em pequenos rebanhos, e a maior parte do tempo a gente espera sentado, porque de pé ia ser um saco. "Uma vez negaram meu visto". "Estou indo dar uma palestra sobre o Apocalipse". "Meu sobrenome é Mustafá, tomara que não encrenquem". "Olha, a moça ia a negócios e negaram o visto".
Chega, enfim, minha vez. A moça me diz bom dia, educada. Eu respondo, idem. Ela corre os olhos pelos formulários. Pede o passaporte anterior. Folheia. E faz uma única pergunta: "Por que a senhora foi pra o Suriname?". "Pelo mesmo motivo que estou indo aos EUA. Sou consultora ambiental e estou a serviço". Foi então que pronunciei a palavra mágica. O nome de meu empregador lá. "Seu visto está concedido. Volte na quarta para pegar o passaporte". Ninguém em sã consciência se mete a besta com uma multinacional daquelas.
Pois é. Embarco na quarta. Sem o visto do Canadá. Perdi o filé e fiquei só com o osso.

Tentarei postar diariamente minha mais espinhosa aventura internacional.

Beijos. E torçam por mim!

Martha Argel

domingo, 30 de janeiro de 2005

Bom dia. Obrigada pela torcida, continuo precisando dela!
Aos poucos as coisas vão ficando prontas pra viagem, mas falta o principal: não tenho o visto. Amanhã devo conseguir. Pra dizer a verdade, não sei se quero ou não ter esse trocinho no meu passaporte. Estou em pânico com a tal apresentação. Putaqueopariu, vai ser com videoconferência. Minha pronúncia é a de quem aprendeu outra língua nos livros. Como se fala reservoir? E feasibility? E Guyana? Viram? Eu sei escrever. Não faço a mínima idéia como se diz.

Beijos aterrorizados a todos

Martha Argel

domingo, 23 de janeiro de 2005

Sufoco. Decididamente, calças Capri são a última de minhas preocupações no momento. Mais uma vez, uma reviravolta transtorna todos meus planos. A contagem regressiva deixou de ter sentido. Pra quem não sabia, eu contava os dias pro final de meu contrato. A tontinha aqui achando que estava sobrecarregada, que não ia agüentar mais. Hahaha. Mal sabia eu.
Agora sim o bicho pegou.
Juro: nunca passei sufoco maior. Nunca me deparei com tamanho desafio. Nem quando fiz a entrevista na Venezuela, com meus inquisidores alternando perguntas em inglês e castelhano. Nem quando encarei apresentar o projeto em inglês no Suriname.
Se me safar bem dessa encrenca, não vou ter problemas de auto-estima pelo resto da vida. Bom, ao menos no que se refere à atividade profissional.
Se tudo der certo (!!!) a data do massacre, agora, é 4 de fevereiro. Quando estiver confirmado, compartilho com vocês o meu pânico.

beijos & queijos & torçam por mim!

Martha Argel


quarta-feira, 19 de janeiro de 2005

Ainda 12 dias? Vixe, se eu estivesse na Patagônia, nos Andes ou em Florença aposto que o tempo não ia se arrastar desse jeito.

Ontem: na foto de um jornal, um soldado com uma pobre onça acorrentada, diante de um bando de jovens admirados, e a legenda explicava que ele exibia o mascote de um batalhão amazônico do exército para integrantes do Projeto Rondon. Há milênios eu não ouvia falar disso. Nem sabia que ainda existia Projeto Rondon . Existe. E volta à mídia justo quando encerrei o meu próprio. Os perversos joguinhos do acaso.

E continua meu fascínio com o Esquadrão da Moda. Ainda não consegui grana para pôr em prática o que aprendi, mas já cheguei a uma conclusão: calça Capri, jamais! Prestem atenção quando passar por você uma das milhares de mulheres um pouco (ou muito) acima do peso, que usam uma blusa de cor berrante, com uma calça preta boca-de-sino que termina no meio da barriga da perna, deixando ver, daí pra baixo, apenas as canelas finas e uns sapatos de salto fino e bico mais fino ainda. Analise bem a silhueta resultante. Repare como a massa compacta da parte de cima parece fora de proporção com a fragilidade da parte da baixo. Não parece que ela vai cair a qualquer momento? Não parece uma batata sustentada por dois palitos? E se a mulher tiver altura abaixo da média, a combinação de cós baixo com comprimento curto dá a impressão que as pernas dela têm meio metro de comprimento. Receita certa pra você SEMPRE parecer mais gorda e mais baixa. Decididamente, quem inventou essa moda ODEIA as mulheres.

Tenham um bom dia, não esperem acontecer e evitem as calças Capri.

Martha Argel

segunda-feira, 17 de janeiro de 2005

Já é segunda-feira? Vixe! O final de semana está durando cada vez menos...
Afinal, a tal tempestade abateu-se na própria sexta-feira, e nem de perto teve a intensidade que eu temia. Tudo se resolveu muito melhor do que eu esperava. Uma coisa a menos pra me preocupar.
A revisão do livro avança lentamente. Como queria poder largar tudo JÁ e fazer o que eu realmente quero: escrever, escrever, escrever...
Bom, chega, no momento falta assunto e sobram obrigações. Back to work.

Fiquem bem, dediquem-se muito e persistam sempre.

Martha Argel
(14 dias e contando)