quinta-feira, 3 de maio de 2007

Passei quase todo o dia de ontem às voltas com meu computador. Resultado: estou conectada. Com todas as alegrias e dores que isso traz. Às vezes internet é uma perda de tempo incompreensível, principalmente quando você se torna adicto.
Mas passando ao que interessa.
A grande aventura do dia foi uma incursão na culinária coreana, sugestão da Claudia. Cacete. Quanta pimenta. Tomei uma sopa de frutos do mar até o fim, apesar das lágrimas que me inundavam os olhos. Quer saber? Tava boa! Ninguém mais na casa conseguiu comer.
E de tarde, cansada da imensa inação acarretada pela nerdice internética, resolvi sair e ponto final. Um pecado resistir ao sol lá fora. Saí a esmo, atravessei o Sculpture Garden, onde sempre tem alguma novidade, e claro que tinha. Uma tiazinha empoleirada num andaime estava brincando de aranha diligente, usando uma fita transparente que enrolava nas árvores e puxava para criar umas bizarras estrelas tridimensionais, a uns três metros de altura. O parque já estava todo amarrado, de um lado a outro. Arte. Ok.
Sem saber direito o que fazer deixei-me levar pelos meus passos. Aonde? The Biggest. A maior livraria do mundo. Adivinha só. Mas até que fui bem comedida. Peguei só os lançamentos mais recentes (pocket books, hardcover nem a pau!) das minhas séries favoritas. Não comecei nenhuma nova. Até ao Dresden Files resisti. Só não pude resistir a uma bela edição de contos e poemas de Edgar Allan Poe, numa edição belíssima apesar do erro tipográfico que encontrei logo no índice.
Bom, e só. Estou de saco cheio de ficar na frente do computador. Tenho que organizar minha viagem a NY.

Beijos a todos
Martha Argel

quarta-feira, 2 de maio de 2007

2 de maio – quarta-feira


Bom, não sei o que era, mas não era gripe. Ontem eu me sentia horrível pela manhã, e o único termo técnico para descrever meu estado era “esquisito”. Além do mais, o céu voltou a ficar todo cinzento e a temperatura caiu violentamente. Assim, em homenagem ao dia do trabalho, passei quase o dia inteiro dentro de casa trabalhando.
Depois que a turma toda saiu – Terry para o trabalho, Claudia para a universidade, Andrew para o daycare, consegui terminar e enviar o documento de impacto ambiental que estava devendo.
Em seguida, suspirei fundo e peguei todas as anotações para o maldito livro novo. Não consegui avançar muito, só revisei parte do que já estava escrito há anos, e quando fui ver já estavam todos de volta em casa. Fim da agonia, ainda mais que a Clau e eu íamos sair voando.
O compromisso dela, na parte oeste da cidade, me levou muito perto de um lugar que estava shortlisted pra ser visitado desde antes de eu sair do Brasil, e logo logo eu estava diante...
... da livraria The Beguiling! Ueba! Foi nessa livraria que, na década de noventa, um sujeito chamado Peter Mohan encontrou um livro interessantíssimo de vampiros, um tal de Blood Price, de uma tal de Tanya Huff, e decidiu que algum dia faria uma adaptação dele para a tela. Pois é, foi na The Beguiling que nasceu o Blood Ties, muitos anos atrás. E a loja é homenageada no quarto episódio da série (Gifted, o mais fraquinho, mas tudo bem...), aparecendo logo na primeira cena.



Bom, a fachada é dela mesma, mas o interior que aparece no seriado, incrivelmente arrumadinho, não tem nada a ver com a bagunça que recheia the real one! É demais. Os vendedores com que conversei, Peter e Chris, são muito menos esquisitos e mais simpáticos (sem dizer que são bem mais bonitinhos) que os dois nerds do seriado, mas não eram menos nerds.
O Peter me contou que Mohan costumava ser um cliente assíduo da livraria no passado. Eles não sabiam muito sobre o seriado, só que estava sendo filmado, e não tinham idéia de que a livraria tivesse aparecido em um episódio. O Chris ainda sabia alguma coisa, mas os dois ficaram impressionados em saber que BT já tinha uma legião de fãs pelo mundo todo. O Peter comentou com o Chris que eu havia dito que já havia um bom número de fãs no Brasil, e me disse “Eles adorariam saber disso”. Bom, a verdade é que eu também adoraria contar isso a “eles”, quem quer que fossem...
No fim, o Peter acabou me perguntando se eu conhecia uma série de quadrinhos chamada Anita Blake e eu quase caí dura de susto. Caramba!!!! Eu tinha esquecido TO-TAL-MEN-TE dos quadrinhos. É a adaptação de Guilty Pleasures, de Laurell K. Hamilton, primeiro livro de uma série sobre a supracitada Anita Blake, uma reanimadora de mortos e caçadora de vampiros que se envolve com o espetacular Jean-Claude, Mestre-Vampiro da cidade de Saint Louis. A série foi minha porta de entrada para a moderna literatura de vampiros, que tem nas duas,Tanya Huff e Laurell K. Hamilton, dois de seus mais altos expoentes. Eu já mencionei pela ducentésima qüinquagésima nona vez que eu amo as duas de paixão?! Pois é, foi lendo Guilty Pleasures que encontrei o tom exato que eu queria para o Relações de Sangue.
Resultado, esqueci por completo de Blood Ties quando pus a mão em quatro edições dos quadrinhos da Anita Blake. Eu estava quase babando ali na frente do vendedor. Droga, faltavam os números 2 e 4. Mas tudo bem, ainda tem muito chão pela frente. Em Toronto ou em NY com certeza eu acho os números que faltam.
No caminho de volta para casa passamos no Nosso Talho, o açougue português, e na Nova Era, padaria idem. Nosso jantar foi pão francês com queijo meia-cura e guaraná Antártica. Gostinho de Brasil, a Clau estava no paraíso.
Depois de fazermos a laundry (lavar a roupa na lavanderia coletiva – e paga – do prédio) instalei-me para ler meus quadrinhos a-lu-ci-nan-tes. Homens seminus, yesssssss!!!! E Anita Blake sempre em situações absolutamente desconfortáveis.
Bem, foi um pouco difícil continuar concentrada nas cenas de sedução quando TODA a família Barcellos-Hill resolveu me azucrinar todos-juntos-agora-e-ao-mesmo-tempo. Andrew: “Titaaaa, quer escutar música?”, e tome Ol’ McDonald’s farm e Twinkle, twinkle, little star. Terry: “Maramarta, você não quer assistir The Queen? Filme excelente!” Claudia: “Ti-ííí, você quer ajudar a salvar as marmotas, coitadinhas? Olha só que bunitinhas, não são uma graça?” E tome uma coleção de cartões postais de ratos gordos.
Aaaaaaaaah, STOP IT!
Quando me livrei de todos e retomei a leitura, descobri que o sexto e último livro termina exatamente quando o Phillip está pra beijar a Anita e que a história só continua... em setembro!!!! QUERO MORRER!
Bom, depois de tudo isso, só me restava ir pra cama e capotar.

PS. Vocês acham que terminaram as emoções? Lá pelas quatro da manhã ouvi ruídos no quintal e o que parecia ser um cachorrinho chorando. Quando consegui acordar de verdade e olhar pela janela, o barulho tinha parado e eu não vi nada. Voltei pra cama e daí a pouco ouvi de novo. Eu sabia o que era. Catei a máquina fotográfica, passei pelo Terry que roncava na sala, em frente à televisão sem som, e abri a porta de vidro que dá para o quintal. Lá estavam dois dos seres noturnos que assombram os quintais de Toronto. Dois gordíssimos racoons (guaxinins) se esbaldando nos restos de comida que a Clau tinha colocado para os passarinhos. Demorou pra eu me entender com a máquina, mas desta vez, ao contrário de dois anos atrás, consegui fotografar os bichos enquanto eles escalavam a cerca com muita dificuldade (eram enormes!) e sumiam pelo pátio afora. Muito legal!

terça-feira, 1 de maio de 2007

1o. de maio, terça-feira

Aiaiai, tô achando que uma gripe tá me pegando. O dia de ontem foi bastante parado. Fiquei em casa toda a manhã, tentando terminar um trabalho que não tive tempo de fazer no Brasil. Ok, isso e uma boa dose de enrolação, também. Sabe quando você não está realmente a fim de fazer uma coisa? Enquanto isso, o sol brilhava lá fora, convidativo.
Ao meio-dia, resolvi que era suficiente e me mandei.
Voltei a uma pracinha legal, Court Square, aqui perto, pra sentar ao sol e meditar sobre a droga do livro empacado. Putz, tinha um maldito caminhão parado, com o motor ligado, fazendo tanta zoeira que não dava pra ouvir os próprios pensamentos. Os fones do iPod bem enfiados nos ouvidos resolveram em parte, mas não tudo. Na falta de inspiração não tem iPod que dê jeito.
Depois de rabiscar alguma coisa sem muita vontade, resolvi, finalmente, ceder ao impulso de ir a duas de minhas livrarias favoritas, o sebo BMV e The Biggest Bookstore in the World. Uma fica do lado da outra. Ns viagens anteriores fiz a feira lá. Desta vez o resultado foi decepcionante. Acho que elas ainda não se recuperaram de minhas investidas passadas, especialmente o sebo. Na Biggest achei praticamente todos os livros da minha lista, mas a lista na verdade não tem muita coisa realmente interessante, e acabei não levando nada, só fiz prospecção. Minha sacola já estava pesada demais com um livro gooordo que comprei no sebo.
Saindo de lá fui até o escritório da Sheila, e no caminho comprei minhas passagens para NY. A Sheila trabalha num lugar amplo, e muito iluminado, um quarto andar com uma bela vista da cidade. Passamos uma meia hora de conversa agradável, com um gostoso chá de baunilha.
Voltando pra casa, da novamente de posse da sacola esquecida no carro da minha amiga, o corpo começou a reclamar. Dores por todo canto. Que não me impediram, porém de... ueba!... fazer compras!
Já em casa, estavam todos lá, Terry, Claudia, Andrew. Ainda pensei em sair pra bater perna depois que a noite caísse – já anoitece supertarde, umas oito e meia da noite – mas o mal-estar falou mais alto. Tivemos um jantar delicioso, de salmão com batatas e moyashi (grande Clau!) e depois de algum tempo enrolando, batendo papo com eles e nos divertindo com a birra teimosa do Andrew, resolvi dar o dia por encerrado.
Ah, sim, em algum momento do fim do dia chequei os e-mails, e tinha um de minha amiga Pat, de NY, me contando que o episódio 9 de Blood Ties, que passou neste domingo lá, foi escrito pela própria Tanya Huff, e é exelente!!!! Ai, que ansiedade pra assistir!

Beijos e queijos a todos!
Martha Argel

(ah, aqui não é feriado hoje)

segunda-feira, 30 de abril de 2007

30 de abril - segunda-feira

O sol apareceu!
Ontem tivemos um dia lindo, ensolarado, de temperatura agradável. Foi o primeiro domingo de mangas curtas e shorts depois do inverno, e as pessoas estavam francamente felizes.
Sete e meia da manhã meus amigos Sheila e Larry passaram para me pegar e fomos para o Tommy Thompson Park, fazer um pouco de birdwatching. O local é um antigo aterro no lago Ontario, que acabou virando refúgio da fauna. Fica bem pertinho aqui da casa da minha prima. Foi ótimo, conseguimos ver um bom número de aves, inclusive algumas (creio que três ou quatro) que eu nunca tinha visto antes. Meu preferido foi um pato de cauda longa, o Long-Tailed Duck, preto e branco, muito elegante. Durante a passarinhada cruzamos com muitos outros birders, inclusive um que me convidou para falar sobre o projeto Aves do Brasil numa reunião da Sociedade Ornitológica de Toronto. Infelizmente não vai dar porque é na segunda-feira que vem, quando vou estar em NY.
Conversamos muito. Além de gostarmos de observar aves, o Larry e eu temos outra coisa em comum. Ele é escritor, e muitos anos atrás publicou, com o nome de L. A. Morse, alguns romances noir, daqueles com detetives cínicos, muita porrada e cenas gratuitas de sexo... Eu achei ótimos!. Um deles até acabou no cinema, com Robert Mitchum e Ernest Borgnine. Mas o Larry acabou desistindo por um motivo ou por outro. Desde o ano passado estou insistindo pra ele voltar a publicar. Ele, por sua vez, insiste para que eu tente o mercado norte-americano. Aiai.
Fizemos um pic-nic maravilhoso na beira do lago, de frente para uma imensa colônia reprodutiva de Ringed-billed Gulls, uma espécie de gaivota que é quase uma praga aqui.
Fiquei com medo que elas viessem nos assediar por causa da comida. Vocês acham que é exagero? Outro dia a Yasmin, uma amiga minha que está de dieta, contou que ela estava em frente ao City Hall, a prefeitura, e resolveu comer batatas fritas, que ela não comia havia meses. Ela caminhava com o pacote na mão, prestes a colocar uma na boca, quando foi atacada por trás por uma gaivota, num vôo rasante por cima de sua cabeça. O bicho arrancou a batata da mão dela com o bico e derrubou o pacote no chão! A Yasmin ficou roxa de raiva e a contragosto manteve a dieta.
Mas, para sorte nossa, não fomos atacados pelos 56 mil casais de gaivotas que nidificam na colônia. Só as formigas volta e meia passeavam por cima do queijo. E vimos uma borboleta! Se bem que o Larry informou que já tinha visto uma faz uma semana. Ah, muito estranho isso de ter as estações tão marcadas.
A vegetação está apenas começando a rebrotar. As geminhas das folhas ainda não se abriram, e os bosques ainda parecem mortos. Um aspecto importante dessa falta de folhas é que ir “no matinho” se torna um problema complicado, em especial num parque público cheio de gente... incluindo dezenas de pessoas com binóculos. Na hora do aperto, porém, a gente sempre dá um jeito.
Eles me deixaram em casa no meio da tarde, e nem bem entrei no prédio percei que tinha esquecido uma sacola no carro deles. Parecia um pretexto, que Sheila e eu aproveitamos bem: hoje vou visitá-la em seu trabalho para pegar a sacola e vamos tomar um chá juntas.
Passei o resto da tarde inquieta, dando uma volta pela vizinhança, aproveitando o sol gostoso para sentar em bancos de praças, aqui e ali, e pensar na vida. Mais especificamente: pensar no livro que estou escrevendo e que está encalacrado numa cena que acho chata. Num dos bancos que sentei, dormi como um bebê!
Na volta pra casa, olhem só, achei uma ponta de estoque de livros, e claro que terminei o passeio bem mais carregada do que tinha começado. Pronto. Está aberta a Temporada Anual de Ataque aos Sebos!

(Blood Ties? Ah, sim! Estou agoniada, ontem foi ao ar o nono episódio lá nos EUA, e não tenho idéia de quando vou assistir. Enquanto isso, passei pelo cruzamento das ruas Victoria e Richmond. As ruas fazem o que todos os fãs esperam no seriado, rsrsrs. A foto está no multiply, http://marthaargel.multiply.com).

domingo, 29 de abril de 2007

29 de abril, Domingo

Ontem foi mais um dia de tempo besta, nublado e meio frio. Tivemos um sábado brazuca, almoço com convidados na casa da Claudia e convite para jantar na casa de amigos. Estou comendo demais, não nego, mas o que fazer se a brasileirada por aqui cozinha bem e gosta de se reunir?
Visitei duas casas que tem gatos e minha bronquite alérgica se comportou muito bem.
Passei de novo na frente do prédio do vampiro, em Avenue e Bloor. Todo dia agora, é? E estou relendo o primeiro livro da Tanya Huff, Blood Price. No livro a esquina onde o vampiro mora é ligeiramente diferente. Vou dar um pulo lá pra fotografar, algum dia desses.
Bom, fora isso, nada de relevante, I think.
Hoje, domingão, vou sair pra fazer um pouco de birdwatching.
Às dez da noite (hora local) vai passar Blood Ties nos EUA (não aqui, droga) e sabe deus quando é que eu vou poder assistir, já que não tenho eMule e meu computador ainda não está com o wireless (e acho que nem vai estar).

beijos a todos
Martha Argel

sábado, 28 de abril de 2007

28 de abril

Ontem o dia continuou nublado, úmido e frio, embora a temperatura tenha subido um pouco.
Durante a manhã, acompanhei a Claudia no trabalho voluntário que ela faz, num programa chamado Meals on the Wheels, subsidiado pela prefeitura de Toronto, que entrega refeições para pessoas idosas incapacitadas, por algum motivo, de preparar seu próprio alimento. Ela atua como motorista, e trabalha junto com um runner (entregador). É incrivelmente complicado.Tem um itinerário a ser cumprido, e cada idoso atendido tem uma dieta específica – sem sal, para diabetes, com ou sem suco, ou leite, ou pão, ou sopa, e milhões de outras variações. Na planilha tem anotações como “Bata forte na porta e espere” ou “Lento, seja paciente”. O runner que pegamos ontem era um equatoriano todo atrapalhado, que quando errava o itinerário (as ruas eram super-confusas) ficava “oh, no, sorry, I screwed up!”. A Claudia teve de ir entregar duas ou três refeições, e voltou deprimida. Apartamentos sujos, velhinhos solitários, vidas difíceis. E isso que eles têm assistência. Como não serão os nossos, e nosso triste país de submundo.
Depois do trabalho, fomos à U.of T., a universidade de Toronto. A Clau tinha um compromisso, e eu saí pra bater perna. Aproveitei e voltei à esquina onde mora o vampiro, pra tirar mais umas fotos e ver de novo o prédio novo do museu, desta vez sem chuva... ou quase. Mas o tempo continuou não ajudando.
No final da tarde, saí em busca de mais lugares, e cheguei à delegacia de polícia onde o Mike Celluci trabalha. Legal, fica atrás de uma loja Staples onde sempre vou comprar material de papelaria. É que nem a Kalunga, mas melhor.
De noite fomos à casa do Hugo, um amigo nosso. Com 19 anos saiu de casa, começou a trabalhar e consegue manter-se em seu apartamentinho, um basement muito gostoso e confortável, num bairro muito bonito. Quando que um adolescente consegue isso no Brasil?!
Umas dez da noite voltamos pra casa e resolvi sair pra bater perna pela cidade. Foi uma longa caminhada, muito legal. O centro da cidade é lindo de noite! Tirei um monte de fotos, e algumas estão na minha página do multiply, http://marthaargel.multiply.com.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Dia 27 de abril

Cá estou, em Toronto, de madrugada, sentada no chão de meu quarto, na frente de um computador enquanto o resto da casa dorme. Foi desse mesmo jeito que comecei a escrever o Relações de Sangue (bom, ao menos o conto que deu origem a ele, e que um monte de gente me pergunta se existe. Sim, existe. E está na rede. Só tem que procurar com muito cuidado).

Saí de Sampa no dia 25 de noite. Sem feriado, sem greve, sem apagão aéreo, o check-in e o embarque foram uma maratona exasperante. Fila do check-in gigantesca. Nota: todo mundo parece ter chegado três horas antes. Dica: se foi viajar, chegue você também. Aí me ocorreu que era bom declarar a saída do laptop. A moça do balcão da Air Canada me olhou com expressão de pânico. “Vá voando, porque a fila da Imigração está imensa”. Afff, quase me deu dor de estômago escutar aquilo. Foi voando. Claro que a receita federal era na ponta oposta do aeroporto. E claro que havia uma nova fila, descomunal. Dica: se for viajar para o exterior com seus brinquedinhos eletrônicos, chegue umas quatro horas antes. No fim deu tudo certo. Por algum milagre, a fila da imigração estava curtinha, curtinha, se bem que só pros brasileiros. Passei pelo raio X na boa e, milagre, ele não apitou pra mim.

A viagem foi o tédio de sempre. Sem incidentes, sem comentários. Chegamos na fria manhã canadense do dia 26 com dois minutos de atraso. Não tive nenhum problemas na Imigração, não quiseram revistar minhas malas e não tinha fila em lugar nenhum. Não demorou e logo, logo, estava eu no carro de minha prima, as duas tagarelando como doidas, em pleno congestionamento matinal torontoniano indo pra casa.

A manhã passou-se entre fofocas e desarrumação das malas. “Tá cansada?” Claro que estou. “Quer descansar?” Claro que não. Fomos ao St Lawrence Market comprar o almoço. Um dos dez melhores mercados do mundo. Queijos franceses? Tem. Maças chilenas? Tem. Comida grega? Tem. Turistas entupindo os corredores? Tem.

Previsão para os próximos dias: eu vou engordar.

Depois do almoço, a Clau tinha que ir para a região da Bloor. Hum, isto muito me interessa! Logo de cara já passei por vários lugares que aparecem em Blood Ties. E não acreditei quando, de repente, vi exatamente o prédio onde o vampiro Henry Fitzroy mora!!!

Ah, essa eu não podia deixar passar. Enquanto a Clau estava ocupada, decidi ir até lá. Tinha uma hora pra ir e voltar, mas no meio do caminho, uma livraria me capturou. Entre várias coisas interessantes, descobri que um seriado ótimo que estou acompanhando, “The Dresden Files”, é baseado numa série de livros, de Jim Butcher. Hum. Estou tão tentada...

Bom, coisa vai, coisa vem, o fato é que calculei mal a distância, e era bem mais longe do que eu pensava. Com 8 graus de temperatura e uma umidade altíssima, o frio era tanto que anestesiou o meu rosto. Pô, vinte e quatro horas antes eu estava a 30 graus! Mas persisti.

Qual não foi minha surpresa ao descobrir que o prédio fica bem de frente ao Royal Ontario Museum, um museu de história natural maravilhoso, e que está passando por uma ampliação maluquíssima – parece que uma espaçonave de vidro cai de ponta-cabeça num prédio do século dezenove. Putz, essa é a vista que o vampiro tem quando olha por suas enormes janelas de vidro... durante a noite, claro.

Depois de registrar em fotos, voltei correndo, atrasadíssima para encontrar minha prima. Começou a chover. Meio que me perdi numas ruas cheias de curvas. Eu não tinha nada de dinheiro canadense. Estava longe pra cacete de casa. E se a Clau fosse embora sem mim?! Mas minha querida prima me esperou. “Minha prima vem do Brasil me visitar e eu abandono ela assim desse jeito? Nunca!”. Priminha adorada, essa!

Antes de voltar pra casa, resolvemos passar no Nosso Talho. What the hell? Um açougue português! Que vende produtos brasileiros como Guaraná Antarctica e mistura para pão de queijo. Can you believe it? Mas o mais bizarro era o Guaraná Brasília, fabricado... nos Estados Unidos!

Voltamos pra casa e o cansaço da viagem me alcançou. O corpo todo doía por conta da correria no aeroporto carregando uma bagagem de mão pesadíssima. Quando deitei na cama, não senti nem a cabeça tocando o travesseiro.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Ok, povo, estou saindo de férias hoje, o que não quer dizer, necessariamente, que eu vá sair do ar.

Coincidência ou não, meu destino é justamente Toronto, o cenário do vamp-seriado "Blood Ties". Quem não conhece, pode encontrar todos os episódios no site GetSeries (clique aqui), já legendados.

Fiquem de olho aqui no meu blog e na minha página no multiply, (clique aqui).

Vou postar minhas impressões e fotos de viagem, como sempre. Desta vez, o nome do diário é "BLOODSTEPS: na trilha de Blood Ties". Espero colocar imagens da cidade de Toronto, em especial dos lugares que aparecem nos livros da Tanya Huff e no seriado de tevê. A cidade é extremamente fotogênica, vocês sabem...

Espero que curtam! E obrigada por continuarem visitando este blog.

beijos e... mordidas!
Martha Argel

domingo, 15 de abril de 2007

Amigos e leitores, estou absolutamente apaixonada pela série de tevê Blood Ties, que estreou mês passado nos EUA. É baseada na melhor série de livros de vampiros que já li (e olha que já li coisa pra cacete!), escrita pela canadense Tanya Huff.
Assisti a quatro episódios (o primeiro é duplo) e, caramba, nunca vi nada igual!
O personagem principal é Victoria "Vicki" Nelson (Christina Cox), uma ex-policial que está perdendo irreversivelmente a visão e por isso não pôde continuar na polícia de Toronto. Então ela se torna investigadora particular, e no decorrer de uma investigação acaba topando com Henry FitzRoy (Kyle Schmid), vampiro e filho bastardo de Henrique VIII. Logo se instala um tenso triângulo amoroso entre Henry, Vicki e Mike Celucci (Dylan Neal), ex-parceiro e ex-pero-no-mucho dela, enquanto os três se envolvem em investigações que sempre descambam no sobrenatural.
Uma coisa que sempre me impressionou nos livros da série foi a tremenda carga de erotismo que a TH conseguia criar, com elementos absolutamente banais. E ao menos nos dois primeiros episódios, a série conseguiu recriar esse clima. Boa parte do mérito é de Kyle Schmid.
Semanas atrás, quando encontrei o trailer no YouTube, meio que torci o nariz para ele, porque não era o Henry FitzRoy que eu imaginava.
Mas assistindo à série, uau! Ele realmente conseguiu. O vampiro FitzRoy tenta levar uma vida low profile, mas tem dificuldade em controlar sua natureza violenta. Quando menos se espera ele se enfurece, e nem por um instante ele deixa que Vicki - e o telespectador! - se esqueça do que ele realmente é.
Pra mim, a coisa mais sensacional da série são os olhares absolutamente assassinos que ele lança a Celucci - seu grande rival nas atenções de Vicki.
Não sei se essa série vai algum dia chegar aqui nesta backwater tapuia de gosto televisivo muito abaixo da linha da inteligência mínima.
Enquanto isso, o seriado já está disponível no mercado de genéricos. Tem até versão com legenda em português. Procurem um pouco que vocês acham...

Bom, e essa foto aí de baixo é uma delícia: Tanya Huff com Kyle "Henry Fitzroy" Schmid. Roubei do blog de Denis McGrath (leiam aqui), que faz parte da equipe de produção de Blood Ties.




Bom, espero que consigam encontrar o seriado pra assistir. Vocês não vão se arrepender!

beijos e mordidas em todos
Martha Argel

sábado, 14 de abril de 2007

Testando cor de postagem e aproveitando pra contar que daqui uns dias embarco de novo pro Canada'.
Ferias, com tudo o que tenho direito, na casa de minha prima. Nos ultimos tempos estou funcionando por pura teimosia e nao vejo a hora de desligar. Dormir, comer, fofocar, rever amigos e lugares.
Esta' em meus planos continuar escrevendo. Desta vez levo laptop e alguns manuscritos inacabados. Apesar dos pesares, voltei a escrever com forca total, e ate' terminei um romance. Nao sei nada de publicacao. So' to a fim de escrever, mais nada, sem pressa, sem planos, sem ansiedade.

beijos, bom fim de semana, descansem!

Martha Argel

sábado, 7 de abril de 2007




Lancamento: MORTO ATE' O ANOITECER, Charlaine Harris

Amigos e leitores, acaba de ser publicado aqui no Brasil um livro emocionante: Morto ate' o anoitecer, de Charlaine Harris, uma das autoras de vampiros mais conhecidas la' fora (e uma de minhas favoritas!)
Eu ADOREI esse livro, que e' o primeiro de uma série fascinante. Um seriado de TV baseado na serie estreia este ano nos EUA, vamos torcer pra chegar logo aqui.

As info do site da editora Prestigio:

MORTO ATE' O ANOITECER
Charlaine Harris
Preco: R$ 39,90
Numero de paginas: 314 p.
Altura: 23 cm
Largura: 15.5 cm
Peso: 470 g
Esqueça tudo o voce ja' ouviu sobre vampiros. Os mortos-vivos ganharam o direito de existir legalmente. O vampiro Bill Compton esta' disposto a tudo para se estabelecer em sua cidade natal. O que ele nao contava era com uma serie de assassinatos inexplicaveis, a desconfianca dos moradores locais e o envolvimento com uma bela – e teimosa – garconete telepata.

Para comprar, clique aqui!

A Prestigio Editorial esta' de parabens pela iniciativa de publicar esse livro. O publico leitor brasileiro tem o direito de ter contato com a literatura contemporanea de vampiros que esta' sendo publicada no exterior. Nos, apreciadores da literatura de entretenimento, so' temos a ganhar!

abracos a todos
Martha Argel

quinta-feira, 29 de março de 2007

Caros amigos:

O site O Eco publicou uma materia sobre a serie de livros que estou ajudando a coordenar, o Guia de Campo WCS Aves do Brasil.

Clique aqui para ler

Ficou bem legal, e voces podem ainda ver uma amostrinha das ilustracoes maravlhosas que vao estar nos livros.
No momento estamos trabalhando no primeiro volume, Pantanal e Cerrado, e esta' ficando otimo!

Aproveito pra agradecer a todos que foram, no domingo, ao bate papo vampirico na Livraria Companhia de Leitura. Foi muito bom mesmo. Tanta gente lá, lotando a sala, num domingo de sol daqueles pra ouvir falar de literatura? Quem acreditaria, nao?
Voces podem ver as fotos no site http://visuh.net (clique aqui) .

beijos a todos
Martha Argel

terça-feira, 13 de março de 2007

BATE-PAPO VAMPIRICO: Andre' Vianco, Giulia Moon e Martha Argel
Dia 25 de marco de 2007, na Companhia de Leitura, 'as 15:00

Amigos, finalmente o Andre', a Giu e eu conseguimos algo que queriamos a muito tempo, e estaremos juntos em um evento para discutir nossos seres mortiferos favoritos. Vai ser otimo encontrar voces por la'!

*** Criaturas da Noite: Entrevista com os Vampiros***
Bate-papo com os escritores Andre' Vianco, Giulia Moon e Martha Argel


Nenhum personagem sobrenatural é tao sensual e ameaçador como o vampiro. Nascido nas aldeias do leste europeu, ele ganhou o mundo e em mais de duzentos anos de evolucao literaria, transmutou-se de um monstro repugnante em um sedutor imortal irresistivel. Seja como metafora para o mal inerente 'a especie humana ou como escape para a fantasia, os vampiros estao mais sofisticados, sedutores e interessantes do que nunca.
Sera' uma otima oportunidade para ter contato com este tema fascinante.

ANDRE' VIANCO tem dez obras editadas, incluindo varios romances vampiricos. Site: www.andrevianco.net

GIULIA MOON publicou tres livros de contos vampíricos. Site: www.giuliamoon.com.br

MARTHA ARGEL publicou seis livros de literatura fantastica, dois deles dedicados aos vampiros. Site: www.marthaargel.com.br

Bate-papo mediado por SILVIO ALEXANDRE, editor e especialista em ficcao cientifica e fantasia.

CRIATURAS DA NOITE: ENTREVISTA COM OS VAMPIROS
Bate-papo com os escritores Andre' Vianco, Giulia Moon e Martha Argel
Local: Companhia de Leitura, Av. Dr. Vieira de Carvalho, 160 (prox. metro Republica)
Data e Horario: dia 25 de marco de 2007 (domingo), 'as 15h00
Informações: (11) 3361-6151
Evento gratuito e aberto ao publico em geral

APOIO: http://visuh.net

segunda-feira, 12 de março de 2007

Bom dia.

Desisto da acentuacao, agora vai no estilo Vampira-no-exterior.
Os últimos dias foram de uma correria impar. De domingo a quarta coordenei o Segundo Workshop WCS de Ornitologia, e foi simplesmente fantastico. Varios dos maiores especialistas em aves da mata atlantica estiveram presentes, bem como representantes do Ibama, da BirdLife e da revista Horizonte Geografico. Meus nervos ficaram em frangalhos, pois a responsabilidade (e as cobrancas!) era gigantesca. No fim, foi espetacular. Saiu todo mundo empolgadissimo com o trabalho. Que bom.

E na quinta-feira, cinco e meia da matina, la' estava eu viajando com todos os gringos rumo 'a mata atlantica propriamente dita. Fomos para o Parque do Zizo, em Sao Miguel Arcanjo.
Pra terem uma pequena ideia, visitem o site do parque. Nao da' nem pra descrever o paraiso que e' aquilo la'. Caralho, como e' que alguem tem coragem de derrubar um metro sequer dessa mata soberba?!

Ufa. Gringos despachados, domingo de morgacao total, e agora de volta ao ritmo normal.

Tenham todos uma boa semana!
Martha Argel

(PS. Perdi todo o salseiro da visita do Bush, mas em contrapartida, durante o tempo todo meus estadunidenses da WCS vituperaram e maldisseram "George Fucking Bush", declarando-se canadenses, com toda a conviccao. Ah, e assistimos aquele video hilariante da invasao do Brasil [veja aqui]. Eles adoraram!)

domingo, 4 de março de 2007

Droga, continua o problema dos acentos por aqui...
Vocês viram o eclipse? Fui pra rua ver, com o pessoal daqui de casa, aí os vizinhos também vieram, e no fim uma família que passeava também parou por uns instantes. Foi divertido.
Teve uma hora em que estávamos no meio da rua porque era o único jeito de ver a lua por uma abertura na folhagem dos eucaliptos que crescem na escola em frente.
Um carro veio pra cima da gente, dando sinal de luz e com ar de dono da rua. Desviou no último instante. Uma mulher jovem ao volante, outra do lado, as duas indignadas. Tem gente que não se desvia do caminho batido da rotina e da mediocridade por nada. Foram ouvindo gritos de "aprende a viver", "vai fazer algo interessante" por meio quarteirão.
O mais bizarro foi um vizinho que saiu na porta pra ver o que era a algazarra. Convidamos ele pra ver o eclipse com o binóculo. "Não, obrigado, já vi pela tevê". Uau, taí um cara que sabe mesmo extrair o melhor da vida.
Será que vale a pena lutar por uma humanidade que perdeu a capacidade de de encantar com a natureza?

beijos a todos, não virem zumbis.
Martha Argel