quarta-feira, 17 de agosto de 2005

É bom atualizar de vez em quando, né?
Coisas fora do comum acontecem volta e meia. Semana passada foi o tiroteio em que uma amiga e eu quase nos metemos, enquanto caminhávamos por minha rua às oito e meia da manhã. Meu momento Bagdá: gente correndo pra se proteger. Nós duas fomos parar dentro de uma igreja. Assustador, mas ninguém parece ter se ferido.
Tem lances que são bem mais amenos e agradáveis, como ter participado, dia 13 de agosto, do Dia dos Vampiros, um evento voltado para a doação de sangue, organizado por Mariliz "LizVamp" Marins. Fiquei frustrada por não ter podido doar, por um impedimento temporário, mas foi bem legal estar lá dando força à campanha, junto com a própria Liz, Giulia Moon, Adriano Siqueira e Lila, Lord A., Kizzy e outros integrantes da comunidade gótico-vampírica paulistana. Foi legal aprender um pouco mais sobre o processo de doação, e ter conhecido as instalações do Pró Sangue, no complexo Clínicas. O pessoal de lá é super bacana. E de quebra, mais uma vez tive a oportunidade de bater um papo com José "Zé do Caixão" Mojica Marins.
Fora os eventos bizarros, continuo trabalhando em uns contos e fazendo a interminável fisioterapia pro ombro. Vou diminuindo o tempo de internet aos poucos, afinal, a viagem se aproxima.
Faltam 12 dias pro embarque. Ainda faz mais calor lá no Canadá do que aqui, e os dias são mais longos.

beijos a todos, e curtam os dias de sol
Martha Argel

segunda-feira, 8 de agosto de 2005

Bons dias! Segundona, né?
Coisas bizarras acontecem. Assim do nada alguns escritores deram de resmungar sobre mim na rede. Com alguns não tenho contato há meses, talvez anos, desde que voltei pra ornitologia "a sério". Putz, se os desafetos passarinhísticos se juntam ao coro, entro em pânico. Meeedo! Who would I call to protect me? The Vampire Ornithologists, of course! Sim, eles existem, e através da literatura vampírica e do estudo dos pequeninos amigos emplumados, salvarão a umidade, ops, a humanidade. (música heróica ao fundo)
Falando em ornitologia, não consigo me controlar. Agora que me livrei dos trabalhos (aleluia!), passo o dia todo conectada, trocando idéia com esse povo, e estão surgindo belas iniciativas. A lista nova está muito bem, obrigada, e já se alastra pelo orkut e pelo multiply. Conheci gente ótima, e também um monte de fotógrafos com trabalhos excelentes. Por conta de minha conduta alucinada, não quero nem ver a conta de telefone mês que vem. Ah, esqueci que não vou ver mesmo! Vou estar em Toronto. :-) Faltam 21 dias!!!
Meu pitpulga Thor conseguiu me engabelar outra vez. Estabeleceu-se definitivamente no sofá da sala, onde agora passa suas noites. A tonta aqui levanta duas ou três vezes pra abrir a porta pra ele ou verificar se está cobertinho. E eu que chamo ele de burro! Mais esperto que eu.
E hoje, cena patética: deixei meu inseticida em spray cair no chão e o mecanismo quebrou. Fiquei em pânico, pois é meu companheiro inseparável (raios, quem já ouvir falar de mosquitos no inverno?! Como eu disse, coisas bizarras acontecem!). Resolvi consertar com durex (eu e o McGyver ali, ó...) e quando fui testar, o bico tava virado pra minha cara. Taqueupa! Mas funcionou.
Bom, agora respirar fundo, sem inseticida, e encarar a nova semana!

Beijos a todos, vivam e deixem viver.
Martha Argel

sábado, 6 de agosto de 2005

Boa tarde.
Nas últimas três semanas venho me escondendo do trabalho, de forma que ando mais ou menos de folga. Só que meus dias vinham sendo tomados pela malfadada fisioterapia e por dois contos que finalmente terminei. Há meses não escrevia ficção, e portanto achei merecer um sábado livre.
Além disso, tenho um orgulho meio bobo de ter assinado contrato com uma ONG internacional, oficializando minha participação como coordenadora local de um projeto binacional. Já venho trabalhando nisso há meses, mas só agora me sinto mesmo parte da equipe. Comemoro descansando um pouco.
Hoje dei um pulo na Bienal do Livro Infanto-Juvenil, e minha opinião é que errar é humano e persistir no erro é burrice. Poucas editoras arriscaram persisitir. O evento está modesto, dominado por editoras de segunda linha. Mas valeu a pena ter ido, encontrei amigos e me diverti.
Minha nova lista de discussão, Birdwatching Brasil, voltada para os observadores de aves, está indo de vento em popa. Fiz o lançamento público há cerca de uma semana e já somos 97 membros. A URL é http://br.groups.yahoo.com/group/birdwatchingbr/ . Todos os observadores de aves, birders, birdwatchers e quetais são bem-vindos! O mesmo vale para a comunidade no Birwatching Brasil no Orkut, http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=3942004 .
Segunda-feira retorno à fisio, agora numa clínica onde me garantiram que respeitam a hora marcada.
E faltam 23 dias para meu embarque para o Canadá. Imeginem meu susto, dias atrás, com o avião que se acidentou em Toronto. É lá que aterriso.

Beijos a todos.

Martha Argel

sexta-feira, 5 de agosto de 2005

Oi.
Atualizando rapidamente:
Estou melhorando a ombros, ops, olhos vistos. A fisioterapia está de fato funcionando. Quer dizer, estava, até que mandei à merda a Unifisio. O pessoal de lá é legal, mas o respeito pelo horário, e pelo tempo do paciente, é zero. Aliás, lá tem que ser paciente mesmo!!! Você chega lá com hora marcada e tem que esperar até uma hora e meia pra ser atendido! Fui reclamar e o que fizeram? Me passaram na frente dos outros! Palhaçada, eu não quero passar na frente de pessoas idosas que estão esperando há uma hora e meia, eu quero que todos sejam tratados com respeito. Aí surtei, e com muita educação (sério!) caí fora.
Bom, e em 24 dias embarco para o Canadá. Vou conhecer o país e visitar minha prima Cláudia. De quebra, pretendo conhecer a Big Apple. Férias, nem acredito!!!
E o mais hilariante: quando fui no ortopedista, ele me recomendou não carregar malas e sacolas pesadas. "Use mochila, vai fazer bem pro seu ombro". Rá, tô me imaginando chegando em NY e tomando o metrô com minha mochila nas costas... Putz, que frio na espinha, não me parece muito bom pra saúde, não...
No meio tempo, durante a contagem regressiva, tento botar a vida em ordem e de quebra voltei a escrever ficção. E criei uma lista de discussão que já é o maior sucesso! Nem uma semana de divulgação e estamos chegando a 100 membros. É sobre observação de aves. Depois ponho detalhes.
Tenham um bom dia e um excelente final de semana.

Martha Argel

quarta-feira, 27 de julho de 2005

Só para aliviar um pouco meu desabafo quase destemperado do post aí de baixo, eis o link para uma matéria muito simpática sobre o livro Maravilhas do Brasil: Aves, com fotos do Fabio Colombini e textos meus: http://www1.uol.com.br/bichos/noticias/ult295u1235.shl . Tem uma linda amostra da arte insuperável do Fabio, um fotógrafo que na hora do clic não esquece o respeito pela ave. Ah, e não deixem de clicar no link Zoo Zoom.
Já disse aqui mas não custa repetir: o livro está merecendo uma atenção excelente da mídia (bem, da parte séria e profissional da mídia, é claro), não apenas por sua óbvia qualidade mas também pela competência da assessoria de imprensa da editora Escrituras.

Beijos e queijos, e continuemos na torcida para que a devassa da corrupção brasileira seja mais do que mera picuinha partidária.

Martha Argel
Bom (?) dia.
A leitura da Folha de São Paulo de hoje está particularmente angustiante. Manchetes. editoriais, cartas, matérias. Tudo reflete pensamentos sombrios que têm me perturbado nos últimos dias, em especial uma pergunta renitente, que curiosamente parafraseia o Cony de hoje: Quem matou Jean Charles?
O editorial de Marcelo Crivella é especialmente pungente. E a chamada dói, pela crueza como desvela a verdade: "Ele só queria ir trabalhar, mas o mataram. Jean saiu do Brasil porque aqui eletricista não acha mais emprego e salário digno".
Quem, afinal, matou o brasileiro pobre, mestiço e expatriado naquela estação de metrô londrina? Com certeza não apenas um punhado de policiais em pânico, despreparados para lidar com suas armas e seu medo. Os cúmplices são uma multidão.
A política de Gérson, que prevalece entre nossos patéticos legisladores, aqueles mesmos que em público lembram a catástrofe dos "tsumânis", e que só tomam a peito suas responsabilidades se for para legislar em proveito próprio. O povo? Foda-se o povo.
A distorção moral que cria cuecas milionárias, defensores de Daslus e publicitários mentirosos, em detrimento do contribuinte que paga em dia os tributos acachapantes e do cidadão que morre pela ausência do estado.
A omissão criminosa de Renildas de Souza, mulheres apáticas que anulam-se em favor da segurança proporcionada por um marido que (desgraça escandalosamente generalizada neste país de terceira) não passa de um ser amoral e sem respeito para com ninguém, nem mesmo para com a pobre idiota iludida.
O fanatismo religioso, que permite a pessoas com QI abaixo da média (ou ganância acima dela), chegarem a cargos de poder inimaginável, através da manipulação de eleitores crédulos, inocentes, despidos de conhecimento mas plenamente dotados de fé.
A intolerância e a falta de auto-estima, que levam ao racismo, a todas as formas de preconceito, à arrogância gratuita e adolescente de pessoas que aliviam o tédio de suas vidas inúteis por meio de agressões grosseiras, contra alvos inocentes escolhidos a esmo.
A burrice ampla, geral e irrestrita, alimentada de forma diabólica pela mídia e pelos administradores do sistema educacional, eles próprios já os frutos podres de um mecanismo mantido e azeitado pelos governantes, versão atualizada dos senhores de engenho.
Chega um ponto em que a mediocridade satura. Há alguns dias me surpreendi com um articulista da Folha que teve coragem de estampar na segunda página do jornal um sentimento que eu não ousava confessar sequer a mim própria. Ele saía de férias e dizia: quero passar uns tempos longe, e tentar esquecer que o Brasil existe. Algo assim.
É isso que sinto. Em um mês viajo para fora, para outro hemisfério. A vontade que tenho é de não voltar mais. Sei bem que é ilusão supor que a boçalidade é monopólio brazuca. Mas pelo menos lá fora a gente não passa a vergonha de saber que os imbecis do dia-a-dia nasceram no mesmo país que a gente.
Meus amigos que lêem este blog não são cretinos, mas se algum estúpido caiu aqui por acaso, eu imploro: por favor, deixe de ser o problema e passe a fazer parte da solução. Os Jean Charles do mundo todo agradecem.

Fiquem bem.
Martha Argel

terça-feira, 26 de julho de 2005

Boa tarde!
Essa eu não podia deixar de comentar. Até o momento eu não tinha prestado atenção nos depoimentos da CPI dos correios. Hoje passei algum tempo assistindo aos depoimentos de Renilda de Souza, mulher do Marcos Valério. Quanta cara de pau!
Mas o melhor da tarde foi a frase do deputado Asdrúbal Bentes: "... e de repente as coisas parecem desabar... um verdadeiro tusumâni."
Pior que isso só a bravata aquele cara, acho que era prefeito de uma capital do nordeste: " Pode vir até o Suriname, que a gente não tem medo!"

beijos, tenham todos um delicioso fim de tarde
Martha Argel

quinta-feira, 21 de julho de 2005

Bom dia!

Desculpem o sumiço. De repente meus dias encolheram e o tempo não alcança para nada. Comecei a fisioterapia para uma bursite que me incomoda há meses. Resumo da história: minhas tardes foram pras cucuias, e agora transcorrem numa clínica especializada, em que me entrego aos cuidados de um pessoal divertido e companhia de dúzias de outros pacientes idem. Não é desagradável, em absoluto, mas que perda de tempo!

Atendendo a pedidos:
O programa Repórter Eco, com a matéria sobre meu livro Maravilhas do Brasil: Aves, será reprisado na TV Cultura hoje, quinta-feira, às 23:30 aproximadamente (pode atrasar, segundo me confessou a própria editora-chefe do programa). Quem sabe desta vez consigo assistir. Sim, acreditem: eu mesma caí no sono no domingo e não vi.

abraços e beijos e enfrentem o frio com galhardia e muita roupa quente!

Martha Argel

quinta-feira, 14 de julho de 2005

Caros amigos

Neste domingo, dia 17 de julho, vai ao ar no programa Repórter Eco, da TV Cultura, uma matéria sobre o livro Maravilhas do Brasil: Aves (Escrituras Editora), cujos textos são de minha autoria.
A matéria foi gravada no Parque do Ibirapuera e conta também com a participação do fotógrafo Fabio Colombini. Acho que ficou bem bacana.
O Repórter Eco começa às 18:30, e a matéria sobre o livro será a última do programa.

abraços, tenham todos um bom dia!

Martha Argel

domingo, 10 de julho de 2005

Oi, todo mundo!

Um update:
- minha página http://www.marthaargel.com.br/ voltou ao ar, saiu e voltou de novo. Pra saber se está visitável, uma dica: caso a fotinho de meu livro Relações de Sangue apareça, aí na coluna do lado direito, no alto, está tudo ok.
- já minha sala continua exatamente do mesmo jeito, estilo Ground Zero 9-11. Gente vocês não imaginam como está ge-la-da!
- e ontem comprei algo que procurava há muito tempo: uma underwear térmica (traduzindo, um minhocão quentinho). Meu, que maravilha!!! Excelente pra quem está a fim de usar saia com bota, combinação que acho ótima (embora o fato de estar na moda leve a mulherada a praticar misturas medonhas, idiotas e patéticas). Ela é preta, de um material sintético confortável e é da Kailash (tinha outra marca mais barata, mas a cintura era baixa demais e o material grudava na pele, achei horrível). Comprei numa loja super-simpática, a Mar e Sol (rua Orissanga, 142, Praça da Árvore, pertinho do metrô). Já me disseram que esse é o melhor lugar em Sampa pra comprar material de atividades ao ar livre.
- também ontem, um encontro de amigos que há muito não acontecia. Os vampiros voltaram a se reunir no Ponto Chic: Giulia, Roberto, Cíntia, Adriano Siqueira, Fernando Molina, Kizzy, Liz Vamp e uma visitante de longe, Carolyn, da Califórnia, interessada no movimento gótico brasileiro. Alto consumo de batatinhas e refrigerantes, com direito à gentileza e presteza do Machado, o garçom que já é um velho amigo e que nos recebeu efusivamente.
- comecei na semana que passou os preparativos para a longa viagem que farei em setembro; a burocracia é infernal.
Deixa eu ir que preciso preparar a palestra de daqui a pouco.

Tenham um bom frio, er, dia.
Martha Argel

quinta-feira, 7 de julho de 2005

Bom dia, amigos!

Grrrr, meu site está fora do ar desde anteontem. Se alguém tentou visitar, desculpe o transtorno.
E olhaí embaixo, tem evento no domingo! Sim, é bizarro que eu esteja participando de um evento de RPG, mas uma especialista em literatura vampírica pode trocar uma bela idéia com a garotada...

Workshop de RPG "O Vampiro de Cada Um"

Venha conhecer um pouco mais sobre os vampiros, esses seres fantásticos que povoam o folclore no mundo todo, inclusive no Brasil.
Participação especial das escritoras de livros de vampiros Martha Argel e Giulia Moon.
Martha Argel é autora de seis livros, entre os quais Relações de Sangue e O Vampiro de Cada Um.
Giulia Moon é autora de Luar de Vampiros e Vampiros no Espelho.

- Os vampiros mitológicos
- O processo de criação de personagens vampíricos
- Sorteio de brindes
- Apresentação de filme

Data: 10 de julho de 2005 (domingo)
Local: Sala Lima Barreto - Gibiteca, Centro Cultural São Paulo
Av. Vergueiro 1000, Paraíso, São Paulo
(ao lado da estação Vergueiro do Metrô)
Horário: a partir das 11:00 (retirar os ingressos com 30 min de antecedência)
Vagas limitadas!

Organização MegaCorp - Realização Centro Cultural São Paulo

domingo, 3 de julho de 2005

Boa tarde! Apenas a título de informação: minha sala continua exatamente do mesmo jeito, no estilo que costumo definir como "contemporâneo bagdali".
Quinta-feira passada estive na noite de autógrafos de meu amigo André Vianco. Quem gosta de dizer que brasileiro não gosta de ler precisava ter estado lá pra ver a fila gigantesca de leitores em busca de autógrafo, alguns deles carregando sob o braço a obra completa do autor (e olha que precisa ser forte pra conseguir segurar aquele monte de livro!). O próprio André estava maravilhado.
É isso aí. Academias de letras, câmaras do livro, secretarias e ministérios deveriam prestar um pouquinho mais de atenção nos leitores e talvez assim conseguissem ter êxito em seus projetos "culturais" (como a vergonhosa Lei Rouanet, por exemplo).

Mais perguntas de leitores

Fabian Thorm: Lendo "O Vampiro de Cada Um" e lembrando dos contos da extinta página da Lucila percebi que você usa sua cria para matar todo mundo que te aporrinha, ou que já te aporrinhou no passado. Deve ser algum tipo de terapia. A própria história que a originou [ops... não devemos falar muito sobre esse tesouro secreto] é assim. O que você me diz?

Eu diria que é prerrogativa do escritor transferir a realidade para a ficção e aí dar a seus problemas a solução que gostaria de ter dado de verdade! A sensação de poder é fantástica, e não só para o autor. De certa forma, se já passou por uma situação semelhante, o leitor também sente sua alma lavada. Talvez uma das virtudes de um escritor seja reconhecer e usar os elementos e cenários familiares não apenas a ele, mas a seu público potencial.
Na verdade, nem todas as situações e personagens "aporrinhantes" dos contos cruzaram minha vida. Você mencionou o conto original. Esse é um bom exemplo. Ele surgiu de uma experiência que jamais tive em primeira mão, mas quando descobri que seis ou sete amigos meus já tinham passado por aquilo, resolvi que era momento de fazer algo. A minha moda.
Terapia? Pode ser a palavra certa. Não gosto daquela literatura que deprime o leitor e cria mais problemas na cabeça dele. Deve ser alguma deficiência minha, mas gosto que meus personagens, se incomodados, tirem o traseiro da cadeira e tomem uma atitude, pô! Talvez seja porque acredito que, na vida real, é assim que as pessoas devem agir, e não ficar se lamuriando derrotadas num canto, enchendo o saco do próximo.

Beatriz Rezende Ramos: O vampiro-sugador-de-energia também tem uma evolução como o vampiro-sugador-de-sangue? Mas se for a minha teoria que eles são pessoas normais que abusam das outras, tanto no dinheiro como no esforço físico, eu sei... Mas deve ter surgido de algum lugar...

Sim, vampiro-sugador-de-energia teve uma evolução, pois ele é uma derivação do vampiro-sugador-de-sangue. Quando a figura do vampiro eslavo chegou à Europa Ocidental (final do século XVIII, ainda sob a forma do vampiro-monstro-da-aldeia), as pessoas mais esclarecidas ficaram indignadas com o fato da sociedade levar a sério uma figura obviamente folclórica e imaginária. Já em 1764, o pensador Voltaire afirmava que os vampiros existiam, e eram os especuladores, cobradores de impostos e comerciantes que sugavam o sangue das pessoas em plena luz do dia. Muito cedo, portanto a palavra vampiro tornou-se uma metáfora para pessoas que exploram outras, e não pelo estrito consumo de sangue. A idéia de que havia um tipo de vampirismo em que certas pessoas roubavam a energia de outras (as ?esponjas psíquicas?) surgiu no final do século XIX, e logo foi incorporada à ficção, por exemplo no conto Luella Miller, de Mary E. Wilkins-Freeman (1903).
Nas últimas décadas, o conceito de vampiro psíquico tornou-se extremamente popular. O fenômeno talvez se explique pelo fato de que, apesar da ânsia que muita gente tem em crer na existência real dos vampiros, as provas físicas (mordidas, corpos dessangrados, registro de mortos-vivos saindo da covas, etc) se recusam a aparecer.
A saída, então, é defender a existência de um vampirismo que não deixa marcas físicas, e cuja aceitação só depende da disposição em crer nos relatos porventura apresentados.

quinta-feira, 23 de junho de 2005

Consegui!
Destruí toda a minha sala. Transformei o tablado numa pilha de tábuas bem arrumadinhas. Arranquei o rodapé e ainda tirei os taruguinhos e o cimento que o mantinham firme no lugar. Depois limpei tudo.
Os pedeiros (que chamei quando ainda achava que não conseguiria, e que só vieram ontem), não acreditaram. "Mas você fez tudo sozinha?". Sim! Eu fiz! Eu posso!
Agora estou com a cabeça cheia de idéias realmente ousadas. Mas vão ficar pra depois. Hoje tô indo pro mato estudar passarinhos. Nesse frio, devem estar todos de pantufinhas e cachecóis!
Aproveitem a chegada do inverno: sopinhas, cobertores aconchegantes e meias de lã. Delícia.

beijos & queijos-quentes

Martha Argel

terça-feira, 21 de junho de 2005

Bom dia. Se você está atrás de bom-humor, vá embora já, antes de se arrepender!

Um caminhão cheio de...

Burocracia é a pior merda que tem. Ultimamente, parece que toda minha vida gira em torno de documentos imbecis que me fazem correr de um lado para outro.
Tem um documentozinho especialmente imbecil que me deixa enfurecida. Sabe aquela frase "se eu soubesse quem inventou essa merda eu matava"? Eu sei quem inventou essa merda. Eu sei qual o motivo que levou essa pessoa a inventar essa merda. A merda demora pra ficar pronta porque tem que ser aprovada por outra pessoa. Eu sei quem é a pessoa que aprova essa merda. E sei porque é que a aprovação da merda demora.
Tem horas que saber demais é uma merda maior do que a burocracia.

Respeito é bom e a gente gosta

Ando emputecida com a falta de respeito das editoras com os autores. A reclamação não tem nada a ver com ego, com aquela concepção quase universal entre os escritores de que SUA obra é o supra-sumo da arte, o ápice da criatividade humana. Minha queixa tem a ver com cortesia, respeito e honra. Nesse ponto, a relação entre editoras e autores reflete exatamente o resto da sociedade: parece que ninguém se lembra o que é gentileza, e que a arte de retribuir consideração com consideração caiu em desuso.
A cada nova editora aprendo novas formas de descortesia. Experiência recente: me apareceram com um pedido de ajuda, urgente, me ofereceram várias contrapartidas e me trataram com gentileza. Fiz o que pediram, e até mais, e mais rápido do que esperavam. Os agradecimentos vieram sob a gélida forma de e-mail. Sempre que quis novidades era eu quem entrava em contato. As contrapartidas prometidas ou foram arrancadas a fórceps ou simplesmente não vieram.
Agora digo eu: foda-se. Pedi pra fazer a revisão final, eles acharam que não precisava, e o livro saiu com um monte de erros. Não no meu texto, claro, mas em outros baseados no meu. Acho bom eles contratarem alguém pra cuidar disso na segunda edição, porque esse tipo de coisa é um prato cheio pra fofocas e achincalhações...
Fico torcendo pra me pedirem outro favor... se é que ainda se lembram de mim!

Terapia da martelada

Posto que a humanidade está me enchendo o saco nestes últimos tempos, resolvi literalmente colocar mãos à obra e destruir minha sala de estar. Está uma beleza, parece Bagdá depois da libertação pelos ianques. Tirei quase todos os móveis e arranquei o carpete e parte do rodapé. No momento estou trabalhando num tablado de madeira que delimitava, por meio de um desnível, a sala de jantar. Eu precisaria de um pé de cabra, mas não tenho, de forma que vai na base do martelo e chave de fenda. Minha mão está toda roxa de marteladas e lanhada pelas farpas da madeira, sem falar nos calos que vão se formando, mas acho que termino de desmantelar tudo entre hoje e amanhã.
Tô enlouquecendo a casa toda com minhas marteladas. Espero que os vizinhos do lado estejam incomodados.
E por que isso? Não cozinho, não costuro, há muito não faço tricô ou crochê, e não gosto da idéia de que a única coisa que consigo fazer com as mãos é escrever. Agora aprendi, na marra, a lidar com o martelo e com pregos. A sensação é ótima, recomendo. Não tem nada melhor do que dar uma bela martelada e imaginar que o alvo é outro!
Um martelo é bem mais barato do que terapia, e muito mais confiável. Afinal, um martelo é sempre um martelo, e um psiquiatra às vezes é um picareta!

Beijos, tenha um bom dia, compre um martelo e seja feliz!
Martha Argel

sábado, 18 de junho de 2005

Bom dia.

Ontem foi um dia televisivo. Passei a manhã no parque do Ibirapuera, gravando uma matéria para o Repórter Eco, da TV Cultura, junto com o fotógrafo Fábio Colombini. O tema foi nosso livro Maravilhas do Brasil - Aves. Quem nos entrevistou foi a Teresa Cristina de Barros. Muito simpática, e sei de fonte segura que é uma excelente profissional. Enquanto gravávamos, as aves se comportaram bem e deixaram-se filmar e fotografar como se fizessem isso o tempo todo.
De tarde, recebi um DVD com o piloto de um programa de entrevistas do qual participei. Era só um trabalho do curso de Rádio e TV da Anhembi-Morumbi, um exercício prático dos alunos, mas pra mim foi útil. Eu nunca tinha gravado em estúdio, e serviu como um laboratório quanto a posturas, gestos, expressões. Não ficou ruim, mas é muito estranho a gente se ver na tevê. Creio que nunca somos da forma como nos imaginamos.
Bem entre uma coisa e outra, permiti-me brindar a mim mesma com um pequeno mimo: uma bolsa cor de malva, que combina com minha querida calça rosa-antigo. Um item insólito, se seis meses atrás uma cartomante predissesse tal aquisição, eu a xingaria de embusteira e pediria a grana de volta.
Minha prima Claudia, ao ver a peça, abanou a cabeça, desolada e lamentou-se: "minha prima, bióloga, escritora e... perua!". Eu a corrigi, ofendida: "Não! É o contrário: perua, escritora e bióloga". Engraçado que a Giulia Moon teve a mesma reação que a Clau, mas acrescentou "... pelo menos é uma ave, né?". Vixe, vejam só o que O Esquadrão da Moda fez comigo!

beijos a todos, tenham um bom final de semana

Martha Argel